terça-feira, 27 de junho de 2017

A atual anomia política levará ao desespero e a coisas piores

Uma mistura explosiva: um governo que muitos já caracterizam como uma quadrilha, o odiado e quase imbatível Lula e o voto da revolta que cairá no colo do moralista Bolsonaro são os elementos que nos fazem prever tempos difíceis para adiante

O que fazer quando os que detêm o poder político são desonestos? Essa é a questão recorrente que vem assolando os brasileiros. No texto “Ele prometeu, mas vai cumprir a promessa?”, publicado neste blog, eu cobrava a demissão de oito ministros envolvidos em tramoias. O presidente Michel Temer havia prometido demitir todo e qualquer ministro que fosse citado em processo judicial por corrupção. Os oito foram listados na publicação, pode conferir.

Agora, um deles, o ministro da Agricultura, o número 6 da lista, parece envolvido em algo bem mais grave: tráfico de cocaína. É claro que ainda não foi julgado e condenado, mas somente o fato de estar citado e da forma como foi citado, já seria motivo para o seu afastamento. No entanto, com o próprio presidente envolvido em corrupção da grossa, incluindo obstrução à justiça, não temos como esperar a mínima dignidade desse governo. Se for para demitir ministro, o presidente deveria começar se demitindo, o que já disse que não fará.

O voto da revolta e do desespero
Enquanto isso, pesquisas para o ano que vem indicam o que parece um tanto óbvio: Lula deve voltar, apesar de tudo. O mais surpreendente é que o candidato que aparece mais próximo de Lula é Bolsonaro, um deputado carioca que tem emitido opiniões esdrúxulas o suficiente para considerá-lo um belo oportunista ou mesmo um tanto perturbado. Claramente, tudo indica, o eleitorado está votando com revolta, recorrendo a um sujeito que faz pose de macho e de moralista para solucionar algo que não se resolve com macheza ou moral. A questão passa por outros dutos e, se já tem solução difícil em condições normais, com a revolta que parece caracterizar o voto em Bolsonaro tudo pode ficar pior ainda.

Mas, o que dizer ou pensar de um quadro político que conta com um governo que, se levadas em conta as acusações contra seus membros, pode quase ser caracterizado como um grupo criminoso? Há um nítido desespero em boa parte das pessoas que conheço. Num plano geral, tomada a população brasileira, a revolta e o desespero são incomensuráveis. Trata-se de uma sociedade em que prima a anomia, ou seja, o incentivo às más ações impera, não há regras ou normas possíveis para coibir o crime e a corrupção em certos níveis. Somente os ladrões e os traficantes pobres são presos, apanham da polícia, chegam a ser executados com aplausos de uma população desesperada.

Tempos difíceis virão
A volta de Lula à presidência me parece bastante provável e, tomando em conta as acusações contra ele, esse pode ser um acontecimento que pode acirrar os ânimos. Sem a “Lava Jato” Lula já era chamado de Luladrão por muita gente. Com essa investigação, é evidente que a coisa piorou. Do outro lado, os partidários do petista elevam a fala e o amor por ele na exata proporção em que a justiça o cerca. A tal ponto isso acontece que é possível dizer, sem muito medo de errar, que se o juiz Moro condenar Lula o que fará é lhe dar mais votos em 2018. Em resumo, Lula não será inelegível, pois condenado em primeira instância, e ganhará a simpatia de muita gente que ainda está um tanto indecisa. Os que não gostam dele já se sabe quem são e que são muitos, muitos mesmo. Mas, não parecem suficientes para conter a vitória petista nas urnas.


Esperemos, para os próximos anos, tempos tensos e difíceis: quem sabe até criativos e heroicos, mas certamente tensos e difíceis. A polarização deve acontecer e se Lula e Bolsonaro despontam como os polos que se chocam, os embates podem ser violentos e mesmo sangrentos. 

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