quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Três parágrafos sobre o tema da limpeza


Há sujeiras que nenhum removedor tira. 
Nem sendo mágico, como o da foto
A limpeza é boa, sem dúvida e somente a obsessão por ela se torna problemática. Não sou um obcecado em tudo estar limpo, mas entendo que é bom estar limpo, em diversos sentidos. Limpeza moral, por exemplo, é boa. Chato você ser apontado na rua como alguém amoral ou imoral. Alguém lembrar de você e dizer que você é mau caráter é algo terrível, moralmente destrutivo. Sua companhia ser recomendada por escroques e malfeitores é terrível e quando ela é irrecomendável por pais de família e trabalhadores padrão, é pior ainda. Não se deve, porém, usar ou reforçar ideias moralistas, pois o moralismo é a falsa moral.

Mas a sociedade é muito limpa na aparência, assim como tantos de nós. Nos arranjos sociais há uma tendência a valorizar a primeira impressão, por isso se recomendam roupas bem talhadas e, se possível, caras. E há, também, do mesmo modo, uma ordem à qual costumamos chamar etiqueta (pequena ética), que prescreve normas para nossos procedimentos em ambientes sociais. Alguém me disse que essas coisas servem bem para ocultar outras, e estas outras estão relacionadas à animalidade. Talvez.

Há uma limpeza, porém, que todos devemos prezar, a da alma. E essa limpeza se consegue com o afastamento de coisas e pessoas que conspurcam, ainda que muitas vezes inadvertidamente, a vida daqueles com os quais se relacionam. Não raro, isso acontece de forma quase imperceptível e quando se vê, pronto, o caldo já entornou e você está enredado em alguma trama dantesca que só pode terminar mal. Às vezes há mesmo má intenção e nesses casos pode ser mais fácil para você perceber e evitar o dissabor. O problema é que, se vale tudo para o mal, o mesmo não vale para a defesa contra o mal e cometer algum ato perverso para evitar outro pode muitas vezes ser justificável, mas é algo que deve ser, sempre que for possível, evitado. 

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