quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A culpa é dos outros, sempre


Nada como um bom bode expiatório 
Certa vez, li num livro que uma das soluções mais atraentes quando se tem um problema é pôr a culpa em alguém. Ao fazer isso, o sujeito se sente mais leve, pois pode experimentar a certeza de que o que lhe está acontecendo de mal não é culpa sua, mas de algum (ou alguma) filho (ou filha) da puta que está empatando a sua vida. Assim, se você sente tristeza, cabe acusar alguém por isso. Da mesma forma, se algo deu errado em algum de seus projetos de vida, procure, longe de si, um culpado. Isso lhe fará sentir melhor. Não resolverá o problema, é claro, mas fará com que você se sinta mais tranquilo em relação a si próprio. Afinal, você é uma vítima de alguém ou mesmo das circunstâncias (criadas por algum canalha, é claro).

Veja que o senhor ministro do Desenvolvimento Agrário, um cidadão chamado Patrus Ananias, disse, recentemente, que a situação catastrófica da economia brasileira é culpa da imprensa, que a está inflando. Sim, é claro. O PIB caiu, coisa estapafúrdia, por culpa do O Globo, assim como todas as bandidagens que o juiz Moro e seu time andam investigando (e confirmando) foram certamente culpa de uma articulação entre o Estadão e a Folha, os maiores culpados pela bandalheira que é o governo brasileiro.

O mesmo sujeito disse, veja, que há uma oposição ao país, não ao governo. Pode ser, mas ele se esqueceu de dizer que o governo tem governado para si, e não para os cidadãos do país. Assim, temos uma oposição ao país por parte, também, do governo que, ao nomear mais de cem mil comissionados, está claramente atacando e tentando destruir o Estado brasileiro. Este, que fique claro, serve para atender aos cidadãos de modo geral, não a um grupo que está no governo. No entanto, depois de tudo o que já foi descoberto e divulgado em relação às falcatruas dos altos escalões governistas, parece claro que o Estado brasileiro serve, basicamente, ao grupo que ocupa o governo e, é claro, aos seus amigos, pois que a filosofia política dos governantes define os amigos como merecedores de tudo do bom e do melhor, enquanto os demais devem receber, apenas, a dureza da lei.

A UDN de tamancas ou os novos ricos no poder?
É claro que a bandalheira não nasceu com o governo petista, mas foi continuada e, em alguns pontos, aperfeiçoada. Assim, não me venha ninguém com a conversa de que houve distribuição de renda e retirada de milhões da faixa da miséria. Apesar de ter havido programas sociais, a marca do governo petista não foi a distribuição de renda para o andar de baixo, mas para o andar de cima. Basta comparar o que os magnatas da estrela vermelha receberam e distribuíram aos amigos com o que receberam os beneficiários de bolsas disso ou daquilo, ou mesmo os que conseguiram empregos de baixa qualificação. Quem lucrou nestes vinte anos de governo PTucano (os dois governos do PSDB e os quatro do PT se assemelham tanto na essência que é difícil distinguir um do outro) foram os mais ricos e a elite financeira, é claro, que receberá, somente neste ano, R$ 1,47 trilhão por conta de amortizações e remunerações relativas à Dívida Pública.

Só para ilustrar: enquanto você paga uma fortuna de imposto ao receber a mixaria que chamam por aí de salário, as empresas distribuem para seus sócios fortunas em nome da distribuição de lucros que são isentas de imposto. Essa medida “inteligente” foi tomada durante o governo de FHC e, durante o governo petista, aquele “dos trabalhadores”, foi mantida, incólume. Você trabalha metade do ano para pagar muito de imposto, já o sócio daquela empresa, que muitas vezes nada faz além de contabilizar lucros, não paga nada. Isso mesmo, nada, nadinha. Isso em um governo “dos trabalhadores”.

Não canso de lembrar o velho Leonel de Moura Brizola que, na sua sabedoria, dizia: o PT é a UDN de tamancas. Traduzindo para o novo português: o PT é a direita travestida de operariado. Aliás, Florestan Fernandes, fundador do partido e deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores também tem uma boa definição, menos sardônica, mas nitidamente fundamentada pela convivência com os petistas: "Eles não são de esquerda, são sindicalistas tentando melhorar de vida".

Isso explica esse governo de novos ricos, no qual os ministros caçam níqueis fazendo parte dos conselhos administrativos de empresas públicas e recebendo gordos jetons. 

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