terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O Rio de Janeiro continua lindo, já os seus governantes...


Considerada uma das cidades mais belas do mundo, o Rio
conta com governantes que não têm dado belos exemplos...
Dizia uma música da década de 1970 (1) que “O Rio de Janeiro continua lindo”. Principalmente quem tem mais de quarenta anos deve lembrar, mas os mais jovens certamente já ouviram falar ou cantar. 

E o Rio continua lindo, ainda hoje, com certeza. Mas, deve muito pouco ao poder político para isso e muito menos ainda aos eleitores que elegeram os protagonistas da situação de calamidade que hoje define o estado e a sua capital.

Os atuais principais governantes fluminenses e cariocas formam um grupo que domina o cenário político há quase dez anos. A esse grupo, os críticos mais exaltados chamam até mesmo de “quadrilha”, mas não daquela de típica das Festas Juninas, é certo. E, felizmente ou infelizmente, se temos o interesse de conhecer alguém no campo político, devemos ouvir com atenção aos críticos, antes de dar ouvidos aos elogios dos amigos e aliados. 

O fato é que, em uma contínua e desastrosa gestão, o time liderado por Sergio Cabral, Eduardo Paes, Pezão e Picciani (incluindo seus filhotes) simplesmente não ajudou em nada a melhorar a vida dos cariocas, mas, tudo indica, conseguiu melhorar bastante a própria vida, pelo menos se levarmos em conta a considerável estreiteza do campo de visão dessa gente e os curtos e medíocres objetivos que costumam tentar alcançar, usualmente vinculados aos lemas da malandragem mais baixa. Esses objetivos, aliás, são facilmente alcançáveis, dependendo apenas da condição de aceitar negociar a própria alma.


Diz-me com quem tu andas e te direi, com certeza, quem tu és 
A lei só vale para os outros 
Cabe aos cidadãos e cidadãs cariocas e fluminenses anotar os nomes listados, para ver se lembram de esquecê-los na hora do voto na urna. Cabe relegar a um profícuo ostracismo esse grupo que comanda a cidade do Rio e o estado há quase uma década e foi responsável por afundar as finanças e transformar, segundo se conta, a prefeitura e os Palácios Guanabara e Tiradentes em balcões de negócios. Tudo leva a crer que esses templos do interesse público foram usados, prioritariamente, para satisfazer interesses pessoais inconfessáveis, dos já citados e dos amigos dos já citados.

Isso sem esquecer que esse mesmo grupo do qual falamos promoveu a perseguição, a agressão e o assassinato de muita gente, incluindo manifestantes, favelados e pobres em geral, utilizando a insana e assassina tropa militar comandada pelo governo.

Em outros termos, tudo indica que os governantes fluminenses e cariocas desrespeitam e humilham a cidadãos e cidadãs, e, quando estes protestam, ainda levam porrada, bomba e tiros da polícia, que foi flagrada cometendo inúmeros delitos, como se os seus agentes estivessem imunes ao cumprimento da lei que exigem que outros cumpram. 


Dentre as estultices que, por incrível que pareça, ajudaram a
eleger e reeleger Cabral, Paes & caterva, estão as tais UPPs,
Unidades de Polícia Pacificadora, a maior das moedas falsas que
financiaram o grupo citado. Afinal, onde já se viu polícia pacificar?
Ainda mais, quando se trata de uma polícia militar, usada para
violentar a cidadania e não para proteger e valorizar o cidadão.

O resultado é o incremento da violência, com a hegemonia das
milícias, grupos de policiais que aterrorizam os moradores das
comunidades pobres cariocas, conseguindo ser piores do que os
bandidos, que, por serem das comunidades, pelo menos as
respeitavam e, não raro, até mesmo investiam nelas. Isso se
perdeu e há denúncias de que os policiais traficam drogas, o
que representaria uma desonra para a instituição policial 
Não basta humilhar, é preciso ainda rir da desgraça alheia
Em situações como a da Vila Autódromo, na qual uma comunidade pobre foi dizimada para dar lugar a condomínios de alto padrão, mas também em outras comunidades, a Polícia Militar, uma tropa de dominação colonial com validade vencida há muito, surrou gente desarmada para satisfazer o grupo citado e, é claro, seus financiadores. Lamentavelmente, a Polícia Militar foi usada para trucidar cidadãos cariocas, enquanto o time de políticos protegia seus interesses e enriquecia, junto aos amigos empresários. 

Ou seja, você deve apanhar calado, ser humilhado e ainda gostar, tudo isso para manter sua integridade física e, em muitos casos, mesmo para continuar vivo, pois que a polícia carioca parece autorizada a matar e a, posteriormente, acusar a vítima pela própria morte.

Isso não é apenas desrespeitar e humilhar, mas principalmente caçoar, gozar com a desgraça alheia, e a única condenação pensável para um delito como esse é a execração pública além de, é claro, os horrores do inferno, mas isso para depois da hora da morte. E não adianta falar em transcendência, pois gente como essa não acredita nessas coisas, somente no valor do dinheiro e nas vantagens que se possa obter materialmente. 

Gente que não parece gente
Investigações feitas já põem o grupo político citado envolvido nos escândalos de corrupção ativa e passiva que enlameiam também o time que ocupa gabinetes no Governo Federal e cadeiras no parlamento. Segundo informações, trata-se de um time ligado a esquemas com empreiteiras, como aquele que parasitou a Petrobras em uma trama que envolve Executivo, Legislativo e poder econômico, sendo que este, tudo indica, é o proprietário da consciência e da alma dos políticos acima citados, bem como de seus áulicos. Segundo informações das investigações da Lava Jato, há pistas levando a uma injeção de R$ 30 milhões nas campanhas de Cabral e Pezão, em 2010. Mas, não apenas isso.

Esse pessoal não parece gente, não parece da espécie humana, a não ser que cultivemos as piores avaliações acerca do que seja ser humano. Os políticos do grupo citado parecem ter mais semelhanças com os parasitas, aqueles vermes que se alojam nos organismos para deles tirar o alimento e as condições de vida, sem dar nada em troca. 


O parasita pode ser a melhor metáfora para definir a mentalidade
do grupo que domina o poder político no Rio de Janeiro de hoje
O organismo parasitado é o seu, que vive no Rio e é taxado e explorado sem que tenha qualquer retorno do que paga. É você que financia os prazeres desse time e é você que paga para manter as coisas desse jeito. É você que apoia os policiais militares que agridem e massacram cidadãos e é você que assume a conta do imbecil espetáculo da Copa e das Olimpíadas, além de outros um pouco menos toscos, como o do grandioso museu construído com pompa e arrojo no Cais do Porto, enquanto boa parte da população vive em condições difíceis e não somente abandonada pelo Poder Público, mas perseguida por este.

E há quem lembre que um dos principais parasitas que ocupam o Congresso é o presidente da Câmara, que é carioca e aliado do grupo citado. Logo, não são apenas os cariocas os parasitados. 

Por fora, bela viola...
Dizem que o que esse pessoal fez durante o tempo em que está no poder, além de ganhar dinheiro, muito dinheiro, foi mostrar o lado quasimodesco, disforme, da alma do carioca e mesmo da alma humana. Lado esse que somente pode ser bem comparado aos ideais torpes da mentalidade fascista e nazista, promovendo ações de “limpeza”, tanto étnica (pois a maioria dos perseguidos e agredidos pela polícia de Cabral, Pezão & Cia é negra), quanto principalmente social, já que o alvo é o mais pobre, esteticamente feio e disforme para os valores burgueses que comandam a mentalidade desprezível desses caras e de seus eleitores fieis. 

Os mais pobres, aqueles que mais precisam de governo, tiveram o Poder Público contra si, de forma virulenta e inaceitável em qualquer país civilizado. Mas, os políticos ligados a essa turma já citada somente parecem civilizados por conta dos ternos, gravatas e perfumes que usam, da mesma forma, e pelos coquetéis que frequentam, nos quais fica claro que não passam de novos ricos, com todos os valores pequenos e sórdidos que os acompanham. E os valores mais próximos à mesquinharia ética e moral do nouveau riche estão claramente ligados às aparências. Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento, reza o sábio dito popular.

Eles gostam de levar vantagem em tudo, certo?
Pezão, Cabral, Paes e Piccianis deviam ter zelado pelo bem público, dado belos exemplos, incentivado a população a levar uma vida com qualidade, promovendo a saúde, tanto no plano físico quanto mental, valorizando os bons pensamentos, os bons atos, a moral e a ética. Mas, fizeram justamente o oposto. Mostraram o quanto um ser humano pode ser desprezível.

É a equipe do “jeitinho”, da malandragem, do “gosto de levar vantagem em tudo, certo?”, a famosa “Lei do Gerson”.


O governador Cabral e o prefeito Paes foram alvos das
manifestações nas ruas cariocas em 2013 e 2014, mas o que
os manifestantes receberam foi truculência policial, cinismo
e a garantia de que o que estava ruim ficaria pior ainda

Mesmo assim, com tudo isso, eles pretendem se perpetuar e ir
mais longe na política nacional (que Deus proteja os brasileiros)
Trata-se de um péssimo exemplo. Como costuma acontecer em muitos casos no mundo político-econômico, há uma inversão grotesca de valores. De um lado, os bandidos mais perigosos para a sociedade, os claramente irrecuperáveis, são recompensados e agraciados pelo Poder Público e, é claro, também pelo Poder Econômico que tem comandado a política. De outro, os menos nocivos, aqueles que muitas vezes nem têm opções a não ser o caminho do desvio de conduta, da delinquência e do crime, são chacinados pelo mesmo Poder Público, encorajado pelos detentores do Poder Econômico, muitas vezes perigosos e nocivos psicopatas, delinquentes assumidos e criminosos contumazes.

Quanto pior, mais lucrativo
Em outras palavras, quem deveria definir suas ações pela proteção a essas pessoas e incentivá-las para que ajam de forma melhor, age de forma oposta e, assim, incentiva-as a serem piores do que já são. É a aposta no pior que gera um lucro maior, desprezando todos os valores humanos, éticos e morais.

A mensagem parece ser esta:
Seja o pior que puder, seja canalha, um psicopata. Faça tudo o que for preciso para se dar bem, porque se você não o fizer, outros estão aí para fazer.
Conheci Sergio Cabral na adolescência e digo que bem posso lembrar como expressava ideias assim, com um inequívoco orgulho mórbido, é claro, por pensar e agir desse modo. Lembro também como conseguiu seus primeiros sucessos políticos usando como lastro a população idosa de Copacabana, local no qual morávamos, e, genericamente, a população idosa de todo o Rio de Janeiro, pois conseguiu assinar uma coluna em um jornal de grande circulação, na qual dedicava toda sua verve demagógica a essa faixa populacional. E lembro, ainda, como prometia mundos e fundos ao pessoal que morava na região onde crescemos, para que as pessoas se engajassem na sua campanha, ainda na década de 1990. 

Beleza natural e monstruosidades políticas
Pelas informações levantadas na imprensa e em outras fontes, parece sensato dizer que Paes, Pezão, os Piccianis e Cabral fazem a apologia da lei da selva, a promoção espontânea do darwinismo social mais cruel, a torpe promoção da barbárie e a tentativa de assassinato de toda e qualquer esperança. 

Trata-se da aposta no pior, sempre. Pois o pior é o que gera mais lucros no mundo das finanças e mais vantagens no mundo dos esquemas políticos, infelizmente.


O Rio de Janeiro continua lindo, é lindo e por mais que se tente destruí-lo, sempre o será. Mas seus governantes são monstruosos e cada vez mais aparentam ser criminosos irrecuperáveis, daqueles que ameaçam mortalmente a sociedade. 

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(1) “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil.

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