quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A violência ubíqua


Jean Baudrillard, teórico francês: as prisões existem para
que esqueçamos que vivemos em uma sociedade prisional
As gerações passadas resistiram à transformação em autômatos, já as de hoje parecem aceitar isso bem mais facilmente...

As empresas estão exigindo muito das pessoas, bem mais do que no passado, quando os mais entendidos afirmavam categoricamente que a tecnologia libertaria o ser humano para ter mais tempo livre e, consequentemente, mais tempo para si. Um dos que pensava assim era o libertário Henry Thoureau, o autor do célebre tratado sobre a desobediência civil. A realidade que a história nos mostrou, no entanto, foi quase diametralmente oposta. 

Recentemente, li que uma empresa jornalística põe, como requisito, para contratar um profissional, que ele tenha praticamente todo o seu tempo livre dedicado à empresa. Chega-se, segundo o texto lido, a exigir poucas horas de sono para que o jornalista frequente várias festas ou desfiles de moda na mesma noite e que faça matérias sobre todos, quase que instantaneamente. De certo modo, o que se pede é uma espécie de super-homem, ou supermulher, conforme o caso, ou, conforme dizem alguns amigos, um perfeito e autêntico autômato remunerado. Mal remunerado, dizem. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A crase, essa incompreendida

O uso da crase é um dos maiores motivadores de desespero entre os comuns mortais que usam a Língua Portuguesa para se comunicar. Há muitas regras e o curioso é que todas costumam abrir exceções quando se trata da crase. E esse parece ser o problema maior.

A palavra “crase” é muito antiga (já era usada na Grécia das polis) e significa “fusão”. No caso, na língua, ocorre, efetivamente, a fusão de duas vogais idênticas, no caso em que há uma preposição “a” e o artigo feminino “a” juntos, e que ocorre também quando a preposição “a” se encontra com o pronome demonstrativo “aquele”, “aquela” ou “aquilo”. A crase, assim, é um sinal que indica que houve essa fusão.

Quando usar
Uma regra básica é substituir a palavra feminina por uma masculina. Se o “a” se transformar em “ao”, use a crase. Por exemplo, na oração “Os estudantes compareceram à sala para realizar o exame” há crase, mas, para ter certeza, a ideia é substituir a palavra “sala” por uma masculina semelhante. Veja: “Os estudantes compareceram ao colégio para realizar o exame”. Não há dúvida, aí tem crase.