sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

É só alguém vestido de palhaço (ou palhaça), não um autêntico e verdadeiro palhaço (idem)

Ele não é um palhaço. Está apenas vestido como tal. E um palhaço não é um palhaço 24 horas por dia, é claro. Isso lhe traz certo conforto, mas também é fonte de desconforto, casualmente. A vestimenta é importante, está por cima de tudo, ele pensa e deduz que o que está acima, como o Chefão está acima de todos, é o que importa. A aparência é tudo, sempre afirma a quem queira ouvir. Preferia ter uma bela aparência a ter moral, ética ou prezar bons costumes. Tolice!, dizia quando lhe cobravam mais respeito pelo próximo. Somos competidores, berrava, o que quer que eu faça? Que trate um inimigo como o meu melhor amigo?

Sim, todos esses sujeitos, homens e mulheres, que se vestem como palhaços são inegavelmente palhaços natos e inimigos uns dos outros. Alguns, é claro, menos; outros mais, com certeza. Mas, todos o são, independente de grau, número ou nível. A palhaçada é geral, livre, incentivada e mesmo exigida em alguns casos, assim como a competição, que dizem saudável e ainda desejável a uma vida sem sal nem sabor. É que, no mundo dos palhaço, não há meio termo, ou uma coisa é muito ou não é nada. O caminho do meio ou não existe ou fica em um dos extremos opostos. Coisa de palhaço...

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

O cara se veste como palhaço e sai para a rua. Lá, encontra outros tantos iguais a ele, com a mesma roupa, o mesmo sorriso vazio, a mesma tristeza no olhar que se atira para lá e para cá em busca de algo a ver. O cara vê ainda que há outros, outros e outros que não se vestem com a mesma roupa de palhaço, mas que usam outras roupas de palhaço mais vistosas ou, pelo contrário, mais simples e corriqueiras. Há de tudo, pensa o homem vestido de palhaço, e ri de si mesmo.

A vida não pode ser apenas isso que pode ser, pensa. Porque se é somente isso, ou isto, para que o Chefão nos colocaria aqui, neste lugar ridículo, no qual temos que fazer coisas ridículas e fingir que são importantes essas coisas ridículas que fazemos? Não, só pode ser brincadeira, mas não parece, a não ser que seja brincadeira sem graça e existe muita brincadeira sem graça por aqui e por ali. Mas, por que esse tal desse chefão iria nos meter numa brincadeira dessas?

Não dá para aceitar, ou, se dá, é pior ainda. A gente ia ter que pensar que o chefão está definitivamente contra nós e isso seria algo muito triste, já que a gente costuma acreditar que o Chefão nos criou à sua imagem e semelhança e gosta de nós assim como filhos, mais ou menos isso. Tem gente que ajoelha, põe os dedinhos cruzados uns com os outros nas duas mãos, baixa a cabeça e agradece ao Chefão por tudo o que este lhe deu. Imagina se esse pessoal descobre que o Chefão é um bom dum filho da puta? Mas, deixa para lá, o homem vestido de palhaço diz para si mesmo, não vale a pena perder tempo com filosofia bem agora, que estou vestido de palhaço, como todo mundo faz.


(a)Moral da história: palhaço é palhaço e filósofo é filósofo e não adianta querer misturar as coisas. Um faz rir, o outro faz chorar e somente na solidão, na intimidade sempre macabra da consciência pesada de cada um, é que as coisas podem se inverter. Mas não confie nisso, porque você sabe: o que os olhos não veem, nem a razão, nem o coração podem decifrar. Daí a importância de você se vestir de palhaço e não fazer muitas perguntas a ninguém, muito menos a si próprio. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Treze anos de engambelação


Negri: "A ideia de governar por meio da corrupção,
ou seja, retomando o hábito da direita, não parece
ter perturbado o projeto do PT desde o princípio"
“Os petistas foram ótimos”, dizem aqueles que esperam muito pouco ou mesmo nada de um governo “de esquerda”

Há alguns dias tive em mãos um texto de Toni Negri, o autor dos livros Empire e Multitude, que li, e de Commonwealth, que não li. O tema do teórico italiano era o Brasil contemporâneo, pós-PT, e o objetivo era, claramente, tentar entender a merda que deu. Não tenho muito tempo para me aprofundar no assunto, mas vale o esforço meditar rapidamente sobre alguns tópicos da pesquisa de Negri sobre a nossa tragédia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

As migalhas que caem da mesa do patrão

Um economista é uma pessoa que entende, supostamente, de economia. Economia, por sua vez, significa um ramo de conhecimento que estuda e analisa a atividade de circulação de valores monetários e financeiros, abordando a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços. Talvez essa definição não agrade a muitos(as) economistas, mas, quem sabe, está próxima da realidade. Mas, para irmos mais fundo na compreensão do que seja essa tal economia e economistas, cabe lembrar que a origem do termo é grega e conjuga “oikos”, que significava a unidade básica social, com um chefe, sua família, seus súditos e escravos, todo mundo convivendo junto, e “nomos”, que remete à gestão ou administração. Significa, assim, administração de uma casa ou feudo, pois que muitas casas daquele tempo eram, na verdade, feudos, onde havia muita gente envolvida.

Quem sempre esteve interessado na economia, na administração da casa, era o chefão, é claro. Pode ser que os demais também tivessem essa preocupação, mas é improvável. No máximo, esposa e filhos se ocupariam em administrar o que era deles, pensando na preservação dos privilégios que as posses lhes traziam, embora coubesse fundamentalmente ao pai de família essas tarefas de gestão.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Coisas do cotidiano político de nossa terra brasileira nos dias de hoje e ontem

Dois pesos, duas medidas?
Primeiro ato: a ex-presidente Dilma nomeou Lula, seu antecessor e padrinho político, para “blindá-lo” contra a Justiça. Foi uma grita generalizada, ou quase, e até mesmo um juiz autorizou a publicação de uma conversa telefônica entre os dois.

Segundo ato: o atual presidente, ex-vice de Dilma, nomeia um companheiro de partido para “blindá-lo” contra a Justiça. Não se houve praticamente nem um pio nos bares, esquinas, cafés e na imprensa. Bem, pios se ouvem, é claro. Mas, no primeiro ato, a gritaria foi muito, muito maior.

Salvo melhor juízo de V. Sa. que está lendo este texto, entendo que a grande imprensa tomou e toma partido contra o time que foi defenestrado do poder e a favor do time que o defenestrou. Não sou do time de lá nem do de cá, mas fica a impressão de que, nessa peleja, o juiz marca tudo o que pode para um lado e faz vista grossa para o que favorece o outro lado. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Erros "de mais" no "mal" tempo "a" menos de um ano

Acabo de ler dois comunicados publicitários. Um de uma escola, outro de uma agência de turismo. Em ambos, há erros gramaticais. 

Em um deles, quando se quis falar de “mau” tempo, se escreveu “mal” tempo. Não é um erro ortográfico, é uma confusão no campo da gramática. O correto é dizer “mau” tempo, pois se trata de um adjetivo. O contrário de “mau”, assim, é “bom”. Já “mal” não é adjetivo. É o oposto de “bem”, quando usado como advérbio de modo, mas pode ser também um substantivo (quando indica doença ou desgraça) ou uma conjunção temporal (quando indica uma localização no tempo, como na frase “mal me viu, virou as costas”). 

Qualquer “Mal” tempo escrito no papel chega mal aos olhos e agride a lógica gramatical. 

No outro caso, se fala de vistos vencidos “a” menos de um ano. Quando algo aconteceu no passado, usa-se o verbo “haver”, logo, os vistos venceram “há” um ano. Se você quiser falar de algo no futuro, use "a" mais de um ano, como no caso de "daqui a pouco". 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Os terríveis Homens-Polvo!


Ele é um workaholic no trabalho e nas horas vagas
Segunda-feira, sete horas da manhã. Eles já estão pelas ruas, vagando. Alguns já chegaram ao seu destino e aquecem os tentáculos. Começa mais um dia, mais uma semana, do cotidiano dos terríveis... 
                                                                   Homens-Polvo!

Criaturas irrequietas, os homens-polvo também são mulheres, ou melhor, não há apenas homens-polvo, mas mulheres-polvo à profusão, tanto quanto homens, ou até mais.

Todo mundo, ou quase, é polvo nos dias de hoje. Todo mundo que trabalha, que tem que ganhar o próprio sustento e ainda sustentar outros e outras, ou ajudar a fazer isso, é polvo. Possui tentáculos, vários, muitas vezes bem mais do os polvos que vivem no mar. Precisa desses tentáculos, que são evidentemente simbólicos, para conseguir realizar a miríade de tarefas que lhe são delegadas no seu local de trabalho e fora dele, pois que com internet no celular e aplicativos que deixam a pessoa ligada vinte e quatro horas, o horário de expediente dura o dia todo e mais um pouquinho.