quarta-feira, 8 de março de 2017

A casa caiu e matou a esperança que venceu o medo

Terá Marcelo Odebrecht dito, com todas as letras, que Lula é o “amigo” das planilhas da empresa? Terá ele confirmado que o líder carismático que fundou o Partido dos Trabalhadores, em 1980, levou uma grana que está estimada em R$ 23 milhões, contrariando tudo o que ele próprio e os outros fundadores prometeram fazer naquele tempo, isto é, combater a força pernóstica do capital, que corrompe políticos?

A informação de que Marcelo Odebrecht disse mais ou menos isso está no Estadão, numa coluna assinada pela jornalista Vera Magalhães. Se é quente, a casa caiu para, na ordem, Lula, o PT, a esquerda e todos nós, que a partir de agora teremos apenas um lado da história a ouvir, o do pessoal genericamente chamado de “a direita”, pois o pessoal “da esquerda”, quando for falar, será sempre tachado como corruPTo ou coisa que o valha. Isso vale mesmo para quem não é do PT.

O estrago feito por esse pessoal é enorme. Os jornais estampam que vivemos a maior recessão da história, o que significa que a experiência petista, leia-se “da esquerda”, foi trágico. Lula não queria mudar nada, não queria reformar nada, disse há meses um assessor próximo, André Singer, em outras palavras, mas com esse sentido. Lula é, essencialmente, um oportunista, um arrivista, digo eu. É um sindicalista querendo melhorar de vida, sugeriu, um dia, Florestan Fernandes, o pai, que foi deputado petista. Foi agente duplo, segundo Tuma Jr. 

Péssima condução econômica, propinas, enriquecimento ilícito, corrupção desenfreada, favorecimentos. Tudo o que a gente falava da direita nos idos de 1980 o partido que nasceu naquele ano incorporou como seu e pôs tudo a perder para o projeto da distribuição de renda e de justiça social. Toda a suposta distribuição de riqueza havida foi fake, pois realizada sem base econômica, com os agentes públicos querendo, na prática, enriquecer em vez de zelar pelo bem comum.

Assim, nos resta o outro lado, o que supostamente é mestre em tudo aquilo que os alunos da esquerda aprenderam de errado. A casa caiu para nós, na verdade, que ficamos sem teto, paredes e chão, sem a esperança que a campanha publicitária disse ter vencido o medo em 2002. 

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