sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Conhecer X Saber: “o dinâmico” versus “o estático”


Aquele que quer conhecer está em um
labirinto onde cada experiência é inusitada
e os caminhos nunca são os mesmos
Se você já sabe algo, tente desaprender para conhecer; se conhece, saiba que os trilhos do conhecimento têm inúmeras estações e nenhum fim

Se você quer ter razão, jamais a terá. Se quer ter certeza, estará em posição incerta na maior parte das vezes. Isso é claro.

O fato é que só aprendemos quando admitimos não saber. Se sabemos, é sinal que o que sabemos já está ocupando o lugar destinado ao conhecimento e não há vagas.

A realidade não é o que queremos ou desejamos, nem, na prática, resultado daquilo que fazemos isoladamente. A realidade é plural e nunca é o que imaginamos. Nunca.

O maior erro que podemos cometer é querer aprender sobre o que já sabemos, é ter certeza daquilo que já temos como certo e definitivo.

Se você pudesse perceber o quanto já se prejudicou acreditando ter absoluta clareza a respeito de algo, quando o que tinha era simplesmente uma noção tacanha e pouco inspirada a respeito de algo que praticamente desconhecia...

Pode observar: quanto mais você acha algo inquestionável, mais isso merece questionamento. E esse é o caminho do conhecimento. Já o do saber, é outro.

O conhecimento é construído, o saber está sempre pronto. O conhecimento se constitui na experiência, o saber se estrutura sobre nuvens metafísicas. O conhecimento nasce imperfeito e precisa saber disso; já o saber é essencialmente perfeito, milimetricamente perfeito, e não sabe o quanto essa perfeição é ilusória.

O conhecimento necessita do saber como referência mediadora para se constituir; já o saber precisa do conhecimento apenas para se constituir, mas, depois que está posto e institucionalizado, dispensa o conhecimento como ideologia, enquanto fala de si mesmo como “ciência”.

Diferenças e semelhanças
Uso, aqui, dois conceitos arbitrários, “conhecimento” e “saber”, para tentar me aproximar de uma concepção do que sejam estas duas coisas:

1. o ato de proceder a uma construção de uma noção instável, mas aplicável sobre a realidade em um determinado tempo e espaço - a qual chamo de "conhecimento";

2. o enrijecimento disso que chamo de conhecimento, constituindo uma formulação pétrea e imutável sobre algo, a realidade enquanto um todo ou parte dela - a qual chamo de "saber".

Assim sendo, proponho a você que pense o conhecer como uma atividade em contínua confecção, fluida, que incorpora elementos observados no mundo que nos circunda para, com a mediação de um saber constituído, operar a construção do conhecimento e, inevitavelmente, modificar partes, ou mesmo o todo, do saber constituído que serve de mediação. Já o saber, proponho seja entendido como a cristalização de um processo de conhecimento.

O conhecimento é dinâmico, o saber é estático. O conhecimento é construído na prática, o saber está pronto e está nas prateleiras das certezas metafísicas.

O conhecimento tem valor momentâneo, mas o que lhe falta de certezas perenes, lhe sobra em aprofundamento no instante. Já o saber é eterno, ou pretende ser. O que lhe sobra em perenidade, lhe falta em profundidade. 

Oposições complementares - Como Yin e Yang, como tantas outras oposições complementares, saber e conhecimento se relacionam exatamente pelas diferenças que apresentam e representam. 

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