segunda-feira, 22 de junho de 2015

É a lama, é a lama...


À esquerda, Marcelo Odebrecht preso. À direita, Lula presidente.
Boné do "coringão" e boas relações com a maior empreiteira do país
2014 foi um ano terrível para o Brasil. 

Teve Copa do Mundo com estádios superfaturados, uma seleção brasileira fraquíssima, na qual só se destacou o bom jogador, mas inexperiente, Neymar (ainda assim, por três ou quatro jogos, pois que no seguinte uma entrada desleal de um adversário o tirou da competição e da vexatória derrota para a Alemanha). 

Ainda houve o pessoal que reclamou das falcatruas da Copa e foi recompensado com uma repressão que deixou os saudosistas da ditadura militar excitados a ponto de pedir a volta da mesma. 

Teve uma eleição presidencial na qual se mentiu como nunca, de todos os lados. De certo modo, o melhor mentiroso venceu, ou melhor, o mais eficiente mentiroso, aliás, mentirosa. Isso não lhe tira possíveis méritos, nem atribui virtudes à oposição, que parece ter mentido menos, o que não é nada honroso. 

Teve também eleição para o Senado, a Câmara Federal, para os governos estaduais e para as Assembleias Legislativas. No caso da Câmara Federal, elegeram-se candidatos pouco qualificados no que tange às virtudes políticas, embora haja bons nomes aqui e ali, mas poucos. A maioria é mais negociante do que política e tem a alma já vendida. 

Nos governos, houve escolhas trágicas, como a do tucano Beto Richa, no Paraná, um zero à esquerda que consegue se eleger e reeleger claramente por conta de ser testa de ferro de um time poderoso e que enriqueceu por conta de controlar o poder público. Logo no início de seu mandato, descobriu-se que ele falira o estado já na primeira gestão e iniciava a segunda tendo que administrar a miséria. A conta disso, é claro, foi passada para os servidores e para a população, como de costume. Os professores ainda ganharam balas de borracha, porradas de cassetetes e mordidas de cães amestrados para ferir manifestantes e, por que não dizer, sangrar a própria democracia. 

Mau cheiro
No segundo semestre, bem no período eleitoral, explodiu um escândalo daqueles, provavelmente um dos maiores da história da República brasileira. A tal Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) começou a exalar seu mau odor e até hoje tem feito o país conviver com os miasmas que emanam dos apertos de mão entre empresários e políticos. 


Até um certo momento, porém, esse fedor ficou flutuando um tanto longe dos gabinetes oficiais. Lula e Dilma, os presidentes que ocupam o poder desde 2003, não eram alvo das investigações e pareciam blindados. No entanto, de repente, gente graúda, muito graúda, entrou na mira da PF e não gostou nada disso. Afinal, essa “gente bem” está acostumada a ser tratada com salamaleques e a se sentir acima dos mortais. Não pode admitir, repentinamente, começar a ser tratada como são tratados os bandidinhos de segunda categoria. 

Cabe pensar que há dois tipos básicos de crime na sociedade brasileira: 

  • aquele que os ricos cometem, que movimenta grandes somas e é não apenas admitido, como até mesmo elogiado como sendo coisa de gente empreendedora; 
  • aquele que os pobres cometem, que movimenta migalhas e é não apenas combatido, como não raro pode mesmo levar aquele que o comete à morte no confronto com a polícia, usualmente rotulado como “auto de resistência”. 


Ameaças
Alguns empresários envolvidos no esquema investigado pela PF na Operação Lava-Jato não gostaram nem um pouco de conhecer as dependências de uma cadeia. “Isso não é lugar para nós”, pensam. Para saber um pouco mais sobre o assunto, há muitas possibilidades na internet. 

Uma delas está no endereço do jornal espanhol “El País” e pode acessado aqui: “Operação Lava Jato chega à ‘joia da coroa’ e se aproxima de Lula“.  

Outra, pode ser acessada aqui: "Odebrecht, pai e filho, ameaçaram derrubar a República"

Leia trecho da matéria do El País: 
Conforme a decisão de Moro, Marcelo Odebrecht foi preso principalmente por duas razões. Por gerenciar uma empresa que, segundo o juiz, há ao menos 11 anos corrompe políticos e por ter sido formalmente avisado por um de seus funcionários de que era necessário pagar um sobrepreço pela exploração de sondas para a Petrobras.
“Considerando a duração do esquema criminoso, pelo menos desde 2004, a dimensão bilionária dos contratos obtidos com os crimes junto a Petrobras e o valor milionário das propinas pagas aos dirigentes da Petrobras, parece inviável que ele fosse desconhecido dos Presidentes das duas empreiteiras, Marcelo Bahia Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, afirma o magistrado, referindo-se também ao presidente da segunda maior empreiteira do país, também preso neta sexta-feira.

O Brahma
Parece que os Odebrecht tinham uma relação bastante íntima com o “Brahma”, que seria o apelido de Lula, o ex-presidente que “mudou o Brasil” e coisa e tal. Lula gosta bastante de beber, daí o codinome – cabe lembrar que o ex-correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter, falou sobre esse assunto e foi convidado a se retirar do país (ver matéria aqui). Em livro, Rohter diz que não muda uma linha do seu texto e se declara feliz por ter tocado no assunto que irritou Lula e alguns áulicos, mas fez com que a vigilância de assessores sobre o então presidente aumentasse, evitando que ele se embebedasse como gostaria. 

Há quem jure, em Brasília, que Lula governou, frequentemente embriagado, o país durante oito anos. Mas, isso não é privilégio do Brasil, que fique dito. Na Rússia, com todo aquele frio e toda aquela vodca, dizem que isso é comum. 

De todo modo, sóbrio ou de porre, tudo indica que Lula era o “Brahma” citado por alguns peixes grandes envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras. 

O mar de lama bate na porta do ex-presidente. 

2014 foi catastrófico para o Brasil. 2015 pode ser pior para muita gente. 

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