sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Erros "de mais" no "mal" tempo "a" menos de um ano

Acabo de ler dois comunicados publicitários. Um de uma escola, outro de uma agência de turismo. Em ambos, há erros gramaticais. 

Em um deles, quando se quis falar de “mau” tempo, se escreveu “mal” tempo. Não é um erro ortográfico, é uma confusão no campo da gramática. O correto é dizer “mau” tempo, pois se trata de um adjetivo. O contrário de “mau”, assim, é “bom”. Já “mal” não é adjetivo. É o oposto de “bem”, quando usado como advérbio de modo, mas pode ser também um substantivo (quando indica doença ou desgraça) ou uma conjunção temporal (quando indica uma localização no tempo, como na frase “mal me viu, virou as costas”). 

Qualquer “Mal” tempo escrito no papel chega mal aos olhos e agride a lógica gramatical. 

No outro caso, se fala de vistos vencidos “a” menos de um ano. Quando algo aconteceu no passado, usa-se o verbo “haver”, logo, os vistos venceram “há” um ano. Se você quiser falar de algo no futuro, use "a" mais de um ano, como no caso de "daqui a pouco". 


Esse tipo de erro está cada vez mais comum e as empresas e instituições, que no passado deviam primar pelo texto correto, cada vez mais descuidam e a língua vai perdendo a vida, pois que a língua está viva no seu uso cotidiano. E quando a língua vai morrendo, isso acontece também com a subjetividade dos que a usam, não esqueça. 

De todo modo, erros sempre acontecem, não é nada de mais. Aliás, “de mais” é diferente de “demais”. Não muito diferente, pois ambas as palavras indicam quantidade. Só que “de mais” fala de um “a mais” (assim geralmente é uma locução que está acompanhada da palavra “nada”, formando a expressão “nada de mais”, querendo dizer que não é nada excepcional) e “demais” fala de muito, de excesso (assim, você pode pôr sal “demais” na comida). E o curioso é que, se trocarmos os termos, bem se pode dizer que erros acontecem, mas, quando são demais, começam a nos preocupar. 

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