segunda-feira, 21 de março de 2016

Propaganda é o nome que damos ao jornalismo do inimigo

A imprensa é fundamental na Democracia. Afinal, esse sistema político se caracteriza por se basear na existência de um mecanismo ou mecanismos nos quais a população tem a possibilidade de se manifestar em relação à condução política de sua cidade, província ou país. No caso da democracia representativa, sob a qual vivemos no Brasil e em boa parte do mundo ocidental, a forma direta de participação costuma se resumir às eleições para escolha de representantes. Esse mecanismo pressupõe que cada eleitor tenha realizado uma reflexão acerca do representante que escolherá, tanto no que diz respeito à identidade com interesses ou ideais, quanto no que diz respeito à questão ética e moral, isto é, votando em candidatos com “ficha limpa”.

Para a boa escolha dos representantes é importante que tenha havido a divulgação de informações acerca dos candidatos e de seus partidos, bem como acerca da conjuntura política, econômica e social no seio da qual a eleição se dá. Com as informações, os cidadãos podem pensar, refletir individualmente, debater (refletir coletivamente) e, então, escolher, ou seja, votar. É por isso que a imprensa é fundamental, pois difunde informações, as informações que basearão a reflexão, o debate e a fundamentação do voto.

Sem o processo informação/reflexão/debate/escolha do voto não se pode dizer que haja democracia.

Mas, quando há esse processo, de uma forma ou de outra, mais bem estruturado, ou menos, é preciso que os veículos de imprensa divulguem informações claras, buscando a objetividade e a isenção não no que diz respeito à se posicionar de forma neutra, o que é usualmente impossível, mas se posicionando ao mesmo tempo em que dá espaço para o “outro lado”, dando oportunidade à expressão do contraditório, pois que é pelo choque de ideias que se forma a boa ciência e a consciência política.

É claro que essa noção proposta é um tanto ideal, ou, dizendo de outra forma, é uma abstração que nos serve para orientação de como deve ser a atitude de um veículo jornalístico em relação à política. Na prática, sempre haverá imperfeições e críticas a ser feitas aos veículos, principalmente no que diz respeito ao agenciamento subjetivo que operam ao determinar agendas de pensamento e discussão e propor conteúdos bem articulados, mas nem sempre adequados para uma percepção ampla e crítica da realidade.

O problema maior, porém, talvez seja a tendência a eleger vilões, papel para o qual a imprensa se presta na medida em que divulga informações que agradam a uns e enfurecem outros. Afinal, cada um de nós gostaria, em nossos sonhos, de ter uma imprensa confiável, não exatamente para apontar nossos próprios erros, é claro, mas para fazer isso com nossos inimigos e/ou adversários, pois não há dúvida de que estão errados. Por outro lado, essa mesma imprensa confiável deve ter em boa conta os nossos atos, pois que estão evidentemente corretos.

Ótimo isso, mas, como bem se pode notar, isso não pode ser chamado de “jornalismo”. O nome certo da imprensa dos sonhos é "propaganda".

Um problema maior ainda está no fato de que, de algum modo, sabemos disso, mas somente costumamos usar o termo “propaganda” quando estamos diante de um veículo que se posiciona crítico em relação a nós. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Parece que o PT levou os "pixulecos", mas partidos de esquerda, como o PSOL acabarão pagando a conta

Para confirmar o dito em postagem anterior, que o PT afunda e leva a esquerda junto, observe o que diz um leitor do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba:
“Que os petralhas tem de desembarcar, tá certo! Mas que agora é a vez do psol ou qualquer outro lixo esquerdalha, nem pensar. Amanha [13 de março de 2016 – dia dos atos contra o governo petista], o povo nas ruas de todo o país vai dar o seu recado mais uma vez: fora pt, fora foro de São Paulo”.
Esse “estrago” em tudo o que tiver o selo “de esquerda” está feito. Por algum tempo, não se sabe quanto, mas provavelmente anos ou, na pior das hipóteses, décadas, tudo o que for relativo à esquerda será tido como “lixo esquerdalha”.

Isso necessariamente seria já assim de todo modo para alguns, usualmente os mesmos de sempre, mas não com a força que tem agora, por conta da sujeira de alguns petistas. E não alcançaria, ao menos com esse vigor que temos visto, o público em geral, a “opinião pública”. Em breve, sair com camisa vermelha na rua poderá se transformar em imprudência, como ocorre em algumas comunidades cariocas, nas quais a camisa vermelha está banida, por conta de sua identidade com quadrilhas e facções rivais, como no caso do Comando Vermelho.

O PSOL, por exemplo, a “esquerda” ascendente, terá que enfrentar dificuldades além das já esperadas por conta do papelão petista.

O fato é que o tesoureiro do PT levou algum pixuleco e foi em cana, o líder carismático Lula tentou ser mais esperto do que deveria e está na mira e o Dirceu quis levar uma vida de nababo e acabou assinando todos os BOs. Eles se deram mal, ou se darão mal, bem mal, parece certo. Mas dizem que há ministros que fazem parte de conselhos de estatais só para levar um jetonzinho e que não estão com o nome sujo na praça, ainda, embora isso não seja nada ético nem moral.

O PSOL, formado por pessoas mais jovens, ao menos no Paraná, não levou nada, ao que tudo indica. Mas, sendo parte do time da esquerda, vai levar a cruel e imbecil fama de “esquerdalha” sem a merecer, pois não entrou no esquema ou abraçou o Lula para defender o indefensável, como os aliados PDT e PC do B.


Desse modo, se já se previam dificuldades para o partido, agora estas ficaram mais sérias. É que mesmo os mais crédulos andam desconfiados com a esquerda e temem que o caminho trilhado pelo PT seja um modelo para os demais partidos dessa corrente política. Assim, se declarar “de esquerda” pode vir a ser algo assemelhado a pertencer a uma facção criminosa.  

PT afunda e leva a esquerda consigo

No fim das contas, fica a impressão de que o arrivismo, a ambição desmedida de se dar bem a qualquer custo, vendeu a esperança. Aquela mesma que tinha vencido o medo lá no distante ano de 2002... 

No mesmo dia, muitas emoções. Duas, no topo da lista. A primeira, que se esperava a estrela do dia, era a possível, ou provável, nomeação de Lula, o ex-presidente, para um ministério, pela atual presidente, Dilma Rousseff. Isso poderia o livrar do juiz Moro, mas não evitará que as investigações recaiam sobre sua família, principalmente sobre seus filhos. Mas, no fim do dia, eis que surge a segunda, uma verdadeira bomba: o depoimento de Delcídio do Amaral, ainda senador pelo partido do governo, o PT, que põe importantíssimos correligionários na linha de tiro, foi aceito pelo Supremo. 

O que se tem visto e se verá ainda por muito tempo é uma encenação clássica de um naufrágio anunciado. O partido do governo, que parece ter se enrolado demais nas teias dos “esquemas” corruptos tradicionais na máquina pública, vai afundando, como era previsto já em 2014, quando Dilma foi reeleita aplicando um golpe nos seus eleitores, que votaram nela esperando que as coisas tomassem uma direção, quando tomaram outra, logo depois da vitória nas urnas. 

De certo modo, é irônico que os militantes que defendem o governo gritem que não vai ter golpe. Na prática, o golpe já foi dado, mas pelo governo, quando da última eleição. 

Esquerda em apuros
O pior de tudo é o fato de que o PT naufraga e leva junto boa parte daquilo que se costuma chamar de “esquerda”, ou seja, as pessoas que militam politicamente com foco na igualdade ou mais, com o objetivo de buscar um aspecto menos animal do ser humano. Depois do vexame petista, com o fato cristalino que nos leva a conhecer melhor o envolvimento de seus grandes nomes com a corrupção, o cidadão comum vai recuar dois passos quando alguém lhe chegar com algum discurso de fragrância esquerdista. E isso pode significar o sucesso eleitoral do outro lado, da tal “direita”, aquele pessoal que não acredita nos ideais esquerdistas de melhoria do ser humano e que entende que quanto mais animalidade melhor. Afinal, vale tudo para movimentar o mercado e gerar os famosos “benefícios públicos”, pela via dos “vícios privados”. 

Na prática, sai quem diz que as pessoas devem ser mais iguais que desiguais e entra quem diz o contrário e não apenas prioriza a desigualdade como a estimula. Como “consolo”, é possível dizer que o pessoal do PT, que deveria não apenas dizer que luta pela igualdade, mas efetivamente lutar por ela, não fez tanto assim e apenas promoveu um irresponsável ambiente consumista, apenas isso. Na pauta dos petistas parece que houve mais ênfase no objetivo de melhorar de vida do que no de politizar e organizar para melhorar de vida e poder manter a melhoria. 

Arrivismo predominou
O próprio imbróglio que envolve o líder petista, Lula, mostra a mentalidade nouveau riche que orientou e, tudo indica, ainda orienta o time da estrela vermelha. Ele tinha e tem recursos próprios, legalizados, para comprar uma cobertura como aquela ou mesmo melhor e mais bem localizada do que aquela, mas, tudo indica, quis provar a si próprio e a sabe lá mais a quem, que é malandríssimo, que é muito mais esperto do que se imagina. Quanto ao sítio, nem se fala. Para que pôr a propriedade do aprazível recanto em nome de laranjas? 

Se for verdade que o líder Lula pensa, ou rumina, assim, o que dizer da influência disso sobre o resto da militância? Os bons exemplos precisam vir de cima, necessariamente, para serem mais eficazes.  

Segundo Noam Chomsky, que já foi um ícone no apoio e defesa dos avanços petistas no Brasil, o PT se perdeu no envolvimento com a corrupção, afunda e arrasta a esquerda junto ao fundo do poço. É lamentável, ainda mais se levarmos em conta como isso se dá.