terça-feira, 27 de outubro de 2015

No passado, PT caía de pau nas barganhas, agora depende delas para sobreviver


O casal que viveu tantas alegrias nos últimos treze anos pode
morrer abraçado. Ela deve cair e Lula está na mira da justiça. 
O beijo da foto pode ser classificado como aqueles "de Judas",
já que a "herança maldita" que os petistas atribuíam aos
tucanos, foi multiplicada e engordada com fermento por 
Lula e seu partido, durante todo esse longo tempo de Planalto
Isolada, Dilma conta apenas com alguns fieis escudeiros. O resto é tudo inimigo. Lembra aquelas histórias de faroeste. A caravana cercada por índios ferozes, provavelmente porque os brancos chegaram para destruir tudo e impor sua civilização. E é assim que os petistas do governo se sentem.

A presidenta se elegeu com meias verdades e mentiras deslavadas, não se pode negar isso. A prova de que isso aconteceu está aí, diante de nossos olhos. Facilmente, logo após vencer nas urnas, Dilma esqueceu tudo o que dissera momentos antes e partiu para uma viagem, aparentemente sem volta, de declínio dos projetos petistas e de impopularidade, ao tirar direitos de trabalhadores, ao propor novos e maiores impostos e outras medidas lamentáveis para um governo que jurava que as finanças públicas estavam equilibradas. Em resumo, mostrou que todo o esquema estava montado tão firmemente quanto um débil castelo de cartas.

Nem Collor de Melo, que foi ao fundo do poço no quesito popularidade, conseguiu reunir contra si tanta gente. Tudo isso, em grande parte pelos defeitos, pois Dilma não sabe fazer política; em parte por virtudes, pois o investimento em programas sociais só merece elogios, embora esse investimento fique muito aquém do que se espera de um governo de esquerda, ou eleito como tal. Em boa parte, porém, a desgraça de Dilma, seu séquito e partido, se dá por conta de uma herança maldita, ou duas, se contarmos a deixada pelo governo FHC. A outra é a deixada por Lula, que conseguiu governar para os trabalhadores sem mobilizá-los, sem politizá-los, apenas os rebaixando ao nível de consumidores.

Não é à toa que Lula é considerado por muita gente um gênio na política, possivelmente o maior já nascido no país. Ele conseguiu coordenar uma ação populista simples, clara e inequívoca, mas é tido como um líder da esquerda. Mas, o que a esquerda deveria fazer não seria mobilizar e politizar os trabalhadores? Lula é, no quadro da política nacional, um político de direita. O PT, por sua vez, desvendou-se como o queria Brizola, como a “UDN de tamancos”, ou a “UDN de macacão de operário”.

Os laços que unem certos indivíduos e grupos da chamada esquerda e a direita mais desavergonhada têm se mostrado fortes. 

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