quinta-feira, 13 de julho de 2017

Como startar o processo sinérgico de resiliência schedular

Workaholics do mundo, uni-vos, pois, com o novo capitalismo e seus termos que falam tudo e não dizem nada, somente se salvam os que andam com a bunda virada para a parede

Uma das particularidades dos escravos contemporâneos é a de não ter hora para começar ou terminar de trabalhar. Antigamente, havia um horário e relógios dedicados exclusivamente a regular a entrada e a saída do trabalho. Mas, era um procedimento retrógrado esse de delimitar horários de dedicação ao trabalho. Logo se descobriu que isso não motivava ninguém, não oferecia oportunidades de aprendizagem, não propiciava o desenvolvimento de expertises e não promovia o crescimento pessoal e profissional, muito menos ensejava o team building. 


As modernas teorias da administração, no que diz respeito à gestão de pessoas, entenderam bem o problema que se criava e, graças aos aparelhos de troca de informações (as tais tecnologias da informação – smartfones e “Aifones”, basicamente), foi possível abolir o retrógrado horário de trabalho. Assim, o chefe ou patrão, seja ele capataz ou feitor, pode usar os serviços do colaborador (nome criativo de nominar o escravo) na hora em que bem entender, inclusive de madrugada. Desse modo, evita-se o turnover e se incentiva a produção de workaholics.

Breakthrough for ever
Na década de noventa, logo há uns vinte anos, pouco menos, um outdoor de divulgação da revista Veja estampava a seguinte frase ou algo muito parecido: “Deus descansou no sétimo dia porque não tinha concorrência”. Genial, perfeito. O dito ilustrava, e ainda o faz, a situação do trabalhador assalariado de hoje: se bobear, vai perder o emprego e de escravo remunerado passará a pária, o que motivará os escravos empregados a trabalhar com maior afinco e os instruirá nas técnicas de não bobear, tais como a de solicitar constantes feedback dos poderosos e treinamentos in company (on-the-job), para não serem atirados na rua da amargura que abriga os párias desempregados, vítimas da implantação de algum programa de outsourcing.

Avaliação 360 graus
A desgraça dos desempregados é bastante útil, motivadora, para os empregados. Algo assim como devia acontecer nos tempos do império romano, quando cristãos e outros infelizes eram atirados aos leões para motivar os demais súditos a encarar o império com mais simpatia. Assim, o dito “quem tem boca vaia Roma” se desfigurou e alguns colaboradores do império resolveram dar início a um processo de “ganha-ganha” com os assessores militares do imperador. Assim, cunharam um novo e simpático slogan, mais adequado à missão e aos valores da empresa imperial: “Quem tem boca vai a Roma”. Houve, assim, uma quebra de paradigma e tudo virou case de sucesso, ilustrando, desde então, como o branding pode ser útil para salvar empregos e vidas. 

Approach proativo
De todo modo, é bom saber que mesmo fora do horário do trabalho assalariado, o colaborador continua a trabalhar e não recebe pagamento por isso, pois horas extras são apenas para o chairman e os CEOs. Esse é o clima organizacional esperado de uma equipe vitoriosa, constituindo uma cultura organizacional cheia de belos hábitos e crenças que mascaram, na prática, os aterradores hábitos e crenças que governam o mundo corporativo e agradam ao mercado. Se você sonha adentrar um desses ambientes corporativos que caracterizam o mundo dos colaboradores de uma grande empresa, se deseja ardentemente se transformar em um executivo absolutamente sem escrúpulos, isto é, vitorioso, consiga já um coach ou procure alguém para mentoring. Em tempos competitivos, é bom procurar alianças e ter algo a oferecer, lembre bem disso e certifique-se de que o que você tem a oferecer agrega valor à sua posição no mercado. Se não, suba as calças e ofereça seu portfólio para outra business unit. Não esqueça de, antes, enviar um briefing. 

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(1) Antes eram chamados de trabalhadores ou empregados, mas a razão cínica resolveu lhes dar um nome mais simpático. 

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