sábado, 21 de janeiro de 2017

Brasileiro Kung Bó


O guerreiro do seriado
O Brasil é um país inovador. O Estado, que se professa democrático e promotor de justiça social, é o maior promotor, isso sim, de uma casta oligárquica, alimentada pela injustiça na taxação e, é claro, na distribuição de renda. Surpreendentemente, o Estado brasileiro tem como prática fazer exatamente o oposto daquilo que precisa, deve e diz fazer. E isso tudo não acontece na calada da noite, mas às claras, com o consentimento dos beneficiados e o silêncio dos prejudicados. 

Basta consultar a lógica de tributação. A parcela ínfima de 0,36% da população que detém assustadores 45,54% do total patrimonial de todos, é acariciada com brandas leis de tributação, que incluem a isenção no montante do percentual na distribuição de lucros que recebem de suas empresas e amigáveis condições para engordar, ou melhor, remunerar, com juros os capitais próprios da empresas. Além do mais, a alíquota de 27,5% em que se colocam, quando do preenchimento da Declaração do Imposto de Renda. A mesma alíquota na qual os trabalhadores que não têm qualquer favorecimento estatal, muito pelo contrário, caem quando fazem a mesma declaração. Calcule a força de um percentual de 27,5%, que é a alíquota, num trabalhador que amealhou R$ 50 mil num ano e em um privilegiado que recebe 100, 200 ou mil vezes mais. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Como fazer surgir um elefante na frente de todos

Passo pela sala e vejo um programa antigo, no qual um mágico encapuzado (não encapuçado, por favor), que se chamava “Mister M”, desvenda os truques dos mágicos de auditório. Reflito que os governos brasileiros, todos, inclusive os que se intitulavam socialistas ou coisa próxima disso, são prestidigitadores no que tange à questão do tal déficit previdenciário. 

Mister M mostra como fazer um elefante aparecer num estacionamento é fácil, contanto que se conte com alguma ajuda de pessoas que estão em pontos estratégicos no estacionamento. Os governos contam com essa ajuda no caso previdenciário, pois economistas, comentaristas e todo um grupo de auxiliares repetem, incessantemente, o que os governos dizem. Nenhum deles, quem sabe, se dá ao trabalho de observar as contas do próprio governo, o que desmentiria a conversa oficial. Uma conversa que parece tão hábil que esconde algo certamente bem maior do que um elefante.