quinta-feira, 27 de julho de 2017

Um dia a conta chega

Não se iluda com o que os materialistas dizem, pois se pode ser verdade que aqui pagamos o que aqui fizemos, há, ainda, a vida imaterial do espírito, na qual ele terá que se haver com coisas cometidas durante a vida terrena

Léon Denis foi um sujeito que estudou e seguiu a doutrina de Allan Kardec. Viveu entre 1846 e 1927 e tem como grande virtude seu interesse em refletir sobre as ações humanas sob o ponto de vista do espírito. Foi maçom e ficou conhecido como o consolidador da doutrina espírita.

Em primeiro lugar, Denis deixa claro que o corpo é algo como um caixão no qual o espírito está confinado durante a sua vida terrena. Ao nascer, o espírito é encarcerado e, no processo, perde quase que completamente a memória, pois há uma mudança radical na sua condição com esse aprisionamento. Chega a dizer que o choro do recém-nascido tem o significado de algo como um grito de desespero.

Segundo ele, o inferno não é nada como a Igreja o pinta e esta nossa vida terrena seria algo próximo do que se costuma chamar de purgatório. Durante a nossa vida terrena, temos a oportunidade de nos purificar para pagar antigas dívidas de outras vidas, geradas por atos maus, que genericamente podem ser definidos como aqueles nos quais abandonamos a lógica do espírito para adotar ferrenhamente a lógica terrena, carnal.

Tudo tem suas consequências
Se tomarmos essa lógica carnal, realmente somos levados a entender que nela acabamos nos ligando a coisas como o nosso “eu” (ego, para alguns), muitas vezes incentivados por alguns de nossos pares neste mundo cão, notadamente por aqueles que também são ligados às coisas da vida mundana. Assim, desenvolvemos a vaidade, a possessividade, a lubricidade e outros sentimentos vãos e pernósticos sob o ponto de vista da vida espiritual.

Denis alerta para o seguinte: ao dedicar tempo e vida a esses sentimentos terrenos, o espírito sofrerá, no plano em que habitará após a morte do corpo, as consequências disso. Assim, como dito no texto “Essa gente detestável que vai para o inferno de cabeça para baixo”, publicado neste blog, mesmo aqueles que “fazem o bem”, mas o fazem esperando alguma recompensa, sofrerão. Há quem afirme que principalmente esses (ou essas).

Ainda há tempo
Seu livro “Depois da morte” merece ser lido. Mas, se você é daqueles ou daquelas que vive intensamente esta vida e despreza os cuidados necessários para fortalecer o espírito, preferindo cultuar o corpinho e o prazer que dele advém, cuidado. A leitura pode lhe deixar preocupado(a). Mas, pode ser uma boa hora para se preocupar e reavaliar seus atos para o futuro. Ainda há tempo para mudar o rumo. Afinal, a conta de tudo o que você fizer de mal agora chegará inevitavelmente depois da morte. Isso se não vier antes, pois, como se costuma dizer, “aqui se faz, aqui se paga”. Tanto faz, porque, no frigir dos ovos, todo pensamento ou ato traz consequências para o seu autor. 

Recorda-te de que a vida é curta; esforça-te, pois, por conquistar, enquanto o podes, aquilo que vieste aqui realizar: o verdadeiro aperfeiçoamento. Possa teu espírito partir desta Terra mais puro do que quando nela entrou! Pensa que a Terra é um campo de batalha, onde a matéria e os sentidos assediam continuamente a alma; corrige teus defeitos, modifica teu caráter, reforça a tua vontade; eleva-te pelo pensamento, acima das vulgaridades da Terra e contempla o espetáculo luminoso do céu.
Léon Denis, no livro “Depois da Morte”

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