quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Começou a novela do impeachment


Entre tapas e beijos constrangidos, Dilma e Cunha entram
em guerra: devem cair abraçados, dizem os entendidos.
Renan Calheiros e Lula terão sua vez, juram alguns analistas
Em fevereiro, Eduardo Cunha, o atual presidente da Câmara dos Deputados, tomou posse do cargo e seus correligionários comemoraram bastante. Alguns disseram, levantando seus copos e com a boca cheia de caviar, que Dilma cairia em, no máximo, nove meses. Isso não aconteceu, como se pode perceber, mas, em compensação, mal acabou novembro e o acuado Cunha, ao ver o abismo chegar próximo demais, iniciou o processo de impeachment da presidente. 

A previsão, no entanto, independente de datas, sempre foi a de que Dilma não terminaria o mandato e isso parece seguir rumo à concretização. Embora não se possa afirmar que o processo de impeachment vá chegar ao final com a deposição, essa é uma possibilidade que deve ser seriamente considerada. Ainda mais que, no caso, quem assume é o vice, Michel Temer, político muito bem relacionado, sereno, quase um homem de gelo, com modos de lorde inglês e líder do maior partido do Brasil. A aposta é que o PMDB não vai deixar escapar essa chance. 


Dilma foi à TV e se disse indignada, não resistiu à tentação nefasta de encher de alfinetadas o presidente da Câmara, como já, aliás, havia acontecido antes. Isso não adianta, alguém deveria lhe dizer, só piora as coisas. 

Cunha é um sujeito competente. Já disse, aqui mesmo no blog, que se usasse seus poderes para o bem, seria um herói, um super-herói, quem sabe chegasse a presidente. Mas, tudo indica que malandro demais se atrapalha e Cunha se excedeu na tentativa de ser mais e mais esperto. Isso é pecado. 

Perdas e danos
A situação do presidente da Câmara é pior que a de Dilma. Deve perder o mandato e, assim, tudo indica que irá ver o sol nascer quadrado em Curitiba. Parece estar enredado até o pescoço em mentiras e corrupção. No futuro poderá ser utilizado como exemplo de arrivismo, como modelo do sujeito que não encontra medidas morais ou éticas quando quer alcançar um objetivo. 

Dilma sai, pode ficar inelegível, mas isso não importa muito. Não é política profissional, só foi presidente porque o destino lhe pôs na cauda do cometa Lula e, na reeleição, porque apelou para o sentimento de terror e jurou que se caísse o PT, subiriam os maléficos tucanos e o povo perderia seus aliados no Planalto. Foi uma campanha feia, fascista e mentirosa. O PT se manteve no poder, mas claramente por conta de um estelionato, pois mal venceu, Dilma fez exatamente o oposto do que propôs na campanha.

De todo modo, temos à frente tempos de emoção e de incertezas, que certamente tornarão a falta de dinheiro mais acentuada. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário