sexta-feira, 30 de junho de 2017

Pense no pré-corrupto, embora de nada adiante

O mestre se postou sobre a montanha, admirando o pôr do sol. Deu, para si mesmo, o seguinte conselho:
Quando você for gritar contra a corrupção, pense primeiro no que faria se estivesse no lugar de quem se corrompeu. Não, não na situação pós-descoberta do ato corrupto. Pense no antes, em quando ele não tinha nada, ou nada do que queria. Coloque-se no lugar dele, ou dela, quando era uma pessoa como você é agora, incorruptível. Sinta-se na posição de quem se vê diante de sonhos inconfessos postos em forma de uma grana que vai pintar. Pense em quanto seria bom aqueles tantos mil que recheariam a conta e possibilitariam compras, quem sabe um carro novo ou, com relativa sorte, um apartamento. Pense no corrupto como gente que um dia não foi corrupta. Não o absolva, isso é outra coisa. Mas pense no outro como um igual a você, inclusive na tentação de se corromper. Afinal, todo corrupto, quando descoberto, deve dizer: “Mas, eu pensava que ninguém iria saber...”.
E calou-se, pois mais nada havia a ser dito, pois sabia que seus pensamentos um dia seriam escritos e editados por alguém e que isso muito o surpreenderia, já que não os comunicou a ninguém.


Da série “Palavras do Mestre Zen”, em breve disponível nas melhores casas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário