terça-feira, 15 de setembro de 2015

A crise só existe para fazer a alegria de poucos (enxaguada pelas lágrimas de muitos)

Vermes financeiros: eles mantêm você
vivo para poder sugar sua vida (Atenção:
a imagem é meramente ilustrativa -
os parasitas das finanças têm aparência
bem mais terrível do que a destes aqui)
Se você pensa que crise é algo inesperado e que não foi programado, o provável é que você esteja sonhando. A realidade é bem diferente do que você imagina ser. 

Segundo o Ministro da Fazenda brasileiro, um tal de “Levy”, boa parte dos recursos que o governo brasileiro espera conseguir para enfrentar a crise econômica vai ser obtido com o corte de despesas. Certo, muito bom. 

O que não é bom é saber que os ganhos dos patrões do governo, os banqueiros, e, idem, os salários e jetons dos ilustres membros do executivo, legislativo e judiciário, não sofrerão perdas, pois ninguém vai dar um tiro no pé à toa. Os outros que paguem, pensam eles e que me repassem uns trocados de quebra. 

Veja que o salário de Levy é bom e permanecerá inalterado ou, quem sabe, até mesmo terá algum acréscimo. Afinal, no andar de cima, os relacionamentos sempre são lucrativos. 

Susan George (http://outraspalavras.net/destaques/os-bancos-preparam-proxima-crise-global/) lembra que, após a crise de 2008, os maiores bancos dos EUA distribuíram gratificações de um milhão de dólares ou mais, a mais de cinco mil banqueiros e operadores financeiros. Sim, isso mesmo, a crise que roubou o lar de um sem número de cidadãos estadunidenses e, por contágio, rebentou com a vida de outro sem número de pessoas no mundo todo, foi muito boa para os vermes financeiros. 

Em resumo, os caras ganham de qualquer jeito. Veja que as gratificações foram pagas com o dinheiro público de empréstimos feitos aos estados, o que significa que o dinheiro dessas gratificações foi conseguido diretamente pela “mão invisível” que entrou desavergonhadamente no bolso dos cidadãos e de lá tirou os recursos que mimaram os financistas. Isso aconteceu, também, na Inglaterra e na França. 

Para os vermes, a saúde do organismo do qual extraem suas forças é fundamental e o único desafio para manter a mamata é manter esse organismo num estágio médio de saúde: nem tão saudável que possa reagir, nem tão doente que venha a perecer. 

Crises como a de 1929, como as de 1987/89, como todas as da década de 1990 e, também, a de 2008, servem para uma coisa: promover a tunga, o butim. 

É a mesma lógica que o bandidinho de rua usa para roubar: intimida, cria confusão, para, no tumulto, pôr a mão no bolso dos otários. 

Se isso dá certo com mãos visíveis, imagine com uma poderosa “mão invisível” que tudo pode em nome do “desenvolvimento econômico” e, é claro, da “estabilidade financeira”... 

A cena é triste e não adianta rezar. Deus está fora e foi substituído pelo Mercado. 

PS: Enquanto isso, proliferam os novos escravos (new servants), que diferem substancialmente dos antigos porque estes lutavam contra seu estado de escravidão, enfrentavam até mesmo a morte por sua liberdade. Já os escravos de hoje defendem seu estado de escravidão com muito orgulho e usam, agora, até mesmo códigos (como o dress code) para mostrar, uns aos outros, o quanto amam sua condição servil. 

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