quinta-feira, 7 de maio de 2015

A mão invisível conhece o caminho para o seu bolso

Há quem jure que as medidas propostas pelo governo para sair da crise, ou seja, resolver alguns graves problemas econômicos e sociais, vai sair pela culatra. O ministro da Fazenda da petista Dilma Rousseff é ex-funcionário do Bradesco e do FMI, tem curriculum carimbado. É bom, só pode ser, mas joga para o mercado, assim como o presidente da Câmara Federal, o que significa, para muitos, que é algo assim como o testa de ferro de um grupo que alguns comparam a uma quadrilha. Os pessimistas dizem que o sucesso do plano do governo, assim como o sucesso do FMI ou das instituições financeiras, significa desgraça para a maioria de nós, que seremos taxados com mais voracidade e perderemos direitos. Se não os perdermos diretamente, sofreremos as consequências da perda de direitos de outros, certamente. 

A felicidade do FMI, do Bradesco e do governo, argumentam uns meus conhecidos, é a nossa infelicidade. Pela lógica do Capital, garantem os marxistas, ou marxianos, como alguns se autodenominam, o sistema produtivo é um sistema de afanação: o empregador lucra sobre a perda do empregado e nunca vi uma contestação decente a essa assertiva. A coisa realmente parece funcionar assim e, se é desse jeito no sistema produtivo, imagine você no financeiro. É aí que a “mão invisível” liberal entra sem medo de ser feliz no nosso bolso. 

Grupos ou quadrilhas?
A questão central parece ser a Dívida Pública. Deve-se aproximadamente R$ 2,5 trilhões, o que é muito. Mas, tudo indica que os governos FHC, Lula e Dilma já pagaram algo em torno de R$ 15 trilhões. É um buraco sem fundo que não foi sequer citado na última campanha, aquela dos estelionatos. Cheguei a ouvir de uma criatura cândida, pura e eleitora do PT que a Dívida Pública era algo assim como uma forma do governo se financiar. Ok, mas se é isso, não está financiando nada mais que os lucros de meia dúzia de grupos, ou quadrilhas, como querem alguns. 

Não sei mesmo se são bandidos, se podem ser realmente chamados assim, mas são parasitas, ah isso são. Todo o mercado financeiro é um grande intestino cheio de vermes, parece claro. As circulações se fazem no modelo “cassino”, como um teórico chamado Robert Kurz sugeriu e nesse modelo há tudo, menos ética e justiça. Quem controla as apostas ganha sempre, porque há sempre quem apostará errado. E é muito fácil apostar errado quando fortes grupos trabalham naturalmente para controlar os fluxos. Se você não faz parte de nenhum desses grupos, estará no meio do tiroteio sem ter onde se esconder. Em outros termos, se você não controla as apostas... corra da mesa. 

Ah, sim, esses grupos, você sabe, são muitas vezes comparados a quadrilhas de bandidos que, por terem grande poder e recursos, roubam muito, mas de forma suave e lenta, como parasitas. Diferenciam-se das verdadeiras quadrilhas, aquelas que a imprensa chama diretamente de quadrilhas, porque estas roubam pouco, mas de uma vez e violentamente. Estas são as quadrilhas de pobres, aquelas as dos ricos, os que lucram com a desgraça daqueles que os pobres também roubam, as camadas médias da sociedade, a genericamente chamada “classe média”, aquela da qual você que está lendo isto faz parte, uma grande multidão, dispersa em suas qualidades, mas unificada pelos defeitos. 

Segundo o que se conta e se diz por aí, no novo modelo do capitalismo contemporâneo, não há proletários como os do século XIX. Há o consumidor e este sempre sairá perdendo, ganhe quem ganhar na guerra de quadrilhas do mundo econômico-financeiro. 

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