sábado, 3 de outubro de 2015

Ecológico é ser humano

O militante ambiental é, muitas vezes, definido como um potencial chato, ou, outras vezes, declaradamente um chato. Não à toa, segundo observo e descubro que outros também o fazem. É que, não raro, a “campanha” pela consciência ambiental passa pelo terror, pelo anúncio dramático do apocalipse e coisas do gênero. 

O objetivo, tudo indica, é causar medo e, principalmente, culpa, não exatamente gerar uma nova consciência. Pelo que diz Ricardo Abramovay, em artigo publicado no portal Outras Palavras, a culpa e o medo acabam sendo um tiro pela culatra, pois, se “todos agem assim”, nada muda, ou seja, a culpa e o medo emocionam, mas se diluem na falta de pensamento característica da vida urbana. E, assim, segue o barco. 

Se há algo a fazer no campo ecológico é tentar melhorar o predador humano e, antes de tudo, agir sobre o modo de vida baseado no consumo. O “homem massa”, o “homem medíocre”, não costuma pensar, apenas seguir os padrões do rebanho, que quer sempre mais e mais na fantasia de realização artificial gerada no ambiente publicitário de nosso tempo. 

Já se perdeu tempo demais com exortações apocalípticas. É hora de aproveitar melhor esse tempo e agir na estratégia correta, com o foco na forma de vida baseada no desperdício, no esbanjamento, na aparência bela e feliz em detrimento da qualidade humana. 

Com medo e culpa, consegue-se infantilizar mais ainda quem já é exaustivamente incentivado a isso pelo sistema de consumo. Com discursos trágicos, quase apocalípticos, o que se faz é apenas o jogo do inimigo. 

No fim das contas, sempre disse e continuo a dizer: ecológico é ser humano. E ser humano é querer sempre ser melhor e não aceitar ser um reles consumidor. 

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