segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Muitas opções para nenhuma escolha

Você vai ao mercado e fica feliz porque tem à disposição uma série considerável de marcas para escolher. “Isso, graças à livre concorrência”, diz o seu amigo economista, com sorriso de sabe tudo. Esqueça. Ele é um idiota ou um canalha, nada mais que isso. Um idiota: se acreditar no que diz; um canalha: se disser isso sem acreditar tentando lhe convencer do absurdo. 

Não há escolhas, ou, mais precisamente, há muito poucas escolhas. Você olha as prateleiras ou gôndolas do mercado e, se for investigar, descobre que boa parte das marcas disponíveis são apenas rótulos diferentes para produtos do mesmo fabricante. 


Por trás dos rótulos, a mesma droga
Marcas diferentes para produtos do mesmo fabricante
Se quiser comprar algo para beber, pode escolher entre uma Coca-Cola, um copinho de Matte Leão, um suco Del Valle, água Crystal ou um energético Powerade. Tudo isso é produto da empresa Coca-Cola, não se iluda. Se há diferenças entre um e outro produto, estas dizem respeito a especificidades. A lógica de composição do sabor e dos elementos nutritivos é muito parecida e a destinação do dinheiro que você gastou cai no bolso dos mesmos magnatas, que parecem te enxergar não como uma pessoa ou um cidadão (ou cidadã), mas como um consumidor. 

E se você gosta de beber aquele "líquido" (1) que os bares vendem com o nome de "cerveja", pode ter certeza de que está consumindo um produto da Ambev, que detém o controle sobre as seguintes marcas: Brahma, Antarctica, Skol e Bohemia. Isso somente para citar o que sei, pois deve haver outras. 

Na seção dos chocolates você encontra a mesma realidade. A empresa Mondelez tem a marca Lacta, que tem inúmeros rótulos, com diferentes sabores, liderando o ranking. Mas, há a Nestlé e a Garoto, que é propriedade da Nestlé, competindo com boas fatias do mercado. E por aí vai. 

Relações incestuosas unem governo e grande capital
O texto “Consumo: as falsas opções do brasileiro”, publicado no portal Outras Palavras, traz mais informações e, principalmente, nos fornece um dado interessante: o governo petista, desde Lula, vem incentivando exaustivamente a concentração de capital, favorecendo as grandes empresas, que engolfam as pequenas e tornam o mercado propriedade inexpugnável do grande capital. 


Na cabeça, ele usou o boné do MST. Mas
vestiu a camisa das grandes empresas
O jogo duplo de Lula, Dilma e suas trupes está claro desde o início. Embora não se possa negar que houve programas sociais que ajudaram bastante gente, o que é elogiável, a balança da justiça social não tendeu para os mais necessitados. Estes ganharam, mas os mais ricos ganharam mais ainda. No caso da Petrobras, investigado pela Polícia Federal e pela Justiça sob o nome de “Operação Lava Jato”, isso ficou claro, ou seja, ficaram bem nítidas as relações incestuosas entre o governo e os grandes empresários, os grandes capitalistas. 

O jogo citado não difere fundamentalmente do jogado pelos governos tucanos, na década de 1990 e início do século XXI. Não se iluda. Desde a posse de FHC que tudo muda para se manter sempre igual.

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(1) Há quem chame a essas cervejas "mijo gelado", porque a qualidade do sabor é realmente deplorável, um verdadeiro mau gosto. Para quem pensa assim, não é absurdo afirmar que aquele ou aquela que "enche a caveira" com esse líquido, o faz por descuido, falta de opção ou baixa estima. Há quem pense diferente, é claro, mas a tentação de dar razão aos críticos dessas marcas de cerveja é grande. 

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