quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Choro contido

Quando criança, chorava quando sentia dor,
fosse dor física ou emocional, 
concreta ou etérea, quero dizer,
queimando na pele do corpo ou da alma. 

O fato é que eu chorava. 

Hoje, adulto, maduro, segundo dizem
é preciso muita dor, muita dor,
muita dor mesmo, dor demais
para me arrancar algumas lágrimas. 

Isso, quando há lágrimas, 
quando o choro não é seco, 
contido, apesar de convulso. 

Assim, penso: 

Me transformei num dique de lágrimas?
Daquelas lágrimas que não escorreram,
que não marcaram o rosto nem molharam os olhos?

Pode ser, pode realmente ser...

E, nem assim, nem sabendo disso, nem conhecendo os riscos, 
nem percebendo o quão triste é não ser capaz de chorar,
nem assim consigo ensaiar um simples e sincero choro. 

Mas, de que são feitas as paredes do dique?
que material é tão resistente a ponto de conter
tantas lágrimas e tanta emoção verdadeira?

O dique é a imagem de minha frágil fortaleza, 
suas paredes foram construídas por minha arrogância,
com o material extraído de todas as decepções,
as que já tive e as que ainda tenho a certeza de que vou ter. 

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