segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Quem manda no mundo são os financistas e o resto só costuma perder


O psicopata é um amor de pessoa que, na
verdade, é capaz de qualquer coisa para se
satisfazer; assim, ele cria a sua própria lei
Não é paranoia ou mania de perseguição, garanto. O fato é que o mercado financeiro, ou seja, o conjunto de instituições que compõem o cassino de circulação de dinheiro virtual pelo mundo, manda e desmanda e não Estado de Direito ou Nação que lhes faça frente. Na prática, os governos estão à mercê dessas instituições ligadas às finanças, seja por subserviência por interesses ou por incapacidade de resistir às pressões. 

Se no jogo do cotidiano, entre pessoas, personalidades ou subjetividade, conforme se prefira definir, o assunto que domina as atenções é a micropolítica, ou seja, os acontecimentos e atitudes de cada indivíduo ou pessoa no contexto geral das relações de poder de uma cultura, quando se fala das finanças mundiais, evidentemente o enfoque só pode ser macropolítico, ou seja, as instituições financeiras forçam e determinam políticas econômicas gerais e ampliadas que atendem, prioritariamente, aos seus próprios interesses. Isso, parece óbvio, é um tiro no coração do Estado de Direito e no sistema democrático: não é a maioria que governa, mas uma minoria privilegiada que, ao determinar certas regras, leva vantagem no conjunto geral. 


Crise incrementa o lucro dos grandes e maltrata os pequenos
Muito daquilo que a mídia chama de “crise” não passa de uma estratégia dos grandes financistas para faturar mais e mais. Isso aconteceu antes, dizem que em 1929 e, com certeza, na década de 1990 e, recentemente, na crise de 2007. Não apenas os grandalhões controlam o mercado, logo conhecem antecipadamente como se dará boa parte de seus movimentos futuros, o que lhes garante lucro certo com o prejuízo de todos os demais, como, na sequência, pressionam os governos para que, com aportes saídos dos cofres públicos, lhes socorram as finanças supostamente avariadas, mas não exatamente: no mundo dos jogos financeiros não se contabilizam necessariamente perdas em tempos de crises econômicas, mas as instituições financeiras deixam de ganhar por conta de inadimplências etc. Perdas que os governos se apressam em compensar. Na verdade, não há perdas e quando há elas são infinitamente menores para as grandes instituições financeiras. O usual, porém, é que essas instituições incrementem os lucros em tempos de crise. 

Esse termo, “crise”, deve ser repensado, pois serve para ser usado em dois sentidos: para os pequenos investidores, significa desgraça; para os grandes, euforia. E isso não acontece por acaso, diga-se. No caso da crise de 2007, parece claro que houve uma clara previsão de sua ocorrência, ou mais que isso: a crise parece ter sido meticulosamente planejada e a lógica do subprime garante isso. Essa afirmação pode ser corroborada pelo fato de o subprime poder ser caracterizado como um crédito de alto risco que, quase inevitavelmente, terá problemas em saldar os seus compromissos financeiros e, claro, perderá o bem posto como garantia do empréstimo. 



A regra é ter duas ou mais caras e ser
completamente insensível à dor dos outros:
o indivíduo é a medida de todas as coisas e
realizar os seus desejos é a Lei que vale
Comportamento antissocial
Como a crise do subprime foi idealizada para acontecer em grande escala, muitas famílias ficaram inadimplentes, perderam suas casas e a situação ficou parecida com aquele sistema de pedras de dominó que caem em sequência depois de derrubada a primeira pedra de uma fila. Como os elementos componentes de uma economia com base no capital financeiro estão arranjados de forma integrada, com a famosa “alavancagem” (todos dependem uns dos outros para honrar compromissos), a desgraça de um devedor pode ser trágica para uma série de outros agentes econômicos, como ocorreu inicialmente em 1929 e se repetiu algumas vezes mais tarde. 

De certo modo, há que se pensar em dar razão àqueles que classificam esse “comportamento” das instituições financeiras como antissocial e até mesmo obra de uma quadrilha. O fato é que tudo leva a crer que esses movimentos das finanças são integrados e que os lucros conseguidos acabam sendo destinados para poucos, mas com a ajuda de muitos. Bancos de investimento, agências reguladoras, grandes empresas, especuladores etc. agem, todos, de forma mais ou menos harmoniosa e acabam lesando quem menos tem e quem está mais indefeso. O ganho dos grandes financistas significa perda para todos os demais. 

Psicopatas têm privilégios
Não é à toa que os cientistas da subjetividade classificam a psicopatia (ou sociopatia) como a patologia característica destes tempos de hegemonia das finanças...

Com a desregulamentação que chegou com a adoção da mentalidade neoliberal a realidade ficou cada vez mais cruel para os mais pobres e sem limites de poder para os mais ricos. E parece não haver muitas perspectivas de que isso melhore para nós, que não somos financistas ou psicopatas, nem gostamos de lucrar sobre a desgraça dos outros. 

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