segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Finalmente os corruptores estão na linha de tiro

Uma das boas coisas que estão acontecendo no Brasil é o processo de responsabilização dos corruptores ativos, alguns grandes empresários. Até pouco tempo, esse pessoal estava claramente livre de qualquer incômodo, embora o corruptor ativo seja a peça chave para que haja a corrupção. 

O corrompido, o passivo, precisa de um corruptor para exercer o seu ofício nefasto, mas é o patrocinado. Já o ativo, precisa do passivo, mas é quem patrocina a corrupção, o verdadeiro autor intelectual do ato deplorável. Na prática, a perspectiva de punição e execração pública são desmotivações para o corruptor e funcionam como um bom conselho para que o corrompido pense melhor antes de aceitar patrocínios e propinas. 

Prática de compra e venda promove a política "de rabo preso"
O político brasileiro, com honrosas exceções, se acostumou a fazer política de uma determinada maneira. Em tese, o vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente, deve se eleger com o olhar projetado para o bem comum. Essa é a única justificativa para que se eleja. No entanto, o sujeito faz, geralmente, sua campanha patrocinada por algum corruptor ativo e, se vencer, tem o rabo preso com o patrocinador, é claro. Isso, que é uma prática usual, deve receber o nome que lhe cabe: corrupção. 

Podridão generalizada promove tristeza e desencanto
Corrupção quer dizer quebrar, decompor ou deteriorar algo. Algo que foi corrompido é algo que sofreu putrefação, também se pode entender. Ao “comprar” mandatos, o empresário está praticando não somente um ato deteriorante em relação aos princípios republicanos e democráticos, mas está, conforme a situação, atingindo a toda a humanidade. Afinal, pelo menos idealmente, esses princípios existem para tornar melhor a vida humana e ir contra eles corresponde a ir contra a humanidade, a sabotar a esperança na melhoria e na elevação do ser humano. E não é à toa que tantas pessoas apresentam sintomas depressivos graves em nossos dias: falta-lhes a esperança que a corrupção destrói e resta-lhes apenas o desencanto e a tristeza. 

Psicopatas não deprimem
Não é absurdo dizer que deprimir, hoje, é sintoma de sanidade. O psicopata, que é o herói da pós-modernidade, o ícone do sujeito bem sucedido em um mundo corrompido e corruto, jamais deprime. Justamente para evitar isso é que torna-se um psicopata.  



O "coisa ruim" é bem mais feio do que
lhe pintam, pode ter certeza, mas não
esteticamente. Sua aparência, ao contrário,
não raro é atraente e sedutora. A imagem
acima é meramente ilustrativa da cara
feia que o diabo definitivamente não tem. 
Corrupção contagiante
O corruptor ativo adota uma prática que vai fundamentalmente contra princípios éticos e morais, o mesmo ocorrendo com o passivo, mas de forma diferente no que diz respeito à responsabilização: o corruptor tem o interesse de corromper para “se dar bem”, assim, via de regra, procura o corrompido para lhe propor negócios e é, efetivamente, o autor do ato pútrido; o corrompido é tão responsável quanto o corruptor, mas, em tese, não tão perigoso quanto este. Pode vir a ser, pois a corrupção, sendo endêmica, epidêmica ou pandêmica, conforme o caso, contagia e o corrompido sonha corromper, simplesmente porque entende que esse é o caminho natural. 

Entregando a alma
Ah, sim, claro que é importante dizer que corruptores e corrompidos não estão negociando simplesmente cargos, propinas ou benefícios diversos para si e para amigos e correligionários. Estão pondo no pano verde a própria alma e, ao tornar a corrupção uma prática corriqueira, a estão entregando ao diabo. 

E não estou falando do diabo anedótico de chifres, cavanhaque e rabo, é claro... O "coisa ruim" é bem mais feio do que lhe pintam, pode ter certeza, mas não esteticamente. Sua aparência, ao contrário, não raro é atraente e sedutora. 

Também é bem mais pernóstico e maldoso do que se imagina e engana como ninguém. Afinal, é do diabo que estamos falando. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário