quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tiros, violência desmedida e atos de vandalismo: será a polícia em ação?


Diferentemente do que ocorre em outros países, no Brasil a polícia parece,
sempre, desmedidamente violenta e mesmo desonesta. "Se eles (a polícia)
me pegam, avisem meu pai, se saio desta vivo não morro nunca mais",
trecho do rap de Thaíde, "Homens da Lei", composto já na década de 1980
e que está no primeiríssimo disco de rap do país, "Cultura de Rua", de 1988.
Há muita gente boa na polícia, mas os recentes acontecimentos ocorridos no Centro de São Paulo mostram que ou os maus predominam ou a existência da própria instituição policial militar é, em uma sociedade democrática, totalmente inaceitável

Existem muitas pessoas com excelente índole na Polícia Militar, com certeza. Existe gente boa em todo lugar, em toda instituição, é claro. E o mesmo se aplica a gente má, também é certo. O problema maior, nesse caso, é a própria instituição. Uma polícia militarizada só é justificável em situação de calamidade absoluta ou em casos de dominação colonial. A Polícia Militar, assim, ou é uma tropa de domínio colonial com prazo de validade vencido há tempo ou temos que admitir que estamos vivendo em estado de calamidade pública, com bandidos, assaltantes etc. vagando por aí à procura de vítimas inocentes. Em algumas áreas, a segunda alternativa é válida, mas, curiosamente, são as áreas nas quais nem a polícia vai, o que torna as coisas meio confusas para quem quiser entender a dinâmica do processo.


Dizem que somente os covardes agridem gente desarmada e mulheres
A Polícia Militar, na prática, tem muito de guarda pretoriana, pois é uma espécie de guarda pessoal não exatamente do imperador, como no período do Império Romano, mas dos mais ricos. Na rua, o povo costuma dizer que aos barões a polícia rende graças; já para os menos aquinhoados a relação com os soldados não tem qualquer graça. Costuma ser recheada de grosserias e porrada, por iniciativa das autoridades, que não raro usam o uniforme para se proteger das consequências dos atos indignos que praticam e que muitas vezes são claramente criminosos.

Contradição
Quando eu estava no Rio de Janeiro, um ex-PM me garantiu que os “colegas” estavam todos cheirando cocaína. Generalizar nunca é bom, mas, segundo ele, muitos soldados dessa instituição policial-militar usam a droga e, por isso, nós, gente comum, sem farda e desarmada, deveria ter muito cuidado ao lidar com PMs. O uso da cocaína deixa a pessoa excitada, dizem, não exatamente para o sexo. E o mais cínico é que é bastante comum haver maus-tratos desses policiais aos cidadãos, notadamente aos mais pobres, que são alvejados, mortos e acusados de ser traficantes, isto é, de vender a droga proibida que, segundo o ex-PM, os “colegas” tanto gostam.

O absurdo é tanto que na tal cracolância paulistana os PMs prenderam, recentemente, uma assistente social que trabalha no local, com os viciados. O motivo? Ela estava observando uma abordagem dos policiais, o que é proibido por eles. Engraçado é que, sendo policiais, deveriam convocar a população a assisti-los trabalhar. No entanto, como muitas vezes cometem atos que pouco têm de legal, não gostam de testemunhas.  


Guarda Pretoriana era um corpo militar de elite que protegia os
imperadores romanos e sua família. Como acontece nos dias de hoje
com a polícia em muitos lugares, aquela Guarda ganhou tanto poder
que era decisiva na escolha e/ou permanência dos imperadores. Hoje,
os mais ricos são protegidos, mas, não raro, são coagidos pelos policiais.
 
O morto vira traficante, mesmo que não o fosse quando vivo
Não satisfeitos, os homens da lei da capital paulista ainda atiraram bombas em um dos lugares nos quais são feitos atendimentos aos moradores de rua, ou, mais precisamente, pessoas em situações de rua. Aliás, não é raro que pessoas inocentes sejam presas, feridas ou mortas em ações policiais. E os que são assassinados pelos policiais, necessariamente se transformam em “traficantes”, batizados pelos próprios assassinos, ainda que não o fossem quando vivos.

Tudo para nada 
E para que tudo isso? Matérias jornalísticas dão conta de que toda a pancadaria, todas as bombas e todas as violências patrocinadas pela prefeitura de São Paulo, que tem um sujeito que muitos dizem ser completamente demente no comando (não o conheço, mas suspeito de janotas), não surtiu qualquer efeito. Para o pessoal que chama o prefeito de oligofrênico, trata-se apenas de atitudes “para inglês ver”, que, obviamente, não têm qualquer efeito prática a não ser piorar aquilo que dizem tentar combater. Os que elogiam o prefeito parecem se identificar com essas ações, que, tudo indica, servem para que se diga que “algo está sendo feito”, quando na verdade são evidências do contrário. 

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