quarta-feira, 6 de maio de 2015

29 de abril, o dia do massacre dos professores do Paraná

O paranaense sabe, desde o dia 29 de abril, que o “Dia do Professor” não é mais 15 de outubro. Pode ser até que esta data tenha algum significado fora do Paraná, mas no estado o 29 de abril certamente será lembrado a cada ano como uma data que marca a coragem e a luta de uma categoria e que, assim como outras datas históricas, relembra um massacre. 

Pois, no 29 de abril, os aproximadamente mil policiais que se concentravam no Centro Cívico, em Curitiba (local onde fica o Palácio Iguaçu, sede do Poder Executivo estadual, a Assembleia Legislativa, o Poder Legislativo, e alguns prédios do Poder Judiciário) atacaram, sem qualquer medida, com requintes de violência jamais vistos na cidade ou no estado, os professores que ali se reuniam para protestar contra uma reforma proposta pelo governador Carlos Alberto Richa, cuja marca eleitoral (ou eleitoreira) é “Beto Richa”. 

Os professores do Paraná (notadamente os feridos pelos terroristas de estado que receberam ordens para cometer as atrocidades e as cumpriram com sadismo) merecem ser homenageados nessa data. Mas, justiça seja feita, essa data também deve conter uma justa homenagem aos 17 policiais militares que se recusaram a participar do massacre. No meio de mil, 17 mostraram que têm dignidade e não se vergam diante de ordens estúpidas. Uma vergonha para o resto da corporação, principalmente para os que receberam a ordem e a cumpriram. 

E cabe salientar que, se uma agressão com esse nível de magnitude foi inédita no estado, já aconteceu em alguns casos de forma mais violenta em outros locais, principalmente em 2013, quando das manifestações que ocorreram de junho em diante. 

Reforma imoral, ilegal e lesiva aos servidores
A reforma proposta por Richa (o qual um jornalista, Boechat, da Band News, disse que certamente perderia de um pitbull em qualquer concurso de cérebros) é imoral, ilegal e claramente lesiva aos professores e aos servidores estaduais de modo geral. Tanto é assim que o Ministério Público e a Advocacia Geral da União (AGU) já declararam a ilegalidade da reforma de Richa. Segundo se comenta à boca pequena nos círculos políticos, o problema de Richa é que ele já “meteu a mão” na previdência e, agora, com essa reforma pretende apenas maquiar o fato. 

Abaixo, trecho de matéria da Folha de Londrina e a Conclusão do Parecer elaborado pela AGU. 
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (MPjTC) do Paraná considera inconstitucional o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa (AL), já sancionado pelo governador Beto Richa (PSDB), que mudou a previdência dos servidores públicos estaduais. O órgão vai tentar suspender cautelarmente a aplicação da lei. Os deputados estaduais votaram a matéria na quarta-feira da semana passada, enquanto a Polícia Militar impedia com violência a entrada de professores na AL. Mais de 200 pessoas ficaram feridas (FOLHA SE LONDRINA). 


Richa, o cancro maldito e amaldiçoado
Na história política do estado, há outra agressão covarde contra os professores. Em 1988, no final de agosto, o então governador Álvaro Dias, que hoje está no PSDB, mesmo partido de Richa, mandou a mesma PM bater nos professores que se manifestavam em frente ao Palácio Iguaçu. A agressão foi violenta, mas não apresentou nem um décimo da violência desta do dia 29 de abril de 2015. 

Álvaro, apesar de amaldiçoado pelos professores, conseguiu se eleger senador por vários mandatos, mas nunca mais conseguiu chegar ao governo do Paraná, nem ele nem seu irmão, Osmar Dias. Somando as tentativas de ambos, já são quatro derrotas contabilizadas. Neste sentido, a maldição funcionou. 

Contra Richa há, porém, a celeridade da circulação de informações característica de nossos tempos, nos quais as notícias correm rápido demais, com direito a imagens paradas e animadas, sons etc. No mesmo momento em que a PM de Richa seviciava os manifestantes, milhares de pessoas não apenas ficavam sabendo do fato, mas assistiam “em tempo real” aos absurdos acontecimentos, com direito ao ruído das bombas jogadas de um helicóptero da polícia (sim, houve até bombardeio) e ao terrível som dos gritos e choros de professores e professoras. 


Há quem diga que Richa está morto politicamente, é uma espécie de cadáver político insepulto e que o seu partido, o PSDB, pensa inclusive em extirpá-lo de seus quadros, como um cancro que pode contaminar todo o organismo partidário caso alguma medida emergencial não seja tomada. Na prática, o partido deveria ter feito isso no mesmo dia do ocorrido e, agora, passada uma semana, já parece tarde demais. A contaminação já ocorreu. 

Para completar a tragédia, dando-lhe ares de comédia bufa, o secretário de Segurança de Richa, de nome Franscischini, concedeu entrevista coletiva nestes dias deixando claro que a responsabilidade por todo o ocorrido foi do comando da PM... 

Segundo consta, o comandante, Cesar Kogut, já pediu exoneração e 16 coronéis assinaram carta de desagravo a ele e, é claro, de agravo ao Francischini e a Richa, que tem sido adjetivado no mundo todo como "tirano e covarde".  

Nenhum comentário:

Postar um comentário