sexta-feira, 12 de maio de 2017

Essa gente detestável que vai para o inferno de cabeça para baixo


Se você põe no pano verde a tua alma tentando negociar a salvação
do teu espírito, pode esperar que no inferno você rapidamente irá chegar
As aparências enganam e todo mundo sabe disso. Não se sabe, no entanto, que enganam até um ponto, até uma hora, não mais que isso. Depois, a farsa acaba e tudo fica transparente. Somos de vidro para Deus, teria dito Machado de Assis, segundo um sujeito que encontrei hoje pela manhã. Não sei se Machado realmente escreveu ou falou coisa assim, mas, de certo modo, é o que Swedenborg diz no seu “O Céu e o Inferno”. E faz muito sentido, além do mais.

Se você faz o que é bom e certo para conseguir a salvação, então provavelmente não a merecerá. Se age assim, está fazendo de suas boas intenções meros atos comerciais e, não se iluda com as conversas do marketing e da teoria da administração pós-moderna que transformam tudo numa negociação. Tem coisas inegociáveis e o caráter é algo assim, diriam os antigos. Mais inegociável, no entanto, é o espírito, que seria o sopro divino que trazemos em nós, segundo me consta. E o espírito é provavelmente o que fala pela linguagem consciente e, principalmente, pela linguagem inconsciente, aquela a qual Lacan se referia nos meados do século passado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Lula e o juiz brincam de Street Fighter, mas é você que leva porrada


Eles manipulam o joystick e você leva as porradas
10 de maio de 2017: enquanto Lula e Moro simulam estar em um game de luta, é você que está no ringue levando todos os socos e pontapés

Quanto mais eu vivo, mais me surpreendo. Todo o tumulto em torno do depoimento de Lula para a Justiça Federal em Curitiba é de chamar a atenção. Em primeiro lugar, trata-se de uma grande produção, quase cinematográfica, épica, do tipo Bem Hur, Quo Vadis, Intolerância ou algo próximo. A imprensa deita e rola no clima sensacionalista e, no campo jurídico e político, tanto uma parte quanto a outra fazem questão de acentuar o clima de duelo de titãs. E o mais surpreendente: o juiz, o tal Moro, o heroico guerreiro que tem no curriculum o brilho do desmantelamento de uma quadrilha que movimentou bilhões, de repente age como se não fora um juiz, um magistrado, mas parte no processo, uma espécie de promotor público ou, pior, um candidato a alguma coisa ou o cabo eleitoral de quem parece combater.