domingo, 20 de setembro de 2015

Certo, empresa não pode mais comprar político, mas e o Fundo Partidário, como fica?

Com o placar de 8 a 3, os ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF, acabaram com a farra da compra de políticos por empresas. Há quem conteste, mas isso é um bom sinal. Afinal, conforme se pode compreender facilmente, partido deve ser veículo da democracia e da formação política, de modo geral, e não é isso que acontece, na prática. 

Com o financiamento de campanhas por empresas que tínhamos até a decisão do STF, os fatos indicam que, claramente, as empresas não pareciam muito preocupadas com princípios democráticos. Empresa quer lucrar, não há outra compreensão possível e compra o político para lucrar com o dinheiro público, na maciota. Afinal, trata-se de investimento para a empresa, não para o público. 

O que se espera é que os partidos e seus políticos sejam partidários da sociedade, que não se elejam simplesmente para satisfazer os patrocinadores, que são coproprietários do mandato. Lembro, inclusive, do Cunha (o que, acima de presidente da Câmara, é um eficiente “homem do livre mercado”) ter dito, quando se falava em intensificar as consultas à sociedade acerca de temas de grande importância nacional, que ninguém ia lhe tirar o mandato”. 

Cunha se revoltou, porque os plebiscitos e demais consultas lhe tirariam o mandato, ou seja, tudo indica que ele está dizendo que não deve nada aos eleitores que lhe deram o mandato. No caso, como dizem que o tal “homem do livre mercado” se elege para representar seus patrocinadores e só, bem se pode entender que não cumpre sua função pública. 

Olho no Fundo!
Cabe agora, observar o que está acontecendo e o que acontecerá com o Fundo Partidário. Parece que seus recursos foram triplicados desde que o debate sobre a adoção do financiamento público. Dos previstos R$ 289,5 milhões, já se tem notícia de haver nele algo como R$ 867,5 milhões. 

A decisão do Supremo parece ser realmente uma resposta ao cidadão indignado com a corrupção e cria dificuldades para os acordos entre empresários corruptores e políticos corrompidos. Mas, é grande o arsenal de recursos para burlar os mecanismos legais que tentam estruturar o processo democrático. 

Olho vivo, porque é preciso estar alerta, sempre. 

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