terça-feira, 3 de novembro de 2015

No DF, emissora e jornalista são condenados por divulgar informação incorreta

Informa o portal Comunique-se que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou um jornalista e sua emissora a desembolsar R$ 10 mil por conta de uma reportagem infeliz. Nela, provavelmente a título de apimentar o fato, ou por informação inadequada (ou por ambos os motivos), o jornalista afirmou que um sujeito que se envolveu em um acidente de trânsito teria fugido do local do acidente sem prestar socorro. Isso, segundo os autos do processo, não aconteceu e o sujeito entrou com uma ação contra a Record e o seu apresentador. 

A reportagem apareceu num telejornal chamado “Balanço Geral DF”. Não conheço o programa, mas parece ser um daqueles produtores, reprodutores e emissores de fait divers com ênfase nos acontecimentos do cotidiano, quem sabe com reportagens policiais sensacionais e, quase com certeza, tendendo a dar espaço ao bizarro. É praxe. 


Precisamos de um jornalismo correto na apuração
A decisão vem a calhar para dar um alerta ao jornalista que divulga informações incorretas e tendenciosas, o que acontece muito nos casos que envolvem crimes ou delitos. Já prestou atenção para o fato de que, com raras exceções, bandido pobre é tratado como bandido e bandido rico é tratado como suspeito? Já pensou se todos os que são apresentados como traficantes mortos em confronto com a polícia nas favelas são, efetivamente, traficantes? Já observou que a vida de muita gente é destruída por irresponsabilidades diversas apresentadas pela imprensa? 


Precisamos de um jornalismo correto, que realmente apure e noticie o fato e que possibilite que nós, cidadãos, possamos refletir sobre a realidade. Não precisamos de um jornalismo que, prioritariamente, tente todo o tempo nos emocionar, seja para a indignação e a raiva, seja para a ternura e a comoção. 

Não sabemos se trata-se do caso da emissora e do jornalista condenados, talvez tenha havido plena e integral boa-fé em uma informação considerada “quente”, mas que gelou a reputação de muita gente. De todo modo, fica o alerta para que se enfeite menos a notícia com a busca emoções baratas que caracteriza alguns programas que são chamados de “jornalísticos”. 

É preciso, primeiro, checar, não chocar
Sempre é preciso, no entanto, observar que os critérios de veracidade ou falsidade não podem ser precisados adequadamente para todo e qualquer caso. No acontecido em DF, tudo indica, segundo o que pude averiguar, que pode ter havido a infelicidade de divulgar uma informação não checada, mas chocante, e que, como agravante, dizia respeito a um dos envolvidos no fato e que, acima de tudo, lhe trouxe prejuízos morais e todos os outros que advêm destes. Esse cuidado o jornalista deve ter: não prejudicar ninguém por conta de boatos ou informações erradas. 

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