segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Dona Juventina do cortiço e os fofoqueiros das redes sociais

Heródoto Barbeiro | 18 de julho de 2017 | O texto compara os fofoqueiros das redes sociais com uma certa dona que cuida da vida das pessoas no cortiço onde mora

Compadre falar mal da comadre é tão antigo como a Sé de Braga. Ninguém passava incólume pela janela do velho casarão da antiga Travessa do Hospício, na baixada do Parque Dom Pedro, no centro velho de São Paulo. Dona Juventina – velha e maquiada, batom carmim, miçangas douradas nos punhos e no pescoço – não saia do seu posto. Sabia tudo o que acontecia nas velhas casas da rua e também do antigo cortiço habitado sobre tudo por negros em frente à sua decadente e descorada casa. Ela sabia tudo de todos e divulgava amplamente. Era dessa forma que as malícias, brigas, pequenos furtos, e análise do caráter de um e outro eram divulgados no meio da comunidade.

As notas escolares, bilhetes de admoestação, reprovação na escola, namoricos entre estudantes eram espalhados com eficiência para velha senhora. Os escândalos maiores como traições ganhavam grande destaque e não se passava pela janela da Juventina sem que ela contasse o caso e fizesse perguntas para aperfeiçoar suas histórias. Ninguém duvidava se tudo aquilo era verdade ou não. A priori era verdade uma vez que a fonte era a velha feiticeira que viveu até a década de 1970. Parecia uma internet sem streaming.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Três temas de reflexão nesta manhã fria

Andando, se pensa e o que se pensa não deve sempre ficar escondido; como cantava Sergio Sampaio, “Aonde o pé vai, arrasta o salto, lugar de samba-enredo é no asfalto”

Caminhando, penso. Hoje, pensei três coisas: a arte em você, ao invés de você na arte, a virilidade como um componente fundamental na minha vida subjetiva e, é claro, nas minhas ações, e a necessidade de termos um plano de vida, assim como um avião precisa de um plano de voo.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Um dia a conta chega

Não se iluda com o que os materialistas dizem, pois se pode ser verdade que aqui pagamos o que aqui fizemos, há, ainda, a vida imaterial do espírito, na qual ele terá que se haver com coisas cometidas durante a vida terrena

Léon Denis foi um sujeito que estudou e seguiu a doutrina de Allan Kardec. Viveu entre 1846 e 1927 e tem como grande virtude seu interesse em refletir sobre as ações humanas sob o ponto de vista do espírito. Foi maçom e ficou conhecido como o consolidador da doutrina espírita.

Em primeiro lugar, Denis deixa claro que o corpo é algo como um caixão no qual o espírito está confinado durante a sua vida terrena. Ao nascer, o espírito é encarcerado e, no processo, perde quase que completamente a memória, pois há uma mudança radical na sua condição com esse aprisionamento. Chega a dizer que o choro do recém-nascido tem o significado de algo como um grito de desespero.

Segundo ele, o inferno não é nada como a Igreja o pinta e esta nossa vida terrena seria algo próximo do que se costuma chamar de purgatório. Durante a nossa vida terrena, temos a oportunidade de nos purificar para pagar antigas dívidas de outras vidas, geradas por atos maus, que genericamente podem ser definidos como aqueles nos quais abandonamos a lógica do espírito para adotar ferrenhamente a lógica terrena, carnal.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Liberalismo ♥ Socialismo: um caso secreto?


Parece haver uma unidade secreta
que une esses aparentes opostos
Se você, como eu, se cansa de assistir ao diálogo de surdos que envolve liberais e socialistas, saiba que estamos sendo enganados, pois tudo indica que há uma semelhança fundamental que une uns aos outros em um namoro não assumido

Costumamos tratar o socialismo como utópico e, da mesma forma, creio que devemos fazer o mesmo com o liberalismo. E quando falo do socialismo utópico proponho que consideremos também a doutrina marxista dessa forma, quando considerarmos as suas proposições (1). Sendo verdadeiro que Marx elaborou um interessante sistema de análise, parece mais verídico ainda que suas proposições foram absoluta e completamente idealistas, sem muito vínculo com a realidade, e que acabaram desmentidas por ela. Basta lembrar que a previsão era a de que o Socialismo se estabeleceria em um país capitalista avançado, no caso a Inglaterra, por conta das contradições inerentes a esse sistema que, no fim das contas, o destruiriam. Deu zebra e a coisa aconteceu em um país nada industrializado, com um capitalismo quase inexistente ou mesmo inexistente, como a Rússia.

Entendo que, de certo modo, o socialismo real está para o socialismo marxista, ideal, como o neoliberalismo está para o liberalismo, tão ou mais ideal. Em ambos os casos, falamos de autênticas corrupções do modelo original, que parece inaplicável, tanto em um caso como no outro.

Belas ideias nem sempre trazem boas intenções

O problema das doutrinas idealistas como o Liberalismo é que suas belas ideias não raro trazem ocultas más intenções formalizadas em péssimas práticas econômicas e políticas

Entendi que o liberal é alguém com excelentes ideias. Propõe o que avalia como o rumo adequado para a condução da estrutura econômica da sociedade, algo como o norte a ser trilhado em uma caminhada. A doutrina do Liberalismo seria a bússola, então, que deveria orientar nosso pensamento e nossas ações, apenas isso. Jamais se alcançará, neste mundo terreno e real, o liberalismo e ao estudar a doutrina nascida no século XVII, por obra e graça de uma série de boas iniciativas do pensamento humano, bem se percebe isso. Com base nessa premissa, há quem diga que todo liberal deveria se apresentar como um utópico nato e hereditário.

As ideias liberais parecem conter o feitio idealista de uma belíssima postura diante da realidade econômica e social. Ideias empolgantes, principalmente se localizadas no tempo em que foram formuladas, que era aquele da revolta contra privilégios pétreos e espúrios e o do otimismo irrefreável na força da razão. Lembremos John Locke, que parece ser o ideólogo basilar do liberalismo e dizia, para quem quisesse lhe ouvir: “Cada homem tem um direito natural à vida, liberdade e propriedade e nenhum governo deve violar esse direito”. Trata-se de um princípio admirável, decerto. Humanismo puro, ataque à lógica imbecil que considerava existir algumas pessoas que podiam se postular mais merecedoras de benesses do que outras.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quem cresce o tempo todo é o câncer


A mentalidade do crescimento econômico necessário e imperativo
parece ter inspiração clara e inequívoca: as células cancerígenas 
A lógica do discurso empresarial, com seus conceitos vazios de sentido e sua incitação ao crescimento desmedido, me parece doentia e se assemelha à do câncer, que tem a característica de não ter medidas para o seu crescimento, matando o organismo que o hospeda

“É preciso crescer – não importa o contexto”, diz um artigo publicado em um jornal eletrônico. Essa é a mentalidade clássica do capitalismo: crescer, crescer e crescer, sempre, permanentemente, de forma indelével e constante. Não se pode parar. Parar é estagnar, parar é proibido e não crescer corresponde à morte em um sistema competitivo e altamente especializado, como dizem ser o capitalismo contemporâneo. É como se você precisasse estar sempre tomando fermento e aprendendo coisas novas. Precisa não apenas crescer, mas desenvolver novas habilidades, novas expertises, conforme o termo criado para designar as especialidades.

Crescimento sem limites gera problemas. Problemas ecológicos, principalmente. Mas, não apenas: problemas relacionados à saúde (ou falta de) mental. No meio ambiente, a destruição causada pela mentalidade do “É preciso crescer – não importa o contexto” é flagrante. No plano psíquico, a depressão assume o posto de mal maior na sociedade contemporânea e pode ser dito como diretamente determinado por um contexto de metas inatingíveis que somente se justificam, se é que se justificam, pela exigência de crescer, crescer e crescer em qualquer contexto, custe o que custar. Como bem disse Maria Rita Kehl, a depressão é o típico sintoma de que o barco está fazendo água, ou seja, que a pessoa não consegue sustentar o ritmo esperado para crescer sempre.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

E tem troco para o café


De um lado, o malandro, estilo Zé Pilintra...
Pequenas demonstrações de independência podem significar mensagens acerca de sentidos relacionados a um bom combate, mas há quem considere tudo isso a pura e nefasta malandragem, um ataque ao progresso e à ordem

Você entra no ônibus junto com sua filha e pergunta ao motorista quanto é. Ele responde: R$ 16. Como estava escrito na frente do ônibus que a passagem custa R$ 16, você se pergunta por que perguntou se já sabia e não deu logo toda a quantia, R$ 32.

Mas, repentinamente, tudo fica claro. Ao perguntar estupidamente se a viagem custaria R$ 32, pois parecia óbvio que custaria exatamente isso, o motorista responde que não, que só custaria R$ 16, já que minha filha não pagaria. Dou-lhe R$ 20 e espero o troco.

Ao me ver ali parado, com cara de quem espera o troco, o motorista pergunta: “Não pode deixar pro café?”. Respondo que sim, que pode ficar para o café, e entro no ônibus.

Solidariedade
Reflito sobre o poder do motorista, do homem comum, sobre as máquinas empresariais, corporativas; máquinas de guerra, claramente, nos moldes das máquinas de guerra tratadas por Deleuze. Ele, o motorista, me ajuda, eu o ajudo e assim ficamos nos sentido mais fortes contra a porra do mundo cruel que essas máquinas vão produzindo em série industrial.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Até quando seremos tratados como otários por aqueles que elegemos?

Brasil vive momento de anomia com políticos de alto escalão sendo desmascarados como corruptos, mas somente alguns são condenados

“Viver no Brasil é ser constantemente roubado por quem tem mais do que você”, define uma conhecida minha. Como negar? Veja que o presidente da República, o vice de uma presidente que foi afastada sabe-se lá o porquê, mas que mostrou inequívoca incompetência para governar o país e traiu seus eleitores logo após eleita, é acusado de tentativa de obstrução da justiça, com gravações em que incentiva um empresário a “calar a boca” de um ex-deputado preso por corrupção. Para que ele seja processado, porém, é necessária a aprovação do Congresso Nacional. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Como startar o processo sinérgico de resiliência schedular

Workaholics do mundo, uni-vos, pois, com o novo capitalismo e seus termos que falam tudo e não dizem nada, somente se salvam os que andam com a bunda virada para a parede

Uma das particularidades dos escravos contemporâneos é a de não ter hora para começar ou terminar de trabalhar. Antigamente, havia um horário e relógios dedicados exclusivamente a regular a entrada e a saída do trabalho. Mas, era um procedimento retrógrado esse de delimitar horários de dedicação ao trabalho. Logo se descobriu que isso não motivava ninguém, não oferecia oportunidades de aprendizagem, não propiciava o desenvolvimento de expertises e não promovia o crescimento pessoal e profissional, muito menos ensejava o team building. 

Meirelles, o presidente invisível

Por Samuel Pinheiro Guimarães | 12/07/2017 

Enquanto país se distrai com o futuro de Temer e a “agenda da corrupção”, um homem comanda, em nome da aristocracia financeira e da mídia, as contrarreformas que realmente importam ao Mercado

1. Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J e F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”.

2. Henrique Meirelles já declarou, de público, que se o presidente Temer “sair” ele continua e todos os jornais repetem isto, com o apoio de economistas variados e empresários, como Roberto Setúbal, presidente o Itaú.

3. Estas “reformas” são, na realidade, um verdadeiro retrocesso econômico e político. Estão trazendo, e trarão, enorme sofrimento ao povo brasileiro e grande alegria ao “Mercado”.
O tema verdadeiramente importante é a tentativa das classes hegemônicas brasileiras, aqueles que declararam ao Imposto de Renda ganharem mais de 160 salários mínimos por mês (cerca de 160 mil reais) e que são cerca de 70 mil pessoas e que constituem, em seu conjunto, aquela entidade mística que os jornais e analistas chamam de “Mercado”

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os escravos estão por toda parte


Os novos escravos são originais: se vestem de acordo com o que
julgam escolher e se creem absoluta e totalmente livres, tanto
que, nos momentos de lazer, exaltam a liberdade que não têm 
Tome a definição clássica do que é a liberdade e descubra que nem você nem ninguém que você conhece é livre, muito pelo contrário

Olhe em volta. O que vê? Escravos, predominantemente. Um escravo, ou escravizado, é alguém que está dominado, subjugado e submetido à vontade de outrem. Escravizar é tornar alguém dependente de alguma coisa ou de outro alguém. O escravo está privado de liberdade, submetido a uma vontade que não é a sua, a um poder que não é o seu, e que, assim, pertence a uma outra pessoa ou a uma instituição.

Considere que o assalariado vende a sua força de trabalho, o seu tempo e as suas habilidades, a outrem. Durante um tempo delimitado de seu dia, o assalariado pertence a alguém. Logo, ao menos naquele período, é um escravo ou escravizado, não é livre para decidir os próprios rumos e passos, sob pena de não receber o pagamento, o que inviabilizaria a sua vida, já que não seria possível comprar sequer o alimento ou pagar as contas básicas de moradia, energia, água etc.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A genialidade de Otto de Alencar segundo Lima Barreto


Otto de Alencar (1874 - 1912)
Citado en passant na obra do escritor, matemático perspicaz, Otto merece esta singela citação que se pretende uma homenagem

Há pessoas que passarão quase anônimas pela vida, é certo. Há aquelas que são festejadas enquanto vivas, mas rapidamente esquecidas depois que partem. E é de uma dessas pessoas que quero falar, ou melhor, que quero convocar Lima Barreto para dele falar.

Lima Barreto nos contou, rapidamente, algo sobre a existência de um tal Otto de Alencar, que descubro ter sido um matemático exuberante, daqueles que ama o conhecimento e mais ainda transmiti-lo. O próprio Lima nos fala sobre essa característica dele e de outros professores que conheceu, como um de nome Francisco Varela. Mas, de Otto, Barreto fala com especial ênfase. Segundo ele, Otto tinha 
(...) a certeza de que nunca conseguiremos sobrepor ao universo as leis que supomos eternas e infalíveis. A nossa ciência não é nem mesmo uma aproximação; é uma representação do Universo peculiar a nós e que, talvez, não sirva para as formigas ou gafanhotos. Ela não é uma deusa que possa gerar inquisidores de escalpelo e microscópio, pois devemos sempre julgá-la com a cartesiana dúvida permanente. Não podemos oprimir em seu nome.
Foi o homem mais inteligente que conheci e o mais honesto de inteligência.

Lima Barreto
(1881-1922)
Pelo exposto, Otto foi um grande sujeito, que entendeu exatamente o que interessa na questão do conhecimento e da construção de uma ciência. Lima Barreto o qualificava como um gênio universal, alguém que deixava sua marca indelével em tudo o que tocava. 

Eu, pessoalmente, só soube desse gênio por Lima Barreto e, aqui, agradeço a boa intenção do genial cronista que ergueu, com suas letras, um breve monumento a outro gênio. Não fosse por Lima, não teria imaginado que, um dia, viveu um homem com tamanha perspicácia e que viveu apenas 38 anos. Lima também não foi muito mais longe: esteve entre nós apenas 41 anos. 

Tudo está no seu lugar


“É que tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...
Não podemos esquecer de dizer: graças a Deus, graças a Deus”
PF decide fazer reestruturação burocrática e encerrará Lava Jato, enquanto políticos e empresários cantam antigo sucesso de Benito de Paula e muita gente rilha os dentes de raiva e diz que governo arrocha verbas da polícia para se livrar da dura

Sexta, no New York Times, deu que a Polícia Federal (PF) brasileira vai encerrar a força-tarefa que apoia a operação Lava Jato, aquela que ameaça agora o próprio presidente e seus ministros. Segundo o jornal, isso ocorre por conta de corte de verbas ou, mais precisamente, para frear o ímpeto investigativo que tem descoberto que a estrutura institucional política brasileira é podre e cheira muito mal.

domingo, 9 de julho de 2017

O poeta dos príncipes pariu o moralismo

Talvez o alvorecer do moralismo tenha se dado na luta contra a irracionalidade do mito, que apresentava os próprios deuses como gente espúria semelhante à gente espúria que efetivamente existia e que curtia imaginar deuses como gente igual à gente... Exatamente quando bons exemplos eram requeridos para formar a alta cultura!

Píndaro foi um poeta grego da cidade de Tebas. O príncipe dos poetas e o poeta dos príncipes, se diz por aí. Nasceu em 521 a.C. e morreu em 441 a.C. Ele teve uma seguinte ideia: os mitos tratavam os deuses como seres humanos, com os vícios e virtudes destes e isso não era legal. Os mitos eram claramente imagens projetadas dos que viviam naquele momento e naquele lugar, frutos da intenção de Homero em dar lições muitas vezes nada morais ou, dizem os mais sensatos, de apenas divertir, enredar o público com as histórias criadas pelo próprio público, traduzidas em letras poéticas.

Tudo indica que Homero tinha apenas o interesse em compilar pequenos enredos em grandes narrativas, como indicam as grandes obras “Ilíada” e “Odisseia”. Dramas específicos pontilhados em uma grande história; duas, na verdade. Havia, ali, o bem e o mal e possivelmente o interesse de Homero não fosse realmente dar lições de moral, mas divertir e, quem sabe, instruir, com os fatos da vida, projetados em estripulias humanas e sobrehumanas.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Se você é um lobo, não pode querer emancipar as ovelhas

Muito pelo contrário, se você é um lobo neste momento histórico, precisa é aproveitar e matar a fome, ainda que não a tenha... la-men-ta-vel-men-te

Conte nos dedos o número de crises econômicas no pós-guerra até 1973. Quantas você encontrou? Sérias, como as que foram se sucedendo depois de 1973, creio que nenhuma. Qual o país que ficou em polvorosa depois do fim da segunda grande guerra até aquele fatídico ano de 1973? Creio que nenhum.

Em 1973 começaram os problemas... e as crises. Não apenas tivemos, naquele mesmo ano, a tragédia chilena, com milhares de assassinados por um governo militar que nada mais fazia do que aplicar, ali, um receituário político e econômico que fortalece os mais ricos e destrói os mais pobres. Alguns o chamam de neoliberalismo. Pode ser, mas, no fundo, é apenas o velho sistema capitalista com seus disfarces toscos, agora na mão de um pequeno grupo, cada vez menor, que conseguiu poder inaudito graças às tecnologias de comunicação e informação. Nunca tão poucos tiveram acesso a tantos.