segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Três pontos de vista sobre o “no aguardo”

Tem gente que fala em uma verdadeira praga, outras pessoas aceitam bem o uso e há os que usam com tanta frequência que nem suspeitam que não estão agradando. O fato é que o “fico no aguardo” se tornou corriqueiro nas comunicações de cunho profissional, sejam verbais ou escritas.

Dizer que está “errado” o uso é exagero. Dicionários como o Aurélio e o Houaiss o aceitam, até porque incorporam elasticamente formas de expressão da língua que não estão estritamente adequadas à Norma Culta. Há, porém, os que dizem que está errado e em portais e blogs da internet há mesmo uma discussão animada acerca do “no aguardo”.

Argumento contra: "aguardo" como verbo
Os “contras” dizem que o verbo “aguardar” pede um complemento, pois é verbo transitivo. Porém, o uso do “no aguardo” consideraria o “aguardo” como substantivo, como se você dissesse que está em um lugar chamado “aguardo”. Algo como uma sala de espera ou coisa parecida. É nesse sentido que os “contras” não gostam do uso e recomendam “ao aguardo”, pois consideram apenas o verbo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Negócio: esforço concentrado para algum resultado


Há quem resuma a relação ócio x negócio ao
binômio escravo x senhor - aquele trabalha
para o proveito do ócio deste - e garante que,
nestes tempos pós-modernos, isso está cada
vez mais acontecendo: o rebanho assume o
negócio para que uns poucos curtam o ócio. 
Etimologicamente, “negócio” vem do latim nĕgōtĭum (nĕgōcĭum, nĕcōcĭum), termo muito usado durante a supremacia de Roma. É uma palavra composta de nec ‎(não) + ōtium ‎(ócio), ou seja, “não-ócio”, toda e qualquer atividade na qual se saia do ócio, isto é, do descanso, da recreação, do lazer, seja qual for. Ou seja, se está falando do trabalho, da atividade humana produtiva, que tem o objetivo de alcançar algo, produzir algo. Dir-se-ia que se fala de tudo o que diga respeito ao movimento, ao esforço, à iniciativa de gerar algum resultado através de um esforço concentrado. 

Há referências históricas que dão conta que uma provável origem do termo ōtium vem de um uso militar. Tudo indica que ōtium era o nome dado ao período em que havia pausa nos combate de uma guerra, ou entre guerras, e significava “tempo livre”, evidentemente para fazer qualquer coisa que se queira ou mesmo para não fazer nada. Segundo consta, esse termo dizia respeito usualmente ao inverno, nos meses de janeiro e fevereiro, que eram dedicados ao ōtium, ou seja, eram de férias. 

O ōtium se opõe, desse modo, à vida pública ativa, podendo ser entendido, também, como momento de férias ou mesmo referido ao descanso da aposentadoria. Pode, também, ser entendido como vadiagem ou vagabundagem. 

Mas, cabe lembrar que ōtium é um termo no qual estão englobados não apenas os sentidos de descanso, lazer ou recreação, mas também o sentido do tempo em que se dedica às artes, notadamente às letras. Era muito usado o termo ōtium litteratum, cuja tradução literal significa algo próximo a “aprendizado pelo lazer”, ou ōtium litterarum, cujo sentido é o de lazer no contato com a letra escrita. Já quando se fala em ōtium cum dignitate (descanso com dignidade), outro termo antigo, se estava querendo referir a todo aquele que dispunha de recursos para se dedicar inteiramente à leitura na velhice. A expressão, dizem, foi cunhada por Cícero (Marco Túlio Cícero nascido em 106 a.C. em Arpino, Itália, e falecido no ano de 43 a.C., em Formia, também na Itália). 

Na prática, o ōtium era um privilégio das classes aristocráticas, enquanto os mais pobres, os plebeus, e os soldados viviam no nĕgōtĭum, isto é, negando o ócio, trabalhando duro, bem se diga, enquanto os aristocratas “aproveitavam a vida” no ōtium

Por tudo isso, considerando os sentidos expostos, quando nos referimos a qualquer atividade produtiva, prática e operativa, falamos de um “negócio”, mesmo quando se trata de atividades de uma empresa pública que, como tal, não visa o lucro, ou não deve visar. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Quem só quer conforto permanece na estagnação

Quando você olha em volta e tudo lhe começa a parecer estranho é sinal que você está fora do tradicional campo semântico que lhe é (ou era) habitual. De certo modo, quando isso acontece, como refere o antropólogo Everardo Rocha no livro “Magia e Capitalismo”, é sinal de que começamos a entender que as coisas são o que são mais por uma questão das suas relações do que por conta da essência que supostamente têm. Isso quer dizer que é preciso atentar para o contexto e que as características dos objetos e sujeitos mudam de acordo com o lugar que ocupam (1).

O habitual é o confortável, o estranho é o oposto, causando uma inequívoca sensação de desconforto, quase sempre ou sempre. O conforto remete a um estado de estabilidade, de um ambiente conhecido no qual se pode relaxar e até mesmo adormecer. O ambiente de casa, do lar, é habitual e reconfortante e, se há esse ambiente fora de nós, é certo que haja o registro anímico dele, dentro de nós. Da mesma forma, um ambiente público, na maioria das vezes, não é confortável, ou não é tão confortável quanto o de nosso lar, chegando, em alguns casos, a ser hostil. Nele, não será fácil adormecer.  

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Polêmicas da Língua Portuguesa

Erros comuns 
“Herrar é umano”, se diz por aí. E é verdade, ainda mais quando se trata da língua portuguesa, que não é das mais fáceis de se falar e escrever. O que mais se vê por aí, ou melhor, o que mais se lê por aí são erros gramaticais e de ortografia, grandes e pequenos, leves ou graves, tanto faz. 

Mas, quem sabe falar e escrever tão perfeitamente que jamais erre? O problema, na verdade, não é o erro ou equívoco ao tentar falar e escrever dentro das normas cultas da língua. Problemático mesmo é errar insistentemente, de forma reiterada e obstinada. Ou seja, errar é admissível e compreensível; insistir no erro é que chama a atenção, principalmente quando somos alertados de que estamos errando. 

Por conta disso, vamos aos alertas de erros comuns, para que não os cometamos mais. Ou, se os cometermos, que não seja por falta de aviso. Logo após tratarmos disso, falaremos dos erros inaceitáveis, os graves, aqueles que nem eu, nem você, nem ninguém pode cometer.