terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quanto maior a crise econômica, mais lucram os bancos. Por que será?


A monstruosidade do sistema bancário ilustrada em cartum
A equação Recessão = Lucratividade Astronômica é a base dos negócios bancários desde sempre e a sociedade paga a conta enquanto economistas tentam esconder que quem ganha no capitalismo financeiro ganha mais nas crises econômicas

A associação entre lucro dos bancos e crise econômica é direta. Agora mesmo, o Itaú Unibanco vem superando todas as expectativas com um lucro de quase R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre deste ano. Vive-se, no país, o que o próprio presidente chamou de “maior recessão de todos os tempos”, com certo exagero, é claro. Mas, inequivocamente, trata-se de uma séria retração econômica que mostra bem sua realidade perceptível nas ruas das cidades. Comércio fechando, pessoas dormindo sob as marquises e gente com cara de quem está devendo mais do que pode pagar. No entanto, como já é costumeiro, os bancos lucram bastante, parecendo mesmo que é nesses momentos de desgraça para muitos que obtêm maior sucesso.

Sociedade debilitada, bancos opulentos
Os bancos brasileiros, principalmente, são os que mais se dão bem. Aqui, costuma-se dizer que quando a economia vai bem, os bancos idem, mas quando a economia vai mal, aí é que o lucro dos bancos melhora. Desse modo, há quem diga, provavelmente com razão, que a relação dos bancos com a sociedade é parasitária, ou seja, é dela que eles extraem sua sobrevida e seus maiores lucros e quanto mais a sociedade se debilitar mais os bancos estarão fortes e vistosamente opulentos.


Quando se trata de identificar quem diz o que
deve ser feito no mundo servil aos bancos,
descobre-se que há um poder oculto que
comanda as ações, ditando agendas, moldando
a subjetividade de todos e se mantendo sempre
na penumbra que jaz nas entrelinhas dos discursos
econômicos para o consumo das massas, que,
assim, se julgam culpadas por todas as desgraças,
quando não passam de pobres e infelizes vítimas
do cruel e cínico jogo financeiro dos banqueiros
O segredo? Como a sociedade está “financeirizada”, isto é, estruturada sobre o mercado financeiro, tudo acaba girando em torno dos bancos que, nessas condições, são os reais e verdadeiros comandantes no que tange à circulação de dinheiro e no que diz respeito à produção em todos os níveis. Desse modo, pode haver uma crise econômica, mas não uma crise bancária. A ironia, assim, é que a crise econômica gera lucros para os bancos, que ganham sempre e se houver uma crise bancária, ganharão da mesma forma, pois o Estado os socorrerá, como aconteceu na crise de 2008 nos EUA. De certo modo, deve-se evitar a crise bancária pelo menos pelo fato de que é aí mesmo que os bancos embolsarão uma boa grana e sem muitos esforços. Quem pagará a conta, como sempre, é a sociedade.

A conversa fiada dos economistas caras de pau
Olhando por um certo ângulo, é engraçado que os economistas digam que, nesses momentos de crise, todos pagam a conta. Isso é ridículo, como ridículo é dizer que o Mercado é o conjunto de consumidores. Mas, há quem diga isso mesmo, com a maior cara de pau. Mais correto é dizer que todos, menos os bancos, pagam a conta. Pelo contrário, os bancos costumam receber o pagamento da conta, seja em seus caixas, seja diretamente nos seus cofres.

Banqueiro não perde, nunca, e o maior exemplo disso é a lógica das reservas fracionárias (1) e essa é a verdade. Assim como é verdade dizer que o Mercado é, na prática, o pequeno grupo que o controla e manipula, sendo que o conjunto dos consumidores é uma ficção quando se fala no poder do Mercado, pois esse “conjunto” funciona para uns poucos que controlam as marés de altas e baixas, fluxos e refluxos dos preços e taxas.

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(1) Vale a pena pesquisar sobre o que é isso, o tal sistema das reservas fracionárias. Pro ora, posso adiantar que, nesse sistema, que Murray Rothbard, um liberal, considera fraudulento, os depósitos bancários são lastreados por apenas uma pequena fração do dinheiro que o banco promete ter em mãos no momento do resgate. A existência desse sistema injusto dá conta claramente do caráter de domínio que os bancos exercem sobre a sociedade. Dizem que no capitalismo todos correm riscos, mas não há riscos para os banqueiros. 

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