quinta-feira, 16 de março de 2017

Cala a boca, presidente!


Tudo leva a crer que Temer age pensando,
em primeiro lugar, em manter o poder que
alcançou em uma carreira na qual cresceu nas
sombras, agindo silenciosamente nos bastidores
Temer usa números estapafúrdios para defender reforma que “ferra” de vez com a vida dos assalariados e acusa quem ganha mais de estar reclamando, como se isso fosse algo imoral ou anormal

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015 (Pnad 2015), realizada por uma instituição governamental, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado relativo aos que recebem um salário mínimo aponta para um percentual de 22,21%. E mais: que mais de metade dos trabalhadores dessa faixa salarial não tinham carteira profissional, logo não estavam com a situação previdenciária encaminhada, muito pelo contrário.

O atual presidente, no entanto, afirmou, no último dia 07, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que as alterações propostas para a aposentadoria dos brasileiros não vão prejudicar os trabalhadores de baixa renda e disse mais: que “63% dos trabalhadores terão aposentadoria integral porque ganham salário mínimo”. E, para fechar o assunto, falou ainda que só está reclamando quem ganha mais.

Uma fala é a expressão de uma ideia ou uma constelação de ideias e quem fala discursa, às vezes sem saber, às vezes sabendo, oferecendo sua voz para reproduzir essas ideias. Não sei se o presidente disse o que disse, em parte uma asneira motivada pela falta de informação, em parte uma afirmação coerente, mas deslocada de contexto, por ignorância ou má-fé. Aliás, essa é costumeiramente a dúvida que me assalta sempre que ouço o discurso de um político.

Poucos ganham, muitos perdem - Senhor presidente, vossa excelência inchou o número de trabalhadores que vivem com um salário mínimo. Inchou bastante e, segundo fontes, essa informação teria sido fornecida pelo Ministério do Trabalho. Ora, um ministério serve para estudar o assunto de sua pasta para compreendê-la melhor e conseguir propor medidas para resolver problemas e/ou impasses. Não serve para torcer a realidade e fornecer informações e dados incorretos para satisfazer grupos econômicos, no caso os que apostaram todas as suas fichas na famigerada “reforma da Previdência”, que pretende (me permita o termo de baixíssimo calão, mas adequadíssimo diante desta situação) “foder” de vez com a população brasileira assalariada. Tudo isso para regozijo de alguns, que terão bons negócios a fazer com a desgraça dos trabalhadores e, é claro, para garantir que o grupelho que comanda as finanças mundiais não perca nem um centavo e ainda ganhe bilhões.


Você compraria um carro usado de algum dos
ilustres senhores presentes nesta fotografia?
A desilusão da população com a classe política é
tão grande quanto o desejo que cada brasileiro
sente de estar no lugar dos políticos e 'se dar bem".
Há quem diga que é esse exatamente o problema.
Ranking de reclamações - De certo modo, porém, é natural que quem ganhe mais reclame mais, embora nada indique que o que está acontecendo é que uma casta esteja comandando as manifestações contrárias ao golpe da previdência (melhor chamar assim do que dar pompa e circunstância a algo que não passa de um golpe mesmo). Os atingidos são principalmente os menos favorecidos, isso de forma objetiva, embora nem sempre os mais atingidos sejam os que mais berram. Pessoas que ganham mais tenderão a ser mais ativas, ter mais consciência de seus direitos e conseguir mais clareza em uma avaliação conjuntural, tanto política quanto econômica (não necessariamente, é claro, mas a tendência é essa). Assim, não raro lideram movimentos contra decisões governamentais lesivas ao conjunto da população e que atingem, como dito, muito mais que não reclama muito do que quem reclama mais. 

Mundo injusto - Temer parece mesmo um daqueles fantoches que a gente manipula nas mãos. Não sou eu, nem você, no entanto, que o estamos sustentando e manipulando. Temer é um político das sombras, mesmo ou principalmente quando está em cargos de ponta, como agora. Sob os refletores, Temer tem saudade das trevas nas quais sabe se movimentar e nas quais cresceu em todos esses anos, chegando a presidente da Câmara, vice-presidente e depois Presidente da República, liderando nos bastidores o golpe que Eduardo Cunha executou e que beneficiou diretamente a ele, Temer. Cunha foi para a cadeia, mas o presidente está solto e dando ordens, ainda. O mundo é injusto, parece. 

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