quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Bancos lamentam dar reajuste salarial de 10%, mas lucram muito mais

Legenda: Os patrões do Senado. Dispensa explicações, creio
Segundo o portal da Auditoria Cidadã da Dívida, o presidente do Bradesco está desolado. Ele se preocupa bastante com o rombo que o reajuste dos bancários vai causar no caixa da sua empresa bilionária. Os empregados dos banqueiros, levam 10% de reajuste, enquanto o miserável e paupérrimo Bradesco teve, só no primeiro semestre deste ano, um crescimento de 18,4% no lucro líquido, em comparação com o mesmo período de 2014. Muito, muito, muito mais do que vai pagar de reajuste aos seus “colaboradores” (1). 

O pessoal da Auditoria Cidadã lembra que a Taxa Selic, aquela que é base para remunerar parte dos títulos da dívida pública, tem subido desde outubro de 2014, elevando-se significativamente. Aí, a gente fica com as barbas de molho porque alguém já disse que a Dilma bateu de frente com os bancos, acho que foi o André Singer. Como? Com tamanha generosidade? 


É certo que Dilma parece ter acarinhado menos os bancos que Lula, que se mostrou praticamente um lobista de grandes empresas e grandes fortunas, contrariando tudo aquilo que disse durante sua história. Não foi apenas FHC que pediu que esquecessem o que ele escreveu no passado. Lula foi campeão nisso. Sua práxis, antes da presidência, é uma coisa, durante a presidência é outra. Ou, mais precisamente, antes da presidência, a conversa era uma, já depois, a prática é que importa, companheiro, e nada tem a ver com os discursos de antanho. 

Deixando Lula e sua face de Juno (2) de lado, é preciso dizer que, se existir efetivamente o inferno, é um lugar repleto de banqueiros e grandes empresários – todos com seus políticos de bolso, claro. Para mim, esses espécimes representam o lixo, a escória da espécie humana. Nestes momentos de economia desestabilizada é que se percebe o quanto os grandes capitalistas veneram a crise e a provocam o quanto podem. É nela que muitos perdem muito, às vezes tudo o que têm, e é graças a ela que os mais ricos e sem nenhum caráter (aqueles que povoam o inferno) ganham o que todos os outros perderam, geralmente com os préstimos dos governos. 

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(1) Trabalhador não é mais Trabalhador. É hoje chamado de “colaborador”, dizem que numa manifestação exemplar de cinismo dos empresários e administradores de empresa. Mas, isso não é novo: demissão em massa ganhou o nome dowsizing, controle e vigilância acerca da aparência do funcionário é, agora, dress code. Isso só para citar dois exemplos. Na mesma linha, cidadão não é mais cidadão, não existe mais isso. A moda agora é ser apenas consumidor. 

(2) Deus romano das mudanças e transições, representado com duas faces. 

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