sexta-feira, 21 de julho de 2017

E tem troco para o café


De um lado, o malandro, estilo Zé Pilintra...
Pequenas demonstrações de independência podem significar mensagens acerca de sentidos relacionados a um bom combate, mas há quem considere tudo isso a pura e nefasta malandragem, um ataque ao progresso e à ordem

Você entra no ônibus junto com sua filha e pergunta ao motorista quanto é. Ele responde: R$ 16. Como estava escrito na frente do ônibus que a passagem custa R$ 16, você se pergunta por que perguntou se já sabia e não deu logo toda a quantia, R$ 32.

Mas, repentinamente, tudo fica claro. Ao perguntar estupidamente se a viagem custaria R$ 32, pois parecia óbvio que custaria exatamente isso, o motorista responde que não, que só custaria R$ 16, já que minha filha não pagaria. Dou-lhe R$ 20 e espero o troco.

Ao me ver ali parado, com cara de quem espera o troco, o motorista pergunta: “Não pode deixar pro café?”. Respondo que sim, que pode ficar para o café, e entro no ônibus.

Solidariedade
Reflito sobre o poder do motorista, do homem comum, sobre as máquinas empresariais, corporativas; máquinas de guerra, claramente, nos moldes das máquinas de guerra tratadas por Deleuze. Ele, o motorista, me ajuda, eu o ajudo e assim ficamos nos sentido mais fortes contra a porra do mundo cruel que essas máquinas vão produzindo em série industrial.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Até quando seremos tratados como otários por aqueles que elegemos?

Brasil vive momento de anomia com políticos de alto escalão sendo desmascarados como corruptos, mas somente alguns são condenados

“Viver no Brasil é ser constantemente roubado por quem tem mais do que você”, define uma conhecida minha. Como negar? Veja que o presidente da República, o vice de uma presidente que foi afastada sabe-se lá o porquê, mas que mostrou inequívoca incompetência para governar o país e traiu seus eleitores logo após eleita, é acusado de tentativa de obstrução da justiça, com gravações em que incentiva um empresário a “calar a boca” de um ex-deputado preso por corrupção. Para que ele seja processado, porém, é necessária a aprovação do Congresso Nacional. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Como startar o processo sinérgico de resiliência schedular

Workaholics do mundo, uni-vos, pois, com o novo capitalismo e seus termos que falam tudo e não dizem nada, somente se salvam os que andam com a bunda virada para a parede

Uma das particularidades dos escravos contemporâneos é a de não ter hora para começar ou terminar de trabalhar. Antigamente, havia um horário e relógios dedicados exclusivamente a regular a entrada e a saída do trabalho. Mas, era um procedimento retrógrado esse de delimitar horários de dedicação ao trabalho. Logo se descobriu que isso não motivava ninguém, não oferecia oportunidades de aprendizagem, não propiciava o desenvolvimento de expertises e não promovia o crescimento pessoal e profissional, muito menos ensejava o team building. 

Meirelles, o presidente invisível

Por Samuel Pinheiro Guimarães | 12/07/2017 

Enquanto país se distrai com o futuro de Temer e a “agenda da corrupção”, um homem comanda, em nome da aristocracia financeira e da mídia, as contrarreformas que realmente importam ao Mercado

1. Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J e F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”.

2. Henrique Meirelles já declarou, de público, que se o presidente Temer “sair” ele continua e todos os jornais repetem isto, com o apoio de economistas variados e empresários, como Roberto Setúbal, presidente o Itaú.

3. Estas “reformas” são, na realidade, um verdadeiro retrocesso econômico e político. Estão trazendo, e trarão, enorme sofrimento ao povo brasileiro e grande alegria ao “Mercado”.
O tema verdadeiramente importante é a tentativa das classes hegemônicas brasileiras, aqueles que declararam ao Imposto de Renda ganharem mais de 160 salários mínimos por mês (cerca de 160 mil reais) e que são cerca de 70 mil pessoas e que constituem, em seu conjunto, aquela entidade mística que os jornais e analistas chamam de “Mercado”

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os escravos estão por toda parte


Os novos escravos são originais: se vestem de acordo com o que
julgam escolher e se creem absoluta e totalmente livres, tanto
que, nos momentos de lazer, exaltam a liberdade que não têm 
Tome a definição clássica do que é a liberdade e descubra que nem você nem ninguém que você conhece é livre, muito pelo contrário

Olhe em volta. O que vê? Escravos, predominantemente. Um escravo, ou escravizado, é alguém que está dominado, subjugado e submetido à vontade de outrem. Escravizar é tornar alguém dependente de alguma coisa ou de outro alguém. O escravo está privado de liberdade, submetido a uma vontade que não é a sua, a um poder que não é o seu, e que, assim, pertence a uma outra pessoa ou a uma instituição.

Considere que o assalariado vende a sua força de trabalho, o seu tempo e as suas habilidades, a outrem. Durante um tempo delimitado de seu dia, o assalariado pertence a alguém. Logo, ao menos naquele período, é um escravo ou escravizado, não é livre para decidir os próprios rumos e passos, sob pena de não receber o pagamento, o que inviabilizaria a sua vida, já que não seria possível comprar sequer o alimento ou pagar as contas básicas de moradia, energia, água etc.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A genialidade de Otto de Alencar segundo Lima Barreto


Otto de Alencar (1874 - 1912)
Citado en passant na obra do escritor, matemático perspicaz, Otto merece esta singela citação que se pretende uma homenagem

Há pessoas que passarão quase anônimas pela vida, é certo. Há aquelas que são festejadas enquanto vivas, mas rapidamente esquecidas depois que partem. E é de uma dessas pessoas que quero falar, ou melhor, que quero convocar Lima Barreto para dele falar.

Lima Barreto nos contou, rapidamente, algo sobre a existência de um tal Otto de Alencar, que descubro ter sido um matemático exuberante, daqueles que ama o conhecimento e mais ainda transmiti-lo. O próprio Lima nos fala sobre essa característica dele e de outros professores que conheceu, como um de nome Francisco Varela. Mas, de Otto, Barreto fala com especial ênfase. Segundo ele, Otto tinha 
(...) a certeza de que nunca conseguiremos sobrepor ao universo as leis que supomos eternas e infalíveis. A nossa ciência não é nem mesmo uma aproximação; é uma representação do Universo peculiar a nós e que, talvez, não sirva para as formigas ou gafanhotos. Ela não é uma deusa que possa gerar inquisidores de escalpelo e microscópio, pois devemos sempre julgá-la com a cartesiana dúvida permanente. Não podemos oprimir em seu nome.
Foi o homem mais inteligente que conheci e o mais honesto de inteligência.

Lima Barreto
(1881-1922)
Pelo exposto, Otto foi um grande sujeito, que entendeu exatamente o que interessa na questão do conhecimento e da construção de uma ciência. Lima Barreto o qualificava como um gênio universal, alguém que deixava sua marca indelével em tudo o que tocava. 

Eu, pessoalmente, só soube desse gênio por Lima Barreto e, aqui, agradeço a boa intenção do genial cronista que ergueu, com suas letras, um breve monumento a outro gênio. Não fosse por Lima, não teria imaginado que, um dia, viveu um homem com tamanha perspicácia e que viveu apenas 38 anos. Lima também não foi muito mais longe: esteve entre nós apenas 41 anos. 

Tudo está no seu lugar


“É que tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...
Não podemos esquecer de dizer: graças a Deus, graças a Deus”
PF decide fazer reestruturação burocrática e encerrará Lava Jato, enquanto políticos e empresários cantam antigo sucesso de Benito de Paula e muita gente rilha os dentes de raiva e diz que governo arrocha verbas da polícia para se livrar da dura

Sexta, no New York Times, deu que a Polícia Federal (PF) brasileira vai encerrar a força-tarefa que apoia a operação Lava Jato, aquela que ameaça agora o próprio presidente e seus ministros. Segundo o jornal, isso ocorre por conta de corte de verbas ou, mais precisamente, para frear o ímpeto investigativo que tem descoberto que a estrutura institucional política brasileira é podre e cheira muito mal.

domingo, 9 de julho de 2017

O poeta dos príncipes pariu o moralismo

Talvez o alvorecer do moralismo tenha se dado na luta contra a irracionalidade do mito, que apresentava os próprios deuses como gente espúria semelhante à gente espúria que efetivamente existia e que curtia imaginar deuses como gente igual à gente... Exatamente quando bons exemplos eram requeridos para formar a alta cultura!

Píndaro foi um poeta grego da cidade de Tebas. O príncipe dos poetas e o poeta dos príncipes, se diz por aí. Nasceu em 521 a.C. e morreu em 441 a.C. Ele teve uma seguinte ideia: os mitos tratavam os deuses como seres humanos, com os vícios e virtudes destes e isso não era legal. Os mitos eram claramente imagens projetadas dos que viviam naquele momento e naquele lugar, frutos da intenção de Homero em dar lições muitas vezes nada morais ou, dizem os mais sensatos, de apenas divertir, enredar o público com as histórias criadas pelo próprio público, traduzidas em letras poéticas.

Tudo indica que Homero tinha apenas o interesse em compilar pequenos enredos em grandes narrativas, como indicam as grandes obras “Ilíada” e “Odisseia”. Dramas específicos pontilhados em uma grande história; duas, na verdade. Havia, ali, o bem e o mal e possivelmente o interesse de Homero não fosse realmente dar lições de moral, mas divertir e, quem sabe, instruir, com os fatos da vida, projetados em estripulias humanas e sobrehumanas.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Se você é um lobo, não pode querer emancipar as ovelhas

Muito pelo contrário, se você é um lobo neste momento histórico, precisa é aproveitar e matar a fome, ainda que não a tenha... la-men-ta-vel-men-te

Conte nos dedos o número de crises econômicas no pós-guerra até 1973. Quantas você encontrou? Sérias, como as que foram se sucedendo depois de 1973, creio que nenhuma. Qual o país que ficou em polvorosa depois do fim da segunda grande guerra até aquele fatídico ano de 1973? Creio que nenhum.

Em 1973 começaram os problemas... e as crises. Não apenas tivemos, naquele mesmo ano, a tragédia chilena, com milhares de assassinados por um governo militar que nada mais fazia do que aplicar, ali, um receituário político e econômico que fortalece os mais ricos e destrói os mais pobres. Alguns o chamam de neoliberalismo. Pode ser, mas, no fundo, é apenas o velho sistema capitalista com seus disfarces toscos, agora na mão de um pequeno grupo, cada vez menor, que conseguiu poder inaudito graças às tecnologias de comunicação e informação. Nunca tão poucos tiveram acesso a tantos.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Aristóteles nos mostrou que o óbvio é aquilo que ninguém entende

O que mais vale na obra do genial pensador não é apenas a noção de ética ou mesmo de política, melhor é perceber o quanto tudo o que disse acerca de ética e política é tão óbvio e nunca foi entendido

Aristóteles transmitia ideias óbvias, irritantemente óbvias.

Ele dizia que as essências estão aqui, entre nós, não no mundo das ideias, coisa que ninguém sabe onde fica.

Dizia que somos racionais, que buscamos a felicidade. Mas que somente com a virtude a encontramos, praticando a moderação, tendo como estrela guia a perfeição e preservando a nossa independência, característica, aliás, do ser racional.

A virtude deveria se tornar um hábito, uma segunda natureza, algo visceral no ente humano, tão espontânea como respirar.

E seria essa virtude que deveria, acima de tudo, animar as relações políticas.

Aristóteles transmitia ideias óbvias, irritantemente óbvias. Tudo isso há dois mil e quinhentos anos, mais ou menos. 

O nosso problema parece estar na incapacidade de compreender o que é óbvio que tem marcado a história humana, pelo menos nos últimos dois mil e quinhentos anos. 

Aja com a invisibilidade de um ninja


Não é desse velhinho sorridente que estamos
falando... o ninja está lá trás, você não vê?
Não é verdade que o preto seja mau e o branco bom. Mas, também não é verdade o oposto. O Mestre Zen comunica que não pode admitir que se pense que há apenas uma quadrilha no governo dos acontecimentos. Segundo ele, há várias e são muitas e cada vez mais especializadas. Assim sendo, ele aconselha que você pense bem quando escolhe suas amizades. Elas serão importantes na sua vida de crimes, quando você for convidado a participar de alguma ação de uma dessas quadrilhas. Isso se você quiser ingressar no governo dos acontecimentos, é lógico. Se quiser ficar quieto, como faz o Mestre Zen, não há problemas.

“Em boca fechada não entra nem mosca e nem bala”, ele garante.


Da série “Palavras do Mestre Zen”, disponível no seu coração. 

Pense no pré-corrupto, embora de nada adiante

O mestre se postou sobre a montanha, admirando o pôr do sol. Deu, para si mesmo, o seguinte conselho:
Quando você for gritar contra a corrupção, pense primeiro no que faria se estivesse no lugar de quem se corrompeu. Não, não na situação pós-descoberta do ato corrupto. Pense no antes, em quando ele não tinha nada, ou nada do que queria. Coloque-se no lugar dele, ou dela, quando era uma pessoa como você é agora, incorruptível. Sinta-se na posição de quem se vê diante de sonhos inconfessos postos em forma de uma grana que vai pintar. Pense em quanto seria bom aqueles tantos mil que recheariam a conta e possibilitariam compras, quem sabe um carro novo ou, com relativa sorte, um apartamento. Pense no corrupto como gente que um dia não foi corrupta. Não o absolva, isso é outra coisa. Mas pense no outro como um igual a você, inclusive na tentação de se corromper. Afinal, todo corrupto, quando descoberto, deve dizer: “Mas, eu pensava que ninguém iria saber...”.
E calou-se, pois mais nada havia a ser dito, pois sabia que seus pensamentos um dia seriam escritos e editados por alguém e que isso muito o surpreenderia, já que não os comunicou a ninguém.


Da série “Palavras do Mestre Zen”, em breve disponível nas melhores casas. 

O que é a felicidade?

A mulher trabalhou, trabalhou, trabalhou. O marido, também. Ele perde o emprego, ela tem um carrão maneiro. Um dia, a gatunagem violenta e armada, não numa intenção de divisão da riqueza, mas de mudá-la de mãos, invade a casa e rouba tudo, até o carro. 

O tolo clama contra a insegurança, fala em violência e no combate urgente ao crime, sem esquecer um brado contra a impunidade emendado com uma exigência de mais duras penas. Ele acredita nas coisas do mundo, assim como ela e o marido, que foram roubados. Eles são tolos. 

O Mestre Zen não tem carrão importado nem ostenta aquilo que tem, muito menos atiça os sabores daquilo que não tem. Ele não é tolo e também não quer ser notado. Já o tolo, diz ele, “Adora um carrão e também de mostrar que vive bem. Por isso é tolo e por isso é vítima do destino e também da bandidagem”. 

Da série, “Palavras do Mestre Zen”, esgotada nas bancas. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

A atual anomia política levará ao desespero e a coisas piores

Uma mistura explosiva: um governo que muitos já caracterizam como uma quadrilha, o odiado e quase imbatível Lula e o voto da revolta que cairá no colo do moralista Bolsonaro são os elementos que nos fazem prever tempos difíceis para adiante

O que fazer quando os que detêm o poder político são desonestos? Essa é a questão recorrente que vem assolando os brasileiros. No texto “Ele prometeu, mas vai cumprir a promessa?”, publicado neste blog, eu cobrava a demissão de oito ministros envolvidos em tramoias. O presidente Michel Temer havia prometido demitir todo e qualquer ministro que fosse citado em processo judicial por corrupção. Os oito foram listados na publicação, pode conferir.

sábado, 24 de junho de 2017

A multidão e o poder

Não há conflitos, a não ser os de pequena monta e interesse; não há parâmetros para a penetração do poder em todos os níveis da multidão

De um lado, uma multidão. Uma vasta quantidade de gente com destinos comuns, mas com divergências pontuais que podem levar ao conflito aberto, ao confronto assassino. Todos juntos, solitários, bebendo coca-cola, se alimentando de comidas que não alimentam e de informações que não fazem pensar, essas flatulentas mensagens e memes diversos que circulam incessantemente pelas redes que agregam a multidão.

Os ditos “mal ditos”


Será um dos leões a imagem "cuspida e escarrada" do outro? 
Você já ouviu falar que alguém é a cara de outrem “cuspida e escarrada”? Na certa, se ouviu sentiu certo desconforto, até mesmo nojo...

E que aquele menino tem “bicho carpinteiro”? Você ficou imaginando como é esse bicho que ninguém nunca viu. Eu, pessoalmente, cheguei a pensar em cupins, mas a imagem de alguém sendo comido por cupins não é nada real.

O fato é que esses e outros ditos populares não são o que parecem. Tinham originalmente uma formulação que, ao contrário das citadas, tinha algum sentido.

Vamos desvendar, então, a forma original desses ditos tão “mal ditos”.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tiros, violência desmedida e atos de vandalismo: será a polícia em ação?


Diferentemente do que ocorre em outros países, no Brasil a polícia parece,
sempre, desmedidamente violenta e mesmo desonesta. "Se eles (a polícia)
me pegam, avisem meu pai, se saio desta vivo não morro nunca mais",
trecho do rap de Thaíde, "Homens da Lei", composto já na década de 1980
e que está no primeiríssimo disco de rap do país, "Cultura de Rua", de 1988.
Há muita gente boa na polícia, mas os recentes acontecimentos ocorridos no Centro de São Paulo mostram que ou os maus predominam ou a existência da própria instituição policial militar é, em uma sociedade democrática, totalmente inaceitável

Existem muitas pessoas com excelente índole na Polícia Militar, com certeza. Existe gente boa em todo lugar, em toda instituição, é claro. E o mesmo se aplica a gente má, também é certo. O problema maior, nesse caso, é a própria instituição. Uma polícia militarizada só é justificável em situação de calamidade absoluta ou em casos de dominação colonial. A Polícia Militar, assim, ou é uma tropa de domínio colonial com prazo de validade vencido há tempo ou temos que admitir que estamos vivendo em estado de calamidade pública, com bandidos, assaltantes etc. vagando por aí à procura de vítimas inocentes. Em algumas áreas, a segunda alternativa é válida, mas, curiosamente, são as áreas nas quais nem a polícia vai, o que torna as coisas meio confusas para quem quiser entender a dinâmica do processo.

domingo, 18 de junho de 2017

Novas travessuras da língua

Saiba, aqui, o porquê de você nunca chegar em casa e como a multa só é craseada quando dói no bolso. 

Você é daquelas pessoas que vão à loucura com a Língua Portuguesa? Pois estou com você. Cada vez que me aprofundo, mais me surpreendo. A última é a descoberta de que ninguém chega em nenhum lugar. Sim, o que quero dizer é o seguinte: em algum lugar você não chega, de jeito nenhum. E por quê?

O fato é que a regência verbal da nossa Língua admite apenas as preposições: “de”, “para” ou “a”.

Assim, no caso do verbo “chegar”, temos as possibilidades abaixo:
- você chega de algum lugar;
- você chega a algum lugar.

Como você não chega para algum lugar, desconsideremos isso agora, mas lembre que a regra vale para qualquer verbo que indique movimento, locomoção. Assim, o verbo partir admite o “para” e também o “de” e o “a”.
- você parte para;
- você parte de;
- você parte a (ou à).

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre a política da safadeza, a depressão e os possíveis desejos inconfessos dos eleitores

Há quem diga que política virou sinônimo de safadeza no país e que os eleitores seriam os responsáveis por isso pois fariam o mesmo que os eleitos, caso houvesse oportunidade

O político, hoje, é entendido pela população como aquele sujeito que pensa em seus próprios interesses e, por conta disso, utiliza recursos públicos para satisfazer a si próprio(a) e aos “amigos” e correligionários. Um dos maiores indícios disso é o procedimento do atual Presidente da República, Michel Temer, bem como o da presidente Dilma Rousseff, de quem Temer era vice. Ambos liberaram mais de um bilhão de reais, cada um, para tentar salvar seus mandatos, sendo que Dilma foi cassada no ano passado e Temer está na iminência de sê-lo a qualquer momento.

No entanto, se você os acusar, eles poderão argumentar que toda essa grana já estava com destinação prevista, pois estamos falando de emendas parlamentares. O curioso é que esse montante deveria ser liberado paulatinamente, como é praxe. No entanto, na hora do aperto, as autoridades supremas resolvem liberar tudo para sensibilizar os parlamentares em relação às suas boas intenções em relação a eles, não ao país.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cariocas colhem o que plantaram durante um século


O cúmulo do cinismo acontece quando a instituição que deve 
combater o tráfico de drogas é quem trafica drogas – e, segundo 
fontes, essa foi a situação do Rio em um passado muito recente
A tragédia da violência no Rio é uma desgraça que foi lapidada pacientemente pelos governantes cariocas no último século, quando a polícia foi a única instituição pública a frequentar as comunidades/favelas

A fuga de moradores da zona norte carioca (ver matéria aqui) mostra a falência de todas as políticas públicas projetadas e implementadas no Rio de Janeiro. Curiosamente, essas políticas foram erguidas sobre a base da discriminação de parte da população, a mais pobre, por representantes das classes mais ricas, uma pequeníssima parcela da população, que é, na prática, a imagem icônica especular da grande massa populacional conhecida genericamente como a “classe média”, que apoia as políticas discriminatórias.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Promover o sensacionalismo barato está longe de ser a função social do jornalismo

Sabemos que os empresários compram presidentes, governadores, prefeitos, ministros, deputados e senadores e também sabemos que os bastidores da política fedem, mas nem por isso se deve divulgar acusações sem provas nem condenar sem julgamento como faz a imprensa sensacionalista

Que todo mundo sabe que rola muito dinheiro no mundo dos políticos, isso é verdade. Que a caixa 2 é prática comum e é mesmo difícil para um candidato, por melhor caráter que tenha, não cair nessa vala comum, é mais verdade ainda. Que, infelizmente, a maioria dos parlamentares é parlamentar porque tem o rabo preso com algum empresário, que recebe mesada e gordos auxílios para sua campanha e sua vida pós-campanha. Essa relação incestuosa é conhecida por praticamente todo mundo. Só não é falada pelos empresários e seus financiados quando estão em público e é preciso manter as aparências.

Enfim, todos, ou quase todos, sabe que a vida dos políticos e dos empresários que os bancam não é o que eles próprios dizem, muito menos o que a imprensa costuma dizer nos noticiários diários. As investigações da operação policial e jurídica chamada de “Lava Jato” são, nesse sentido, valiosas, pois expuseram a lama dos bastidores do poder. No entanto, determinadas delações parecem estar indo além do plausível e podem estar entrando no campo das fantasias ou, como alguém já disse, da acusação armada de acordo com interesses políticos e/ou econômicos (pois que uma coisa anda costumeiramente de mão dada com a outra).

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Do trivial variado

Letra morta
“Ele foi localizado em uma ilha próxima a cidade onde o crime aconteceu”, eis uma frase escrita com um erro ortográfico. Você sabe qual é? Tudo parece certinho, mas falta um acento, uma crase. Sim, você sabe onde.

Erros de ortografia estão cada vez mais comuns entre nós, mortais brasileiros. A língua culta, que era, no passado, uma referência importante na vida de tantos, hoje parece relegada ao status de letra morta. Inclusive entre pessoas que deveriam saber, no mínimo, escrever com correção, sem erros tolos como esse. A frase é de um (ou uma) jornalista e foi publicada em um jornal desses que é distribuído nas ruas, o Metro, não sei se na edição impressa ou na digital. Pouco importa.

Eu não iria para “a” Rio de Janeiro ou moraria “no” Tijuca
Há algum tempo, um jornalista se mostrava ultrajado com pessoas que utilizam o termo “risco de vida”, corrigindo o incauto, na hora, para “risco de morte”. E outro se mostrou perplexo quando eu disse que achava ruim falar, como se faz em Curitiba, algo como “Moro no Água Verde”. Ele me disse que estava CERTO (os curitibanos adoram fazer referências ao CERTO) porque era “o bairro” Água Verde. “Ora, certo”, eu disse, “então no próximo fim de semana vou para ‘a’ Rio de Janeiro, já que se trata de uma ‘cidade’”. Que me desculpe quem defende essa forma esdrúxula de se referir a uma localidade chamada “bairro”, mas me parece um tanto ridículo e feio para a audição.

Morei “em” Copacabana, “no” Catete, “na” Tijuca, “nas” Laranjeiras (ou “em” Laranjeiras, como preferem alguns) e “no” Flamengo, isso no Rio. Não conseguiria, de maneira alguma, morar “no” Copacabana, ou “no” Laranjeiras, muito menos “no” Tijuca. Assim como jamais sequer iria até “o” Água Verde. Mas, cada qual vai, mora e fala como quer e pode, é certo.

Alimentos que não alimentam e informações que não fazem pensar
Os hábitos alimentares são algo que a saúde pública precisa observar com mais atenção do que faz hoje. Isso, se quiser promover realmente a saúde. O que se come por aí de lixo, alimentos que não alimentam nadinha, é algo surpreendente. Alguém que faça refeições diariamente em um fast food está comendo coisas que não lhe alimentam e, pior, apenas lhe incham, pois não se pode dizer que seja minimamente nutritiva a comida servida nessas lanchonetes com nomes Mac isso ou Big aquilo vendem. Então, por que vendem? Então, por que o Estado permite que vendam? 

Talvez pelo mesmo motivo que leva os empresários de comunicação a publicar informações que não encorajam a pensar, que não alimentam o espírito. E pela mesma razão que leva o Estado a permitir que isso aconteça. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Essa gente detestável que vai para o inferno de cabeça para baixo


Se você põe no pano verde a tua alma tentando negociar a salvação
do teu espírito, pode esperar que no inferno você rapidamente irá chegar
As aparências enganam e todo mundo sabe disso. Não se sabe, no entanto, que enganam até um ponto, até uma hora, não mais que isso. Depois, a farsa acaba e tudo fica transparente. Somos de vidro para Deus, teria dito Machado de Assis, segundo um sujeito que encontrei hoje pela manhã. Não sei se Machado realmente escreveu ou falou coisa assim, mas, de certo modo, é o que Swedenborg diz no seu “O Céu e o Inferno”. E faz muito sentido, além do mais.

Se você faz o que é bom e certo para conseguir a salvação, então provavelmente não a merecerá. Se age assim, está fazendo de suas boas intenções meros atos comerciais e, não se iluda com as conversas do marketing e da teoria da administração pós-moderna que transformam tudo numa negociação. Tem coisas inegociáveis e o caráter é algo assim, diriam os antigos. Mais inegociável, no entanto, é o espírito, que seria o sopro divino que trazemos em nós, segundo me consta. E o espírito é provavelmente o que fala pela linguagem consciente e, principalmente, pela linguagem inconsciente, aquela a qual Lacan se referia nos meados do século passado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Lula e o juiz brincam de Street Fighter, mas é você que leva porrada


Eles manipulam o joystick e você leva as porradas
10 de maio de 2017: enquanto Lula e Moro simulam estar em um game de luta, é você que está no ringue levando todos os socos e pontapés

Quanto mais eu vivo, mais me surpreendo. Todo o tumulto em torno do depoimento de Lula para a Justiça Federal em Curitiba é de chamar a atenção. Em primeiro lugar, trata-se de uma grande produção, quase cinematográfica, épica, do tipo Bem Hur, Quo Vadis, Intolerância ou algo próximo. A imprensa deita e rola no clima sensacionalista e, no campo jurídico e político, tanto uma parte quanto a outra fazem questão de acentuar o clima de duelo de titãs. E o mais surpreendente: o juiz, o tal Moro, o heroico guerreiro que tem no curriculum o brilho do desmantelamento de uma quadrilha que movimentou bilhões, de repente age como se não fora um juiz, um magistrado, mas parte no processo, uma espécie de promotor público ou, pior, um candidato a alguma coisa ou o cabo eleitoral de quem parece combater. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Anormalidades normais

Umbigo de ouro... de tolo
O prefeito de São Paulo parece ser daqueles que gosta de elogios. Nem sempre os ganha, é claro, por isso supre as eventuais ausências de afagos com exaltações à sua própria personalidade. No dia da greve geral, por exemplo, jogou confetes sobre si afirmando que acorda cedo e trabalha muito, chamando os grevistas de vagabundos. Normal.

Narciso acha feio o que não é espelho, cantava o poeta baiano em música dedicada à cidade administrada pelo tal prefeito. E essa é a desgraça de gente sem qualidades: tudo o que desagrada é ruim, mau, feio, falso ou coisa pior. E o prefeito não é exceção, ainda mais que traz consigo as características daquele que olha para o umbigo pelos menos de cinco em cinco minutos.

É com as diferenças que crescemos, mas alguns de nós não cresceram e pretendem continuar pequenos.

Falando em espelhos...
O país parou, pelo menos boa parte da população das capitais. Mas, o governo acha que todos são “vândalos”. Normal.

Há quem somente consiga enxergar a própria imagem diante de si.

Eles só veem o que lhes interessa
Há os que defendem as reformas na previdência, mas, como já dito aqui em outro texto, usualmente usam argumentos que são lugares comuns e não aprofundam a conversa. Normal.

Basta examinar os números do próprio governo para ter dúvidas em relação à necessidade da tal reforma. O déficit é encontrado apenas quando se toma as contribuições diretas, sem contabilizar as diversas “torneiras” que abastecem os recursos previdenciários. E mais: os próceres da reforma não falam sobre os devedores, as grandes empresas que devem muito mais do que o anunciado déficit.

Conheci muitos brasileiros que se acham muito espertos, mas igual aos que defendem a reforma, nunca conheci. Esses são espertos em demasia, passam da conta. São mestres em enxergar apenas o que lhes interessa. 

Golpe e contragolpe, preto e branco
Dilma nos deu um golpe. Elegeu-se dizendo que ia para um lado, mas quando teve os votos, foi para o outro lado. Isso se chama “golpe”. Temer e sua trupe, assim, não deram necessariamente um golpe, mais propriamente deve-se falar em “contragolpe”. Mas há os que não entendem assim e insistem em falar em golpe de Temer. No afã de defender Dilma, Lula & Cia, chegam mesmo a sugerir que há uma autêntica oposição entre o bem e o mal. Normal.

No mundo dos umbigos de ouro, não raro trabalha-se com oposições simples e radicais. Eu sou bom, ele é ruim, nós somos bons, eles são péssimos, temos razão, eles não, e por aí vai. A realidade é que todos falam e ninguém tem razão. Não dá para confiar em gente que enxerga o mundo em preto e branco. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Curitiba mais violenta que São Paulo e Rio?


A cidade dos ícones e monumentos urbanos, bem falada como a
"República" da ordem e da Justiça, se refela como uma das mais
violentas do país, ultrapassando até mesmo São Paulo e Rio
Números de 2010 mostram que, ao menos naquele momento, a capital paranaense tem mais homicídios do que Rio de Janeiro e São Paulo e nada indica que o quadro tenha se alterado substancialmente nos últimos sete anos 

Descubro uma matéria jornalística de jornal de Curitiba, capital do Paraná, informando que, em número de homicídios, a cidade é mais violenta do que Rio e São Paulo, principalmente se incluída na estatística a chamada região metropolitana. Na verdade, a afirmação vale para 2010, porque a matéria é daqueles tempos, assim como os dados estatísticos. De todo modo, mesmo em 2010, a constatação surpreende, pois é usual ficarmos pensando em Rio e São Paulo como as capitais da violência, com morticínios e chacinas pululando aqui e ali, como ervas daninhas. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ele prometeu, mas vai cumprir a promessa?


Não curta com a nossa cara, senhor presidente!
Promessas são dívidas e é honrado todo aquele que
as cumpre. Sendo assim, não dê esse mau exemplo
Para o presidente de um país, cumprir as promessas é fundamental para dar confiança aos cidadãos e cidadãs, mas, no Brasil...

Minha memória não é de elefante, mas recordo claramente que foi divulgado na imprensa que o presidente Temer afastaria todo e qualquer ministro que estivesse sob investigação judicial. É hora, então de afastar os seguintes ministros:

1.     Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil;
2.     Moreira Franco (PMDB), da Secretaria Geral da Presidência;
3.     Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia;
4.     Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional;
5.     Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores;
6.     Blairo Maggi (PP), da Agricultura;
7.     Bruno Araújo (PSDB), das Cidades;
8.     Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Promessa feita deve ser cumprida. Mas, que governo é esse que abriga oito suspeitos de crimes contra o erário? Ok, você pode argumentar a favor de Temer & Cia lembrando dos governos petistas, cujos integrantes agora estão também na marca do pênalti judicial, correndo o risco de ir para alguma penitenciária, como já aconteceu com o ex-governador do Rio de Janeiro. Ora, respondo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Falo do cumprimento de uma promessa feita por um homem público que ocupa o mais alto cargo político da Nação. Se ele não cumpre a palavra, a mensagem é a seguinte: ninguém precisa ou mesmo deve cumprir a sua própria palavra. O exemplo é o pior possível, desse modo. 


Não se sabe se os oito são culpados e menos ainda se sabe se, sendo culpados, será possível provar suas responsabilidades nos malditos esquemas que enojam e envergonham o Brasil. Mas, palavra de presidente deve ser palavra de honra. 

sábado, 8 de abril de 2017

Aristóteles nos livrou da ingenuidade platônica sem ofender o mestre


No quadro de Rafael, Platão aponta para o alto, enquanto
Aristóteles projeta seu gesto em sentido oposto, em uma bela
representação pictográfica do debate que envolve a subjetividade
proposta e projetada pelos dois e que nos envolve há séculos
Platão via o mundo cindido em formas ideais e coisas reais. As primeiras eram puras, boas, verdadeiras e belas e as segundas eram impuras, falsas, más e feias. Aristóteles manteve a estrutura básica do pensamento platônico e foi muito além, demonstrando que o mundo real é o nosso acesso ao mundo ideal sonhado pelo discípulo dileto de Sócrates

Platão era o homem das formas puras e das ideias perfeitas. Para ele, o empírico, o que percebemos com os sentidos, não tinha importância, nem sequer existência própria. Tudo seria determinado pela perfeição das ideias que vagavam sabe-se lá onde e iam não se sabe aonde. Um cavalo era um cavalo simplesmente porque havia a forma pura do cavalo em algum lugar e que estava manifesta no cavalo que vemos. Um cavalo, assim, jamais seria plenamente um cavalo, mas sim a manifestação da ideia de cavalo, sempre de forma imperfeita. O que quero dizer é que um cavalo era simplesmente algo como uma representação do cavalo etéreo, perfeito, belo, puro, verdadeiro e bom. Sim, porque tudo o que estaria no mundo da perfeição seria perfeito, o que não aconteceria com nada do que conhecemos neste mundo da imperfeição. Por isso, o chamado amor platônico foi batizado assim: por ser aquele que busca uma perfeição jamais encontrada em um ser humano real. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

O que é isso, ex-presidente?

Para combater a doença da corrupção é preciso um tratamento duro, mas há quem sugira deixar o doente vivo, aparentemente para garantir a sobrevivência do agente patológico causador do mal

FHC, ex-presidente e um dos mais ativos articuladores do golpe (ou contragolpe, mais precisamente) que derrubou o PT do poder, diz que não pode tirar o Temer, que vai ser um atraso para o país, para a economia etc. Ele defende que se deixe o presidente atual, vice da chapa de Dilma Rousseff, que foi derrubada do púlpito de chefe da Nação e está sendo julgada pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE), incólume, enquanto a ex-presidente deve ter sua defenestração ratificada pelo tribunal.

A lógica de FHC é, aproximadamente, aquela que diz o seguinte: está ruim com Temer, pode ficar pior sem ele, os investidores não vão gostar etc. Ok, senhor presidente, mas se Temer foi o vice da chapa, não é possível que seja separado dela, como o seu partido parece desejar, já que alcançou o poder por vias indiretas com a queda de Dilma. O que o senhor ex-presidente sugere é algo como um novo golpe, uma armação, tudo em nome do bom nome do país e buscando a simpatia dos tais “investidores”. 

Assim, FHC quer que se casse apenas a petista ou se deixe tudo como está, com Temer, que emprega amigos seus, no poder - e fica a triste sensação de que tenta salvar Temer apenas por isso.

Que feio.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sonho para uns, pesadelo para outros


A pergunta que tira o sono de muita gente
Lula é o sonho de muitos na presidência, ainda que sua passagem por esse posto tenha sido questionável. Afinal, emplacou uma reforma previdenciária que prejudicou muita gente e não fez qualquer modificação estrutural, logo duradoura, na lógica capitalista que comanda as ações políticas no Estado brasileiro. Muito pelo contrário, parece ter consolidado péssimas práticas políticas e econômicas que lesam exatamente aqueles que dizem beneficiar, mas tem sua presença no cargo político máximo da Nação marcado por um sucesso econômico pouco comum em nosso país.

É que, durante o seu mandato, de dois períodos, logo de oito anos, o Brasil experimentou uma certa lua de mel no abrigo da economia internacional, graças ao que se chamou “Ciclo das Comodities”, ou seja, a elevação do preço de matérias primas no mercado internacional, puxada fundamentalmente, ao que tudo indica, por um aumento das importações por parte da China, principalmente, que terminou há alguns anos, levando a economia brasileira, dependente da venda de matérias primas, a grandes dificuldades, como se percebe claramente nos dias em que vivemos.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Papagaios e pensadores disputam espaço no debate sobre a reforma da Previdência


O intelectual papagaio não sabe exatamente do que está
falando, apenas que alguém lhe diz o que deve falar 
Muita gente opina, mas poucos entendem acerca do que estão falando. E há os que funcionam como “intelectuais orgânicos” e repetem de forma acrítica os argumentos do governo: para mim, não passam de papagaios e chamá-los de "intelectuais", ainda que orgânicos, é lhes dar um valor que não parecem possuir

Leio chamada em um portal de notícias, na qual está oferecida uma aula de economia “grátis” para quem está contra a reforma da Previdência. Não vou citar o nome do autor, porque não creio que o assunto seja pessoal, mas comum a diversos outros profissionais que prometem o que não cumprem e, pior, demonstram o quanto não pensam, o quanto usam a cabeça somente para pôr boné, chapéu ou mesmo simplesmente para deixar crescer o cabelo.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Cala a boca, presidente!


Tudo leva a crer que Temer age pensando,
em primeiro lugar, em manter o poder que
alcançou em uma carreira na qual cresceu nas
sombras, agindo silenciosamente nos bastidores
Temer usa números estapafúrdios para defender reforma que “ferra” de vez com a vida dos assalariados e acusa quem ganha mais de estar reclamando, como se isso fosse algo imoral ou anormal

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015 (Pnad 2015), realizada por uma instituição governamental, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado relativo aos que recebem um salário mínimo aponta para um percentual de 22,21%. E mais: que mais de metade dos trabalhadores dessa faixa salarial não tinham carteira profissional, logo não estavam com a situação previdenciária encaminhada, muito pelo contrário.

O atual presidente, no entanto, afirmou, no último dia 07, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que as alterações propostas para a aposentadoria dos brasileiros não vão prejudicar os trabalhadores de baixa renda e disse mais: que “63% dos trabalhadores terão aposentadoria integral porque ganham salário mínimo”. E, para fechar o assunto, falou ainda que só está reclamando quem ganha mais.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Coisa de doido

Contaram-me que hoje, dia em que o procurador Janot prometeu entregar ao STF uma explosiva lista de políticos denunciados pelas delações da operação Lava-Jato, o Planalto convocou reunião para tratar de segurança pública e combate ao crime organizado. Por motivos óbvios, alguns dos que poderão participar dessa reunião podem estar, no exato momento em que discutem o tema do enfrentamento a quadrilhas muito bem articuladas, sendo indiciados exatamente por fazer algo muito próximo daquilo que dizem estar combatendo.

Coisas loucas de um mundo nada sensato.

Escravos - Outra loucura a ser pontuada é a que tem levado milhares, talvez milhões ou bilhões de seres humanos escravizados a acreditar que são livres. É algo surpreendente que animais que se qualificam como racionais ajam dessa forma. Veja que a característica marcante do cidadão urbano contemporâneo é nascer, amadurecer e morrer em um ambiente no qual não há muito além de ideias gerais expressas de modo que sejam aproveitadas pelos interesses econômicos. No entanto, apesar do caráter totalmente artificial dessas ideias, o cidadão e a cidadã, eu, você e quem mais vier, já as confunde com expressões naturais, como o sibilar do vento, o murmurar das águas de um riacho ou o contar dos rouxinóis. Cada vez mais afastados de nós mesmos, da natureza (à qual inevitavelmente pertencemos, pois dela viemos e a ela vamos voltar pela via do nosso corpo, que marca essa dependência do humano ao natural), nós, humanos, vamos mergulhando em um mundo atraente e utópico no que diz respeito às promessas, mas tenebroso e distópico no que tange aos resultados alcançados.