segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Bolsa Família é completamente desnecessário para a elite econômica brasileira

Rogério Galindo, jornalista que tem coluna no portal do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, publica artigo que toca em um tópico importante da realidade que envolve o governo e os brasileiros mais pobres: o benefício chamado “Bolsa Família”, que existe para complementar a renda dos brasileiros que se equilibram na linha da miséria, ora caindo para lá, ora para cá, mas sempre ajudados por esse benefício, cujo valor é de R$ 77. 

Para falar desse benefício e da forma delirante e truculenta pela qual as elites brasileiras pensam a realidade dos mais pobres, Galindo utiliza uma personagem um tanto desconhecida da vida política nacional e mesmo paranaense, a deputada estadual Maria Vitória, que é filha do deputado federal Ricardo Barros, que foi algumas vezes prefeito de Maringá e cuja família tem enorme influência na cidade, e de Cida Borghetti, que é vice-governadora do Paraná. 


Dar o peixe ou pescar, o falso dilema dos que querem que o pobre se f...
Maria Vitória não é uma deputada daquelas que mereça menção por algo brilhante que tenha feito ou dito (ainda, mas esperemos que isso algum dia aconteça), pelo menos até agora, nem, da mesma forma, por ter cometido algum ato terrível ou escabroso (isso, nós torcemos para que não aconteça). Simplesmente, é uma novata na política e que, dizem, nem demonstra muito tino para a coisa. Simplesmente tem uma família quente na política e provavelmente não conhece nem a realidade paranaense, muito menos a brasileira. Seria, pelo que se sabe, uma parlamentar mediana ou, como diriam alguns, medíocre mesmo, ou seja, fica na média, algo inexpressiva. 

Eis que, não se sabe de onde, surgiu nela a ideia de se manifestar sobre as questões nacionais e esse manifesto acabou sendo contra o Bolsa Família. Segundo a deputada, o governo está dando o peixe, não ensinando a pescar. 

Ora, só o fato de usar essa velha frase surrada e batida já demonstra que Maria Vitória talvez não tenha nada de útil a dizer no caso. Mais: Galindo chama a atenção para o desconhecimento da natureza do programa, por parte da deputada, e, mais ainda, desconhecimento da realidade das famílias pobres no país. Ela diz que boa parte dos beneficiários do programa tem outra fonte de renda, o que significaria que ninguém ficaria na miséria. Ela, bem afirma Galindo, parece não saber o que diz. 

Falta de solidariedade alimenta o ódio
O jornalista, que tem publicado excelentes análises de fatos políticos, pequenos e grandes, na sua coluna, explica para Maria Vitória que o Governo Federal dá a essas pessoas apenas R$ 77 por mês. Pode ser algo próximo do que Maria Vitória, seu pai ou mãe gastam, cada um, por hora no cotidiano: é uma mixaria que, no entanto, somada à outra renda (aquela que a deputada diz salvar os beneficiários do Bolsa Família da miséria, mas que, pelas regras do programa, não pode passar de R$ 385, para cinco pessoas), eleva a qualidade de vida de uma família sem recursos. 

Na verdade, a deputada citada tem o que dizer sobre o assunto e o que tem a dizer não difere em nada daquilo que a maioria dos membros da elite econômica e política brasileira pensam. Ela pensa da mesma forma que a maioria dos ricos do país, que não costumam demonstrar qualquer solidariedade com os menos afortunados, muito pelo contrário. E, provavelmente, da mesma forma a deputada deve se assustar com a violência urbana, que é alimentada em grande parte por essa forma estúpida e pouco nobre de pensar. 

Essa ausência de solidariedade é, claramente, uma das maiores incentivadoras do ódio que os mais pobres acabam nutrindo por seus compatriotas mais endinheirados e ajuda a entender certos atos bárbaros. Todos nós sabemos que há e sempre haverá algum nível de diferenças e desequilíbrios na distribuição e posse de riquezas em um país ou mesmo no planeta. A questão pode, no máximo ser remetida aos parâmetros de uma menor ou maior diferença, conforme o país e o seu grau de desenvolvimento socioeconômico. 

Elite se sente mais merecedora de atenção do que todo o resto
Ninguém em sã consciência acredita que essas diferenças terminarão com o Bolsa Família ou com qualquer outro programa governamental, nem mesmo que a idealizada revolução socialista ou comunista (na qual muitos apostaram e continuam apostando, ainda que essa tal revolução aparente estar com data de validade vencida), terminará com os desequilíbrios. E, falando em desequilíbrio, cabe lembrar que o valor do Bolsa Família é apenas algo em torno de 0,4% do salário de um deputado estadual paranaense. 

O que percebemos, porém, é que os mais aquinhoados se entendem mais gente, mais humanos, mais merecedores de benesses do que os pobres. Por isso, sentem que podem fazer o que quiserem contra estes, ou, pior, podem mesmo dispor da vida destes ou mesmo exterminá-los sem muita culpa. O que trará maiores problemas será, nessa ótica, decidir se o extermínio será lento ou rápido. E, infelizmente, a decisão pode não levar em conta empatias ou simpatias, mas observações quanto a como levar vantagem na relação custo-benefício. 


PS: Compreender a importância de um programa de abrangência social como o Bolsa Família não significa total ou parcial apoio ao governo atual, que tem acertos, como a implementação de programas sociais, mas acumula erros gravíssimos, como os apontados por Noam Chomsky (ler publicação neste blog): a corrupção e a falta de investimentos na organização política da sociedade, tendo as suas ações praticamente se restringido ao incentivo ao consumo. Além do mais, o Bolsa Família nasceu nos tempos tucanos, quando o presidente era Fernando Henrique Cardoso e a primeira-dama Ruth comandava essas iniciativas.  

==========================================

Clique aqui para ler a matéria de Galindo.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário