segunda-feira, 10 de julho de 2017

A genialidade de Otto de Alencar segundo Lima Barreto


Otto de Alencar (1874 - 1912)
Citado en passant na obra do escritor, matemático perspicaz, Otto merece esta singela citação que se pretende uma homenagem

Há pessoas que passarão quase anônimas pela vida, é certo. Há aquelas que são festejadas enquanto vivas, mas rapidamente esquecidas depois que partem. E é de uma dessas pessoas que quero falar, ou melhor, que quero convocar Lima Barreto para dele falar.

Lima Barreto nos contou, rapidamente, algo sobre a existência de um tal Otto de Alencar, que descubro ter sido um matemático exuberante, daqueles que ama o conhecimento e mais ainda transmiti-lo. O próprio Lima nos fala sobre essa característica dele e de outros professores que conheceu, como um de nome Francisco Varela. Mas, de Otto, Barreto fala com especial ênfase. Segundo ele, Otto tinha 
(...) a certeza de que nunca conseguiremos sobrepor ao universo as leis que supomos eternas e infalíveis. A nossa ciência não é nem mesmo uma aproximação; é uma representação do Universo peculiar a nós e que, talvez, não sirva para as formigas ou gafanhotos. Ela não é uma deusa que possa gerar inquisidores de escalpelo e microscópio, pois devemos sempre julgá-la com a cartesiana dúvida permanente. Não podemos oprimir em seu nome.
Foi o homem mais inteligente que conheci e o mais honesto de inteligência.

Lima Barreto
(1881-1922)
Pelo exposto, Otto foi um grande sujeito, que entendeu exatamente o que interessa na questão do conhecimento e da construção de uma ciência. Lima Barreto o qualificava como um gênio universal, alguém que deixava sua marca indelével em tudo o que tocava. 

Eu, pessoalmente, só soube desse gênio por Lima Barreto e, aqui, agradeço a boa intenção do genial cronista que ergueu, com suas letras, um breve monumento a outro gênio. Não fosse por Lima, não teria imaginado que, um dia, viveu um homem com tamanha perspicácia e que viveu apenas 38 anos. Lima também não foi muito mais longe: esteve entre nós apenas 41 anos. 

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