segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Os robôs já estão entre nós

Os robôs estão tomando o lugar dos humanos e, é claro, inúmeros humanos passam a ser dispensáveis, cada vez mais. Isso parece coisa de filme de ficção científica, mas não é. Há muito a tecnologia representa a desgraça para um monte de gente e vai expulsando trabalhadores de baixa qualificação com velocidade crescente. Não apenas os de baixa qualificação, claro, mas esses são os primeiros na lista de degola. 

Texto de Antonio Martins, o editor do portal Outras Palavras, datado de 5 de novembro de 2015 (1), diz que está próximo o dia em que chapeiros, cuidadores de idosos, analistas de crédito e outras profissões ou funções penosas, subalternas ou maçantes, serão substituídos por robôs. Um cuidador de idosos, ou seja, um ser humano que se dedica a minorar o sofrimento de outro ser humano, ser um robô me parece estranho, mas tudo é possível. 



Quando a ficção antecipa a realidade:
no seriado "Lost in Space", produzido
na década de 1960, um robô já era
parte integrante da família Robinson. 
Hoje, há quem diga que seria difícil,
numa foto como essa, distinguir um
espécime humano de um autômato.
As "pessoas", segundo se diz, não
são robôs de ferro ou aço, mas agem
como se estivessem mecanizadas.
Nós, robôs
Tudo é realmente possível, ainda mais se atentarmos para um paradoxo: do modo como se organizam as comunicações e a cultura nas sociedades que conhecemos, não é exatamente absurdo dizer que os seres humanos, apesar de serem feitos de carne, osso, sangue, músculos etc., têm sido tratados e se comportado como robôs, “robotic puppets”, disse uma vez Slavoj Zizek. 

A noção do ser humano robotizado pertence a uma lógica que compreende que o ser humano é outra coisa, um centro de racionalidade, criatividade e liberdade, como se entendia no Século das Luzes. Nesse vértice, se o ser humano não é isso (se não pauta seus pensamentos e atos pela racionalidade, se não demonstra exatamente criatividade ao fazer escolhas e ao se definir, já que, aparentemente, as definições de identidade vêm prontas, e se, assim, não se pode dizer livre, a não ser ilusoriamente), então trata-se de um boneco animado, robotizado, repetindo frases e ideias prontas como se fossem novidades. 

De certo modo, então, a substituição de humanos por robôs já aconteceu, ou, mais precisamente, já vem acontecendo há algum tempo. 

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(1) Automação: a ambígua Revolução dos Robôs

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