sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre a política da safadeza, a depressão e os possíveis desejos inconfessos dos eleitores

Há quem diga que política virou sinônimo de safadeza no país e que os eleitores seriam os responsáveis por isso pois fariam o mesmo que os eleitos, caso houvesse oportunidade

O político, hoje, é entendido pela população como aquele sujeito que pensa em seus próprios interesses e, por conta disso, utiliza recursos públicos para satisfazer a si próprio(a) e aos “amigos” e correligionários. Um dos maiores indícios disso é o procedimento do atual Presidente da República, Michel Temer, bem como o da presidente Dilma Rousseff, de quem Temer era vice. Ambos liberaram mais de um bilhão de reais, cada um, para tentar salvar seus mandatos, sendo que Dilma foi cassada no ano passado e Temer está na iminência de sê-lo a qualquer momento.

No entanto, se você os acusar, eles poderão argumentar que toda essa grana já estava com destinação prevista, pois estamos falando de emendas parlamentares. O curioso é que esse montante deveria ser liberado paulatinamente, como é praxe. No entanto, na hora do aperto, as autoridades supremas resolvem liberar tudo para sensibilizar os parlamentares em relação às suas boas intenções em relação a eles, não ao país.

Dilma e Temer, bem como todos os governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores, foram eleitos para promover o desenvolvimento político, econômico, social e cultural do Brasil, para cuidar da população como um todo e promover melhorias nos serviços públicos. Isso parece claro. Porém, não é essa a certeza que se tem quando se observa a prática dessa gente. Conforme dito, parece que se elegeram para cuidar dos próprios interesses, bem como os dos que financiaram suas campanhas e, é claro, dos amigos e aliados. Isso, digo eu e diz muita gente, é nojento, asqueroso, imoral. Em outras palavras, eles olham para os próprios umbigos, pensam na própria satisfação e ponto final. O resto que se exploda ou, em termos mais claros e objetivos, que se foda.

Em nossa realidade, compreendendo que essa é a lógica que orienta a classe política, fica a certeza de que se todos os que assim pensam e assim agem fossem retirados de seus cargos públicos, muito poucos, ou mesmo ninguém, se salvaria. Nessa tétrica realidade, não espanta que a depressão seja a doença do momento. Impossibilitadas de reagir, as pessoas se sentem ofendidas e agredidas, sem possiblidade de fazer frente a tudo isso. A única saída, se é que é uma saída, é entristecer, chorar, deprimir. Afinal, essas pessoas, cidadãos e cidadãs brasileiras, são espoliadas, roubadas mesmo, quando pagam impostos, já que esses impostos não patrocinam o básico para uma básica qualidade de vida. 

Sem instrumentos eficazes para estancar essa safadeza, a população deprime e volta, assim, contra si própria, a ira justa que deveria ser direcionada aos responsáveis por essa conjuntura lastimável. Há quem diga, porém, que essa mesma população é a responsável direta por isso, já que os políticos são eleitos por votos dados por ela. Nessa compreensão, haveria, inconscientemente, um apoio dos eleitores e das eleitoras a essa lógica nefasta. Assim sendo, os políticos eleitos realizariam, apenas, os desejos de seus eleitores e há quem afirme que se fosse dado a estes a oportunidade de ocupar os cargos que seus eleitos ocupam, fariam algo igual ou mesmo pior. 

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