quinta-feira, 2 de março de 2017

Empresário disse que parte do dinheiro dado a Dilma/Temer foi para saldar compromisso com o governo


Entre golpes e contragolpes, "direita" e "esquerda"
vão causando ferimentos na ordem democrática e
esmagando o nosso desejo de ter um governo ético
Medida Provisória de 2009 teria beneficiado empresa e pelo menos 50 milhas dadas a Dilma e Temer foram pagamento por benefício oferecido pelo governo

Nesta quinta-feira, segundo dia do mês de março de 2017, o assunto é o que disse e o que não disse Odebrecht à Justiça Federal. O empresário prestou depoimento ontem e houve quem não dormisse na noite anterior. Segundo consta, ele declarou ter “doado” R$ 150 milhões para a campanha da chapa Dilma-Temer, sendo que parte desse dinheiro foi como pagamento de uma mutreta que garantiu vantagens para uma empresa de seu grupo, a Braskem, no caso da Medida Provisória que regulamentou o parcelamento de dívidas em um projeto de Recuperação Fiscal (Refis). Segundo consta, a vantagem teria sido alta, para lá de dois bilhões.  

A lama atinge petistas e atuais governistas (rotulados como “golpistas” pela oposição), pois todos estavam juntos naquele barco, naquele momento. E não havia tempestade, como agora. As águas eram claras e límpidas, o que incentivava a que peemedebistas e petistas namorassem ao luar. Agora que as coisas mudaram, uns acusam os outros de ladroagem e filhadaputice. Só que ninguém é santo e a chapa unia a todos esses aí.


Os vizinhos se acusam mutuamente e
dizem que o quintal do outro é mais sujo 
Pior: o empresário disse que Padilha, o braço direito de Temer, foi quem negociou os valores, mas poupou o presidente. A conta ficou mesmo para o Padilha e o Mantega, principalmente, que parece ter sido o negociador que representava o governo, leia-se Dilma.

Pior ainda - Yunes, um ex-assessor do atual presidente, que dizem ser mais um amigo querido do que um servidor, teria recolhido uma boa grana para pagar os deputados que elegeram Cunha presidente da Câmara. E Cunha tinha a missão de derrubar Dilma, como veio a fazer. Isso precisa ser esclarecido, pois cai na imprensa como diz-que-diz-que. Se coisas como essa são provadas e comprovadas, o que é difícil, mas não impossível, aí a barra do governo suja de vez. Ficaria caracterizado, então, o tal golpe de que o pessoal petista tanto fala. 

Mas, não comemore. O time de Dilma se elegeu falando em beneficiar um lado, o dos movimentos sociais, mas correu para o outro lado logo que saiu o resultado do pleito de 2014. Também não é confiável. Eles nos deram um golpe e tomaram outro, dado pela tal da "direita", de quem eles tanto falam mal, mas tanto imitaram quando no poder. 

Cada qual com sua verdade - De certo modo, o engraçado é que o pessoal da desinformação abraçou definitivamente seu partido e saiu, nesta quinta, alardeando como é sujo o quintal do vizinho. O portal 247, simpático ao PT, apontou o dedo para Temer e Padilha, enquanto um colunista da Veja praticamente só fala na ação nefasta dos petistas.

Trata-se de um caso de refração, claramente. Explico: refração é aquele fenômeno ótico que se caracteriza pela passagem da luz de um meio homogêneo e transparente para outro, diferente do primeiro. Desse modo, a verdade é uma quando a luz atravessa o campo de batalha inimigo, cheio de nojeiras e canalhices intoleráveis, mas muda totalmente quando atravessa o nosso lado da guerra, que é totalmente limpo e probo. A luz brilha para alguns fatos, enquanto outros vivem nas sombras.


Yunes e Temer: compra de
votos para impeachment?
Dos piores, o pior - Outro dia, escrevi e publiquei uma reflexão rápida e pouco precisa, é certo, sobre a engambelação do governo petista. Tudo bem. A questão é alertar que o governo que está aí não pode ser considerado melhor do que o governo petista, o que torna as coisas bem piores para todos. Durante pouco mais de vinte anos, vivemos a era PTucana e esse fato precisa ser compreendido para que saibamos o quanto ficou de herança maldita desse período para nós, que sobrevivemos.

Alguns falam em Lula para 2018, outros falam que ele estará inelegível. Uma coisa, porém, parece certa. Pulamos do fogo para a frigideira e há quem deseje ardentemente pular de volta, assim como tem gente que está se sentindo muito bem na fritura. Compre seu ingresso e saia da arquibancada para o ringue. Esse tipo de luta a gente assiste se esquivando dos socos dos lutadores, ali, no calor do combate. Não dá para sair totalmente incólume nessa rinha.

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