terça-feira, 10 de novembro de 2015

“Bolsa Empresário” denuncia falácia da distribuição de riquezas

Um governo de esquerda, ou seja, segundo a conceituação proposta por Norberto Bobbio, um governo que deve, ou deveria, agir segundo a lógica da distribuição de riquezas, deve, ou deveria, agir segundo a lógica da distribuição de riquezas. Ou não? 

O governo brasileiro está nas mãos de um partido que se intitula dos trabalhadores, todos nós sabemos disso muito bem. Como tudo na vida, esse governo tem coisas boas, realizou maravilhas, acertou em muita coisa, mas, por outro lado, também tem seu lado mau, fez muitas besteiras e errou em demasia. Isso também ocorreu com os governos anteriores e, numa comparação rápida, ainda podemos classificar o governo petista de um pouco melhor do que o dos tucanos, embora as diferenças entre um e outro sejam milimétricas, pois fundamentalmente e estruturalmente ambos os governos procederam de forma muito semelhante. 

Mesmo rumo
Foram os tucanos que criaram as “bolsas” que o governo petista popularizou, por exemplo, e medidas estruturalmente nefastas, como a isenção de imposto para o montante que as empresas distribuem aos seus sócios e acionistas, foram criadas no tempo do tucanato e mantidas no governo petista. A dívida pública, elevada durante o tempo de FHC, foi quintuplicada por Lula e, aparentemente, se transformou num rombo no casco que depaupera o Estado brasileiro, além de, segundo denúncias, abrigar, sob sua rubrica, um esquema propício a vazar o tesouro. 

Em resumo, desde 1995, ano da posse de FHC, que o Brasil está no mesmo rumo, embora com variações de percurso, é claro. 


R$ 300 bi para alguns amigos, 10% disso para todo o populacho
O mais importante é que ambos os governos distribuíram renda de forma prosaica, tirando do meio da pirâmide para distribuir acima, bastante, e abaixo, um pouquinho. Em outros termos, embora a propaganda petista em 2014 tenha falado em ter tirado milhões da linha da pobreza, houve, paralelamente, um enriquecimento de uma casta. 

Matéria do jornal curitibano Gazeta do Povo dá conta de que o gasto com a chamada “Bolsa Empresário”, ou seja, as isenções fiscais oferecidas a empresas, chega a quase R$ 300 bilhões só neste ano de 2015! Os gastos com os programas sociais talvez cheguem a uns R$ 30 ou R$ 40 bilhões... Isso é que é distribuir renda? 

E não esqueça que, em 2015, aproximadamente R$ 1,5 trilhão escoará no ralo da dívida pública. Ou seja, dinheiro seu que está sendo repassado para o mercado financeiro. 


Há quem diga que o BNDES se transformou no caixa dos
amigos do governo. O fato é que o banco "social" parece
ter sido usado para satisfazer desejos privados... 
Concentração se mantém inalterada
Enquanto isso, o governo de esquerda deu, após eleito no ano passado, uma guinada radical para o lado oposto, isso dito por petistas históricos, como Paul Singer. Segundo este, a virada é justificável, mas não aceitável, pois Dilma teria tentado seduzir a “burguesia nacional” para que não parasse de investir e mantivesse o ritmo econômico. O fato é que, desde 2003, a concentração se manteve e, em muitos casos, cresceu, embora as aparências mostrem o oposto. Mas, as aparências mostram o que querem para enganar você melhor. 

Emblemática dessa concentração é a Bolsa Empresário, é o uso do BNDES para satisfazer os amigos do governo (os amigos ricos) e a farra da Petrobras. Enquanto o pobre leva os R$ 70 ou R$ 100 de alguma bolsa, o grande capitalista abocanha R$ 70 ou R$ 100 milhões... ou bilhões, conforme o caso. 

Se você ainda não entendeu, explico: em vez de desconcentrar a riqueza, os governos tucanos e petistas a concentraram. Andam de mãos dadas, apesar das rusgas. 

Sala de espelhos
Com a oposição PSDB x PT, o país só tem a perder. Ambos são iguais, ou muito semelhantes e fazem a mesma política medíocre e suja. A surpresa é ver alguns “companheiros” fazendo esse papel depois de tantos anos de militância e de governo. 

Um governo de esquerda deveria distribuir riquezas. Ou não? Se deveria, porque não o faz? E por que, se não o faz, diz fazer e, inclusive, ganhou a última eleição porque tanta gente acreditou que fizesse?

Talvez a realidade seja uma sala de espelhos e nada é como parece ser. 

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