segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Lugares comuns fornecem lama para discussões derrapantes


"Vivemos em um mundo no qual há cada vez mais informação
e cada vez menos sentido", dizia o sensato Jean Baudrillard 
No Jornal da Globo, às 7h37 de hoje (29/15), o jornalista Chico Pinheiro diz que enquanto os postos de saúde e hospitais estão na penúria, deixando de atender às pessoas que os procuram, os gabinetes políticos estão muito bem, obrigado, com pompa e luxo. Chama a atenção para o fato de que o poder público pode e deve realocar recursos para equilibrar essa situação, mas nada disso acontece. Logo, embora haja quem diga que isso é pura demagogia “global”, trata-se de uma verdade irrefutável que sugere um bom tema para reflexão e discussão. 

Gato por lebre
Importante é entender que a revolta com os ocupantes de cargos políticos é grande, cada vez maior. Como já lembrou o sábio Jean Baudrillard, parece que os políticos são os Judas da atualidade e se prestam com relativo prazer a isso. Prazer sadomasoquista, é claro. 

Num certo sentido, a conivência com a situação injusta é grande e todos, inclusive o cidadão comum, aquele que teoricamente é ameaçado e o que mais sofre com a realidade cruel da desigualdade de justiça e de riquezas, contribuem para deixar as coisas como estão. Não o acuse, porém. Há uma estrutura tão engenhosamente montada que todo aquele que pensar em divergir sofre todas as consequências possíveis da iniciativa de remar contra a maré. A confusão conceitual é grande e, não raro, tem-se comprado gato por lebre com excessiva frequência. 

Idiotia em alta
É preciso prudência para encontrar guias de balizamento para uma discussão efetivamente política que seja profícua. Boa parte das conversas em torno dessa temática corre o risco, inevitavelmente, de chafurdar na lama dos lugares comuns. E isso acontece com muita frequência. 

De certo modo, como sugeriu Nelson Rodrigues, não sem algum lamento, a ascensão espantosa e fulminante da idiotia é real e inegável desde o século XX. É preciso pensar sobre isso e, mais que tudo, aproveitar cada oportunidade para enriquecer o debate. 

Transcender 
Quero dizer, ou sugerir, que apesar dos políticos serem efetiva e objetivamente responsáveis pelas injustiças, parecem servir a princípios e lógicas que os transcendem e que, acima de tudo, é importante incluir essa transcendência no debate.

Aparentemente, em um mundo marcado pela idiotice é insensato tratar idiotas como sábios ou mesmo crer que idiotas são responsáveis por seus atos. 

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