quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Negócio: esforço concentrado para algum resultado


Há quem resuma a relação ócio x negócio ao
binômio escravo x senhor - aquele trabalha
para o proveito do ócio deste - e garante que,
nestes tempos pós-modernos, isso está cada
vez mais acontecendo: o rebanho assume o
negócio para que uns poucos curtam o ócio. 
Etimologicamente, “negócio” vem do latim nĕgōtĭum (nĕgōcĭum, nĕcōcĭum), termo muito usado durante a supremacia de Roma. É uma palavra composta de nec ‎(não) + ōtium ‎(ócio), ou seja, “não-ócio”, toda e qualquer atividade na qual se saia do ócio, isto é, do descanso, da recreação, do lazer, seja qual for. Ou seja, se está falando do trabalho, da atividade humana produtiva, que tem o objetivo de alcançar algo, produzir algo. Dir-se-ia que se fala de tudo o que diga respeito ao movimento, ao esforço, à iniciativa de gerar algum resultado através de um esforço concentrado. 

Há referências históricas que dão conta que uma provável origem do termo ōtium vem de um uso militar. Tudo indica que ōtium era o nome dado ao período em que havia pausa nos combate de uma guerra, ou entre guerras, e significava “tempo livre”, evidentemente para fazer qualquer coisa que se queira ou mesmo para não fazer nada. Segundo consta, esse termo dizia respeito usualmente ao inverno, nos meses de janeiro e fevereiro, que eram dedicados ao ōtium, ou seja, eram de férias. 

O ōtium se opõe, desse modo, à vida pública ativa, podendo ser entendido, também, como momento de férias ou mesmo referido ao descanso da aposentadoria. Pode, também, ser entendido como vadiagem ou vagabundagem. 

Mas, cabe lembrar que ōtium é um termo no qual estão englobados não apenas os sentidos de descanso, lazer ou recreação, mas também o sentido do tempo em que se dedica às artes, notadamente às letras. Era muito usado o termo ōtium litteratum, cuja tradução literal significa algo próximo a “aprendizado pelo lazer”, ou ōtium litterarum, cujo sentido é o de lazer no contato com a letra escrita. Já quando se fala em ōtium cum dignitate (descanso com dignidade), outro termo antigo, se estava querendo referir a todo aquele que dispunha de recursos para se dedicar inteiramente à leitura na velhice. A expressão, dizem, foi cunhada por Cícero (Marco Túlio Cícero nascido em 106 a.C. em Arpino, Itália, e falecido no ano de 43 a.C., em Formia, também na Itália). 

Na prática, o ōtium era um privilégio das classes aristocráticas, enquanto os mais pobres, os plebeus, e os soldados viviam no nĕgōtĭum, isto é, negando o ócio, trabalhando duro, bem se diga, enquanto os aristocratas “aproveitavam a vida” no ōtium

Por tudo isso, considerando os sentidos expostos, quando nos referimos a qualquer atividade produtiva, prática e operativa, falamos de um “negócio”, mesmo quando se trata de atividades de uma empresa pública que, como tal, não visa o lucro, ou não deve visar. 

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