segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Coisas do cotidiano político de nossa terra brasileira nos dias de hoje e ontem

Dois pesos, duas medidas?
Primeiro ato: a ex-presidente Dilma nomeou Lula, seu antecessor e padrinho político, para “blindá-lo” contra a Justiça. Foi uma grita generalizada, ou quase, e até mesmo um juiz autorizou a publicação de uma conversa telefônica entre os dois.

Segundo ato: o atual presidente, ex-vice de Dilma, nomeia um companheiro de partido para “blindá-lo” contra a Justiça. Não se houve praticamente nem um pio nos bares, esquinas, cafés e na imprensa. Bem, pios se ouvem, é claro. Mas, no primeiro ato, a gritaria foi muito, muito maior.

Salvo melhor juízo de V. Sa. que está lendo este texto, entendo que a grande imprensa tomou e toma partido contra o time que foi defenestrado do poder e a favor do time que o defenestrou. Não sou do time de lá nem do de cá, mas fica a impressão de que, nessa peleja, o juiz marca tudo o que pode para um lado e faz vista grossa para o que favorece o outro lado. 

Golpe ou contragolpe?
Na realidade, compreendo que houve não exatamente um golpe na derrubada de Dilma e ascensão do vice. Dilma havia nos dado o primeiro golpe ao se eleger com uma conversa e ter adotado outra depois de eleita. A candidata do “Coração Valente”, como a classificavam seus eleitores apaixonados, foi covarde ou mal-intencionada e merecia, em minha opinião, ser deposta por conta disso. Não seria um golpe, seria um ato legítimo. Ela assumiu posições na eleição e rompeu com seus compromissos em seguida. Caberia aos seus eleitores requerer a deposição de quem os traiu.

Digo que não houve golpe no caso da ascensão de Temer, o ex-vice, porque entendo que houve um contragolpe, por assim dizer. Dilma golpeou a sociedade, que respondeu apoiando o contragolpe de Temer. Infames, ambos os golpes foram, não há como negar.

De quem é a culpa?
A “esquerda” petista é responsável pelo que está acontecendo, não por omissão, mas por ter se identificado excessivamente com as más práticas que sempre atribuiu à direita e, assim, destruído a fé da população em governos “de esquerda”. Nojeiras como os esquemas do ABC paulista, das propinas da Petrobras e das alianças como o que há de pior na política brasileira, lançaram o bom nome da esquerda na merda. Lula nunca pensou em mudar nada, disse um de seus assessores mais bem informados. O seu negócio era o do “ganho na margem”, completou.


Pois é, o fato é que, se mantendo à margem, Lula e seu partido caíram na clandestinidade ética e moral. Agora, pagam o preço de terem feito alianças tão espúrias, de terem sido tão iguais àqueles que criticaram com tanta virulência durante tantos anos e de terem sido tão inócuos em relação às transformações que eram necessárias para criar o novo Brasil prometido por Lula em todas as eleições das quais participou, tanto naquelas em que foi derrotado, quanto nas que venceu. 

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