segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O problema não é comer bacon, é só comer bacon


Se você sente vontade de mergulhar neste mar de bacon, cuidado. 

 “Não podemos criar neuras. A questão é balancear a dieta. Nada é tão bom que possa ser comido muito nem tão ruim que nunca deve ser comido. O legal da nutrição é comer de tudo um pouco, ter equilíbrio e comer alimentos de todos os grupos sem exagerar nem deixar de lado”.
Presidente do CRN-8, Mila Daudt Von Der Heyde




A Organização Mundial da Saúde, no começo da semana, incluiu o bacon, a salsicha, linguiça, presunto e outros embutidos na relação de produtos que podem causar câncer. Segundo matéria jornalística de jornal paranaense, o pessoal que vive de comer isso ficou alerta. Sim, o objetivo parece ser esse, mas é preciso ponderar algo.


O problema não é, claramente, comer linguiça ou bacon. Mas que há quem somente se “alimente” com coisas do tipo. Pior: conheci pessoas que sobreviviam comendo diariamente em fast foods, o que me deixava perplexo. Imagine somente se “alimentar” com plástico e isopor durante muito tempo. E imagine que o plástico e o isopor ainda contêm uns produtos químicos por dentro, para conservar, melhorar o sabor, muitas vezes procurando incentivar o paladar a gostar de determinado gosto, amaciar etc. 

Imaginou? Pois existe gente que sobrevive apesar de tudo isso. Mas, a questão é que isopor e plástico, por mais saborosos que possam ser, não foram feitos para alimentar. Logo, a médio e longo prazo, a má alimentação, ou a quase ausência dela, levarão inevitavelmente a problemas, muitos problemas que, muitas vezes, aparecem em cadeia. O que faz hoje, repercutirá amanhã, pode ter certeza. 

Lista negra
Para a OMS, os embutidos entram no grupo em que já estão os alimentos processados, que são os alimentos industrializados, que são obtidos de forma artificial, embora tenha sido alguma matéria prima natural que lhes deu origem. Além dos ultraprocessados, é óbvio, aqueles que uma matéria da revista Super Interessante definiu, como os “alimentos que perderam a alma”, ou seja, não alimentam. Biscoitos, bolos, sopas “de saquinho” e quase tudo o que você compra em um supermercado naquela seção em que há estandes refrigerados (mas, não apenas) ou come em um fast food desses com padrão estadunidense. 


Quanto mais colorido for o seu prato, mais nutritivo
 e saboroso ele será, diz quem entende do assunto
Agora, você não precisa ficar apavorado se comeu ontem algo desse nível. Nesse grupo, estão os produtos que possuem potencial cancerígeno quando consumidos em grandes quantidades. Em grandes quantidades, repita-se. 

Não se apavore, mas não perca o controle
Não é necessário, assim, ajoelhar sobre vidro se você tem, uma vez ou outra, aquele impulso de entrar num fast food e se alimentar de coisa nenhuma, mas saborosa. Isso é normal e sempre temos que lidar com coisas do tipo. É como diz a música de Carlos Sandroni, cantada por Clara Sandroni: “Não adianta mentir pra mim mesma, ficar me enganando, tentando dizer que nunca na vida eu gostei de pão doce”. Não adianta se enganar e não adianta muito se punir. Não é o caso. 

Mas, atenção! Uma grande quantidade nem sempre se mede diretamente em toneladas. Veja que se você consome, diariamente, 50 gramas de carne processada, a OMS diz que isso aumenta o risco de câncer colorretal. Cuidado com a persistência em comer porcarias. Quando aquele impulso de comer hambúrguer e batatas fritas passa a ser frequente, há algo errado e o rumo tomado não é promissor. Com certeza, mais adiante, haverá algo mais errado ainda.  

Pantagruel é o herói de um romance de
François Rabelais "Os horríveis e
apavorantes feitos e proezas do mui
renomado Pantagruel, rei dos dipsodos,
filho do grande gigante Gargântua",
publicado em 1532. Pantagruel é
um boa-vida, alegre e glutão.
No folclore bretão, é o demônio
que joga sal na boca dos
bêbados para que bebam mais. 
Sem exagerar nem deixar de lado
A presidente do Conselho Regional de Nutricionistas da 8.ª Região (CRN-8), Maria Emília Daudt von der Heyde, usa de sensatez inusitada em tempos em que há muita histeria e pouca argumentação quando se fala de qualidade de vida e ambiental. Ela lembra que o fator a ser considerado não é comer embutidos ou processados, doces ou salgados: 
“Não podemos criar neuras. A questão é balancear a dieta. Nada é tão bom que possa ser comido muito nem tão ruim que nunca deve ser comido. O legal da nutrição é comer de tudo um pouco, ter equilíbrio e comer alimentos de todos os grupos sem exagerar nem deixar de lado” (Link).
Sábias palavras, amarradas com uma orientação preciosa: consuma os embutidos, mas esporadicamente. Coma mais frutas e verduras, diz ela, digo eu e todo mundo que sabe o que diz. 

Mas, resumindo, não precisa comer somente coisas que alimentem, embora a maior parte do que você come deve lhe alimentar. É simples, não complique. 

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