quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Conferência de Saúde é interrompida para dar lugar a clamor contra impeachment


Dilma surgiu repentinamente na Conferência, que deixou de
tratar da Saúde Pública para se transformar em pajelança 
Há alguns dias, tomei ciência de que a participação da presidente Dilma Rousseff na 15ª Conferência Nacional de Saúde (15ª CNS) significou o encerramento precoce do evento, sem que pudesse ser realizada a Plenária Final, na qual as propostas que não obtiveram unanimidade nos grupos de trabalho. Ou seja, em termos claros, a Conferência acabou antes da hora, foi, segundo informações, encerrada pela máquina governamental empenhada na defesa do mandato da presidente (ninguém me relatou que foi decisão espontânea dos delegados presentes) e, pasme, delegados eleitos em seus estados, pagos com dinheiro público para ali estar e discutir a saúde brasileira e o Sistema Único de Saúde (SUS), chegaram a apanhar dos seguranças do evento e da Presidência, com muitos sendo impedidos de entrar no auditório onde deveria se realizar a Plenária Final. Houve, do outro lado, os delegados que foram eleitos para discutir a saúde e o SUS, mas abandonaram a tarefa e foram aplaudir Dilma e clamar que “não vai ter golpe”. 


Golpe de quem, pergunta um delegado ultrajado. "Sim, porque encerrar uma Conferência Nacional de Saúde para fazer política partidária é um golpe, e duro, na Saúde Pública. Ou não?", afirma e pergunta. 

Saúde ficou em segundo plano
Já disse, mas é preciso frisar: pelos relatos que ouvi e li, é difícil crer e dizer que a interrupção da Conferência tenha sido algo nascido do coração dos delegados presentes, embora alguns veículos noticiosos tenham passado essa ideia. Todos os relatos de minhas fontes dão conta que houve uma intervenção, segundo eles, autoritária. Mas, é claro que havia os delegados pró-Dilma e, certamente, havia os anti-Dilma. Logo, a decisão autoritária agradou a uns e desagradou a outros. 

Ouvi relatos de quatro pessoas diferentes, que foram surpreendentemente semelhantes. Quem esteve na Conferência disse que o clima foi o pior possível e, segundo uma fonte, houve, em uma delegacia policial, vários registros de Boletim de Ocorrência, o popular BO, por conta de agressões sofridas durante o evento. Todas as minhas fontes lamentaram o fato de que o objetivo do evento não foi alcançado por conta daquilo que usualmente se costuma chamar de “politicagem”. As propostas não foram votadas na Plenária Final e isso é grave, muito grave, me disse uma fonte quente. 

Compreendo que a Saúde Pública deve estar acima de partidos ou governos, mas não parece ter sido isso que se viu na 15ª CNS. 

Bandidos ou heróis? 
Sei de gente bem informada que afirma, sem rodeios, que o grupo que ocupa o Planalto vem substituindo o Estado pelo governo, isto é, está fazendo com que a máquina pública funcione para si e não para a população. Foram nomeados mais de cem mil comissionados e setores fundamentais do Estado têm sido aparelhados para servir a esse grupo. Quando se fala em substituição do Estado pelo governo se quer dizer que uma instância superior a todo e qualquer governo ou cidadão, o Estado, que deve servir a todos, sem distinção, está sendo ocupado por agentes de um grupo ou partido e, assim, servindo prioritariamente a eles, que usam a máquina para obter vantagens pessoais, seja em favores oferecidos a militantes e eleitores, numa forma de comprar consciências, seja extraindo diretamente do erário uma fatia em proveito próprio, como aconteceu no caso Petrobras, cuja investigação da Polícia Federal se chama “Lava Jato”. 

O grupo que ocupa o governo brasileiro perdeu o rumo, dizem alguns. É uma quadrilha, dizem outros. E há quem afirme que são heróis, comprometidos com as causas e os movimentos sociais. Tire você suas conclusões. 

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