quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Encruzilhada ética e moral

Autoridade no Brasil é coronelismo, dizem alguns. Respeito à autoridade!, bradam outros, principalmente autoridades e apaniguados. O fato é que, entre nós, ter autoridade é um problema, mais que uma solução, e sofrer abusos de alguma autoridade não é nada incomum. Os mais pobres e de pele escura que o digam.

A polêmica que envolve o projeto contra o abuso de autoridade, que tramita na Câmara Federal, denuncia que há um nó cego, daqueles que não se pode desatar, na sociedade brasileira. Que há abusos policiais e de autoridades diversas, isso há. Mas que também tem muita gente que deve estar de olho na aprovação do projeto para se livrar da dura, isso também tem. E essa gente não é pobre. Pelo contrário.

O Congresso tem, assim, uma missão espinhosa, sob o ponto de vista ético e moral. Em seu seio, há provavelmente muitos dos que querem escapar das garras da lei, como os investigados na chamada “Operação Lava-Jato”. São homens públicos que governam e legislam não pelo bem público, mas visando vantagens pessoais. Fora dele, há, porém, pessoas que podem se beneficiar com uma legislação que restrinja abusos policiais e jurídicos.


É nesses momentos que se tem a noção do quanto é penoso lidar com as tramas da sociedade humana... principalmente a brasileira, que tem contradições suficientes para enlouquecer qualquer um que tente levá-la a sério. 

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