sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Se há perdão para bancos, então não há crise

Se o governo está perdoando os bancos, então como pode falar em sacrifícios para os trabalhadores para vencer uma tal de uma crise que só existe longe dos gabinetes? Somente interpretando o andamento das coisas como de autoria de autênticos psicopatas é que se pode talvez entender como funciona o jogo político que presenciamos no Brasil

A Central Única dos Trabalhadores, a CUT, informa em sua página na internet, em manchete: “Em três meses, governo perdoa quase R$ 30 bilhões dos bancos”. Sendo isso verdade, confirma-se a tese de que não há essa porra de crise merda nenhuma para o governo. Trata-se, simplesmente, do caso da pimenta no olho do outro ser refresco. Coisa de filhos(as) da puta mesmo.

Perdoe-me a expressividade um tanto chula do primeiro parágrafo, mas posso lhe garantir que minha real vontade era enfiar uma porrada na cara daquele bosta que é presidente e distribuir meia dúzia de tiros por cada um dos safados envolvidos nessa empreitada sem-vergonha.

Na rua, muitas dificuldades; nos palácios, tudo fica fácil
Você anda pela rua e percebe que a falta de dinheiro anda generalizada. Olha uma rua e percebe que algo em torno de trinta por cento do comércio fechou. Vai almoçar e descobre que a qualidade da comida já não é a mesma e que o banheiro do restaurante está meio abandonado, cheirando mal e tudo o mais. Entende que a coisa anda feia quando o número de pedintes parece ter quintuplicado nos últimos tempos e é abordado não apenas por eles, mas pelos vendedores das lojas sobreviventes, que tentam de agarrar e jogar dentro delas.

Já o senhor presidente e os senhores ministros e deputados vão muito bem, obrigado. Recebem salários pomposos, assim como juízes, desembargadores e outros personagens republicanos, e têm auxílio para se vestir, para morar, carro oficial na porta, sem despesas e algo mais ainda. Você, na rua, correndo para lá e para cá, se fodendo de verde e amarelo, e eles lá, cuidando dos próprios interesses e dizendo, em belos discursos prestigiados por áulicos (que ali não apenas aplaudem seus patrões e líderes, como enchem a barriguinha com os deliciosos coffee breaks à disposição desses energúmenos).

Vão trabalhar, vagabundos
A vida com dinheiro fácil pode ser boa, ao menos por algum tempo, já que dizem que tudo o que aqui se faz, aqui se paga. Esse pessoal inútil da política já entendeu muito bem isso e investe todos os esforços possíveis para ter mais e mais grana, na expectativa de que quanto mais valores menos dissabores. E parecem não acreditar em maldições, já que fazem todas as besteiras que podem, ultrapassando mesmo todos os limites, sem medo de serem felizes.

O que quero dizer, agora sem “nomes feios”, é que se o governo perdoa uma dívida de R$ 30 bilhões é porque está tudo bem nas contas públicas. Que o senhor presidente pare de chorar a miséria que não conhece, sendo isso também válido para os senhores deputados. Que todas essas “vossas excelências” deixem de cinismo e resolvam seus problemas com o suor dos próprios rostos, não com o dos nossos.

Vivendo à custa de quem trabalha
E outra: são mentirosos, porque não há nenhum déficit previdenciário. Se houvesse, os R$ 30 bi perdoados certamente tapariam o rombo. Se perdoaram a dívida dos seus patrões (porque os bancos são os verdadeiros patrões do presidente e seus ministros), então que deixem de ser canalhas e ajam com um mínimo de decência. Assumam que o que querem dar é um golpe, destinar um monte de dinheiro a quem lhe repassará uma parte para a campanha e perpetuar esse estado anômico, que faz com que meia-dúzia de vagabundos vivam à custa de milhões de trabalhadores e ainda tenham a proteção da polícia para agir dessa maneira.


Bem disse Léon Denis: este nosso mundo é o verdadeiro purgatório. Ao menos com relação ao que conhecemos no Brasil, disso não podemos ter dúvidas. 

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