terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Petistas prestigiam Cunha e representam, hoje, a desesperança e o desencanto com a política


Ironia: o slogan de 2002 foi deturpado
e o PT é, hoje, o ícone da desesperança
Bastou o deputado Eduardo Cunha bater o pé para os petistas correrem a ajudá-lo: a ele, um dos sujeitos mais aéticos que já ocuparam a presidência da Câmara dos Deputados brasileira. O desespero de Cunha é grande e sua ausência de escrúpulos quando sente a água bater na bunda é notória. Se perder o mandato, certamente estará, em menos de uma semana, atrás das grades, creio que merecidamente. Mas, o pessoal do governo não pensa assim e age de forma tão aética quanto Cunha e outros que, antes, eram torpedeados pelos petistas éticos (ou que aparentavam sê-lo).

Como se não bastasse ter mentido quando disse que não tinha contas no exterior e como não bastasse terem descoberto as tais contas, ainda tem a história dos R$ 45 milhões que teria recebido do banco BTG Pactual para mexer numa Medida Provisória e beneficiar o banco. Uma vergonha, um escândalo de virar o estômago. Mas, Cunha se diz inocente e acusa o Palácio do Planalto: é o esfregão falando do pano de chão. 


Parece que os petistas perderam definitivamente a vergonha e o medo e é quase certo que levarão uma lavada nas próximas eleições. Assim, entram na filosofia da “calça de veludo ou bunda de fora” e tentam tudo para preservar, pelo menos, os três anos que lhes restam no poder. A impressão que dá é que ainda esperam poder defender uns trocados até 2018... 

Que me desculpem os antigos companheiros, mas, apesar de sermos obrigados a compreender a tal preocupação com a “governabilidade” (Cunha ameaça com o impeachment de Dilma), há momentos na vida em que é necessário mostrar certa dignidade. Mas, tudo indica que esse termo foi riscado há muito tempo do vocabulário dos que ocupam o poder no Brasil. A ordem é ser malandro e o modelo é o da psicopatia, o popular “distúrbio de comportamento” que, de tão comum nos meios políticos, não pode mais ser considerado um distúrbio ou uma exceção, mas a triste e cruel regra que ordena as negociações de parlamentares, membros do Executivo e, é claro, grandes empresários. 

É duro, lamentável e triste ver o que aconteceu com o PT. Nascido em 1980, com a perspectiva de representar “a” diferença na política nacional, mostra-se, agora, igual a tudo o que criticava e combatia. De certo modo, o PT é, hoje, o símbolo da desesperança. Irônico dizer isso, pois em 2002, muito se dizia, quando da eleição de Lula, que a esperança tinha vencido o medo... 

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