sexta-feira, 28 de abril de 2017

Anormalidades normais

Umbigo de ouro... de tolo
O prefeito de São Paulo parece ser daqueles que gosta de elogios. Nem sempre os ganha, é claro, por isso supre as eventuais ausências de afagos com exaltações à sua própria personalidade. No dia da greve geral, por exemplo, jogou confetes sobre si afirmando que acorda cedo e trabalha muito, chamando os grevistas de vagabundos. Normal.

Narciso acha feio o que não é espelho, cantava o poeta baiano em música dedicada à cidade administrada pelo tal prefeito. E essa é a desgraça de gente sem qualidades: tudo o que desagrada é ruim, mau, feio, falso ou coisa pior. E o prefeito não é exceção, ainda mais que traz consigo as características daquele que olha para o umbigo pelos menos de cinco em cinco minutos.

É com as diferenças que crescemos, mas alguns de nós não cresceram e pretendem continuar pequenos.

Falando em espelhos...
O país parou, pelo menos boa parte da população das capitais. Mas, o governo acha que todos são “vândalos”. Normal.

Há quem somente consiga enxergar a própria imagem diante de si.

Eles só veem o que lhes interessa
Há os que defendem as reformas na previdência, mas, como já dito aqui em outro texto, usualmente usam argumentos que são lugares comuns e não aprofundam a conversa. Normal.

Basta examinar os números do próprio governo para ter dúvidas em relação à necessidade da tal reforma. O déficit é encontrado apenas quando se toma as contribuições diretas, sem contabilizar as diversas “torneiras” que abastecem os recursos previdenciários. E mais: os próceres da reforma não falam sobre os devedores, as grandes empresas que devem muito mais do que o anunciado déficit.

Conheci muitos brasileiros que se acham muito espertos, mas igual aos que defendem a reforma, nunca conheci. Esses são espertos em demasia, passam da conta. São mestres em enxergar apenas o que lhes interessa. 

Golpe e contragolpe, preto e branco
Dilma nos deu um golpe. Elegeu-se dizendo que ia para um lado, mas quando teve os votos, foi para o outro lado. Isso se chama “golpe”. Temer e sua trupe, assim, não deram necessariamente um golpe, mais propriamente deve-se falar em “contragolpe”. Mas há os que não entendem assim e insistem em falar em golpe de Temer. No afã de defender Dilma, Lula & Cia, chegam mesmo a sugerir que há uma autêntica oposição entre o bem e o mal. Normal.

No mundo dos umbigos de ouro, não raro trabalha-se com oposições simples e radicais. Eu sou bom, ele é ruim, nós somos bons, eles são péssimos, temos razão, eles não, e por aí vai. A realidade é que todos falam e ninguém tem razão. Não dá para confiar em gente que enxerga o mundo em preto e branco. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Curitiba mais violenta que São Paulo e Rio?


A cidade dos ícones e monumentos urbanos, bem falada como a
"República" da ordem e da Justiça, se refela como uma das mais
violentas do país, ultrapassando até mesmo São Paulo e Rio
Números de 2010 mostram que, ao menos naquele momento, a capital paranaense tem mais homicídios do que Rio de Janeiro e São Paulo e nada indica que o quadro tenha se alterado substancialmente nos últimos sete anos 

Descubro uma matéria jornalística de jornal de Curitiba, capital do Paraná, informando que, em número de homicídios, a cidade é mais violenta do que Rio e São Paulo, principalmente se incluída na estatística a chamada região metropolitana. Na verdade, a afirmação vale para 2010, porque a matéria é daqueles tempos, assim como os dados estatísticos. De todo modo, mesmo em 2010, a constatação surpreende, pois é usual ficarmos pensando em Rio e São Paulo como as capitais da violência, com morticínios e chacinas pululando aqui e ali, como ervas daninhas. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ele prometeu, mas vai cumprir a promessa?


Não curta com a nossa cara, senhor presidente!
Promessas são dívidas e é honrado todo aquele que
as cumpre. Sendo assim, não dê esse mau exemplo
Para o presidente de um país, cumprir as promessas é fundamental para dar confiança aos cidadãos e cidadãs, mas, no Brasil...

Minha memória não é de elefante, mas recordo claramente que foi divulgado na imprensa que o presidente Temer afastaria todo e qualquer ministro que estivesse sob investigação judicial. É hora, então de afastar os seguintes ministros:

1.     Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil;
2.     Moreira Franco (PMDB), da Secretaria Geral da Presidência;
3.     Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia;
4.     Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional;
5.     Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores;
6.     Blairo Maggi (PP), da Agricultura;
7.     Bruno Araújo (PSDB), das Cidades;
8.     Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Promessa feita deve ser cumprida. Mas, que governo é esse que abriga oito suspeitos de crimes contra o erário? Ok, você pode argumentar a favor de Temer & Cia lembrando dos governos petistas, cujos integrantes agora estão também na marca do pênalti judicial, correndo o risco de ir para alguma penitenciária, como já aconteceu com o ex-governador do Rio de Janeiro. Ora, respondo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Falo do cumprimento de uma promessa feita por um homem público que ocupa o mais alto cargo político da Nação. Se ele não cumpre a palavra, a mensagem é a seguinte: ninguém precisa ou mesmo deve cumprir a sua própria palavra. O exemplo é o pior possível, desse modo. 


Não se sabe se os oito são culpados e menos ainda se sabe se, sendo culpados, será possível provar suas responsabilidades nos malditos esquemas que enojam e envergonham o Brasil. Mas, palavra de presidente deve ser palavra de honra. 

sábado, 8 de abril de 2017

Aristóteles nos livrou da ingenuidade platônica sem ofender o mestre


No quadro de Rafael, Platão aponta para o alto, enquanto
Aristóteles projeta seu gesto em sentido oposto, em uma bela
representação pictográfica do debate que envolve a subjetividade
proposta e projetada pelos dois e que nos envolve há séculos
Platão via o mundo cindido em formas ideais e coisas reais. As primeiras eram puras, boas, verdadeiras e belas e as segundas eram impuras, falsas, más e feias. Aristóteles manteve a estrutura básica do pensamento platônico e foi muito além, demonstrando que o mundo real é o nosso acesso ao mundo ideal sonhado pelo discípulo dileto de Sócrates

Platão era o homem das formas puras e das ideias perfeitas. Para ele, o empírico, o que percebemos com os sentidos, não tinha importância, nem sequer existência própria. Tudo seria determinado pela perfeição das ideias que vagavam sabe-se lá onde e iam não se sabe aonde. Um cavalo era um cavalo simplesmente porque havia a forma pura do cavalo em algum lugar e que estava manifesta no cavalo que vemos. Um cavalo, assim, jamais seria plenamente um cavalo, mas sim a manifestação da ideia de cavalo, sempre de forma imperfeita. O que quero dizer é que um cavalo era simplesmente algo como uma representação do cavalo etéreo, perfeito, belo, puro, verdadeiro e bom. Sim, porque tudo o que estaria no mundo da perfeição seria perfeito, o que não aconteceria com nada do que conhecemos neste mundo da imperfeição. Por isso, o chamado amor platônico foi batizado assim: por ser aquele que busca uma perfeição jamais encontrada em um ser humano real. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

O que é isso, ex-presidente?

Para combater a doença da corrupção é preciso um tratamento duro, mas há quem sugira deixar o doente vivo, aparentemente para garantir a sobrevivência do agente patológico causador do mal

FHC, ex-presidente e um dos mais ativos articuladores do golpe (ou contragolpe, mais precisamente) que derrubou o PT do poder, diz que não pode tirar o Temer, que vai ser um atraso para o país, para a economia etc. Ele defende que se deixe o presidente atual, vice da chapa de Dilma Rousseff, que foi derrubada do púlpito de chefe da Nação e está sendo julgada pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE), incólume, enquanto a ex-presidente deve ter sua defenestração ratificada pelo tribunal.

A lógica de FHC é, aproximadamente, aquela que diz o seguinte: está ruim com Temer, pode ficar pior sem ele, os investidores não vão gostar etc. Ok, senhor presidente, mas se Temer foi o vice da chapa, não é possível que seja separado dela, como o seu partido parece desejar, já que alcançou o poder por vias indiretas com a queda de Dilma. O que o senhor ex-presidente sugere é algo como um novo golpe, uma armação, tudo em nome do bom nome do país e buscando a simpatia dos tais “investidores”. 

Assim, FHC quer que se casse apenas a petista ou se deixe tudo como está, com Temer, que emprega amigos seus, no poder - e fica a triste sensação de que tenta salvar Temer apenas por isso.

Que feio.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sonho para uns, pesadelo para outros


A pergunta que tira o sono de muita gente
Lula é o sonho de muitos na presidência, ainda que sua passagem por esse posto tenha sido questionável. Afinal, emplacou uma reforma previdenciária que prejudicou muita gente e não fez qualquer modificação estrutural, logo duradoura, na lógica capitalista que comanda as ações políticas no Estado brasileiro. Muito pelo contrário, parece ter consolidado péssimas práticas políticas e econômicas que lesam exatamente aqueles que dizem beneficiar, mas tem sua presença no cargo político máximo da Nação marcado por um sucesso econômico pouco comum em nosso país.

É que, durante o seu mandato, de dois períodos, logo de oito anos, o Brasil experimentou uma certa lua de mel no abrigo da economia internacional, graças ao que se chamou “Ciclo das Comodities”, ou seja, a elevação do preço de matérias primas no mercado internacional, puxada fundamentalmente, ao que tudo indica, por um aumento das importações por parte da China, principalmente, que terminou há alguns anos, levando a economia brasileira, dependente da venda de matérias primas, a grandes dificuldades, como se percebe claramente nos dias em que vivemos.